O Painel de Decisão Monetária (PDM) do Banco Central comunica neste dia de quarta-feira, 10, sua determinação a respeito da taxa primária de remuneração. A manutenção da Remuneração em 15% ao ano é acordo há semanas entre os pesquisadores e, recentemente, os analistas financeiros deixaram de considerar a possibilidade do princípio da série de redução em janeiro, apesar da evolução das previsões de inflação.
Remuneração só ocorrerá na segunda reunião do próximo ano do PDM. Ou seja, em março, quando a taxa seria diminuída para 14,5% ao ano.
A Remuneração está parada desde junho no nível de 15%. Até o começo da última semana, predominava no mercado a crença de que a direção das próximas determinações do PDM estaria ligada ao trecho dos últimos comunicados que fala sobre a manutenção dos juros em 15% por um “período bastante extenso”. Contudo, a interpretação perdeu força após o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicar que a frase não é “reiniciada” a cada nova reunião, indicando que uma mudança no aviso não seria necessária para o começo de um período de relaxamento.
No instante, Galípolo também declarou que o Painel não tem, atualmente, um indicativo sobre qual será sua próxima medida, justamente porque ainda está na etapa de avaliação de dados. A meta de inflação do Banco Central é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Desde a última reunião do Painel, a média do Focus para a inflação de 2025 passou de 4,55% para abaixo do limite máximo da meta de inflação – de 4,50% – pela primeira vez desde dezembro de 2024. No relatório divulgado nesta segunda-feira, diminuiu pela quarta vez seguida, para 4,40%. Enquanto isso, a média para 2026 desceu de 4,20% para 4,16% na faixa.
O Sistema de Reserva Federal (Fed, o banco central norte-americano) também comunica neste dia sua determinação de remuneração, e por lá a previsão é de redução em 25 pontos-base (pb).
O que mencionam os especialistas do mercado sobre a Remuneração
C6 Bank antecipa cortes a partir de março, com Remuneração finalizando 2026 em 13%:
“Mesmo com essa melhoria, o Painel deve justificar a manutenção da taxa de remuneração diante do cenário marcado pela desorganização das expectativas de inflação, resistência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, o que demanda uma política monetária ainda restritiva. Acreditamos que o Painel pode indicar uma melhora no cenário futuro para a inflação, reconhecendo os avanços descritos acima, mas ainda mantendo um tom de cautela”.
Banco Daycoval prevê manutenção da taxa de 15% até março
“Entendemos que o BC pode esclarecer que o cenário principal não prevê aumento de juros e, por consequência, a declaração explícita que pode reiniciar o ciclo de aumento deve ser retirada. Por outro lado, o painel deve manter a ideia de necessidade de juros altos por um tempo bastante prolongado por meio da manutenção do termo ‘bastante’. Essa ação, inclusive, deve servir para evitar que os agentes econômicos entendam que o ciclo de redução começará em janeiro”.
4intelligence espera início do ciclo de flexibilização em março:
“O Painel poderá indicar que começará a discutir o momento certo e a velocidade de uma flexibilização da política monetária. Mas alertará que as condições para essa flexibilização ainda não estão atendidas… o comunicado provavelmente não vai explicar explicitamente, mas deixará implícito, que o ciclo de redução da Remuneração só começará quando as condições para a relaxação monetária estiverem completamente satisfeitas. Isso requer, por exemplo, que a projeção do próprio Banco Central para o horizonte relevante esteja indicando inflação ‘próxima da meta’. É válido lembrar que, em épocas passadas, o Banco Central considerou uma taxa de inflação em 3,2% como estando próxima da meta”.
Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, prevê primeiro corte em março:
“A curva de remuneração vinha ajustando preços nas últimas semanas, e isso influenciou diretamente a atratividade da renda fixa e das operações estruturadas. Dentro desse movimento, o Painel deve apenas confirmar a Remuneração em 15%. O ponto chave está nas entrelinhas: se a autoridade monetária reconhecer o progresso da desaceleração da inflação, abre espaço para cortes em março. Para investidores, isso representa um ponto de inflexão. Títulos prefixados, crédito privado e estruturas alternativas já reagem à expectativa. O essencial é interpretar a mensagem do BC com disciplina e ajustar a tomada de risco para um ciclo de reduções lento, porém contínuo”, Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.
Warren Investimentos projeta corte de 0,25 ponto em janeiro e Remuneração finalizando 2026 em 12,25%.
“Projetamos que o Painel avalie essa evolução como condizente com o cenário esperado, reforçando a necessidade de manutenção da taxa de remuneração na 275ª reunião. Sobre algum indicativo acerca da condução futura da política monetária, não esperamos qualquer mensagem explícita sobre as próximas decisões, seguindo o modelo adotado nos últimos comunicados. Mas ao reconhecer a evolução positiva do cenário a partir do arrefecimento da atividade e inflação e ressaltar a sua postura dependente de dados, o BC deve abrir caminho para uma possível flexibilização já na reunião de janeiro de 2026, iniciando um ciclo de reduções bastante gradual ao longo do ano”.
*Conteúdo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, site parceiro de Bora Investir
Fonte: Bora investir

