A líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ratificou a aprovação, por grande maioria dos países que compõem a União Europeia (UE), do pacto de trocas comerciais com o Mercosul – conjunto constituído por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
“A resolução do Conselho de respaldar o acordo UE-Mercosul é memorável”, compartilhou Ursula em sua conta na mídia social X. “A Europa está transmitindo uma mensagem poderosa.
“Estamos comprometidos em gerar desenvolvimento, empregos e assegurar os interesses dos consumidores e das companhias europeias”, acrescentou a líder da comissão encarregada de formular propostas de legislação para todo o grupo e de executar as resoluções do Parlamento e do Conselho europeu.
Com a confirmação do desfecho, a líder da Comissão Europeia poderá deslocar-se ao Paraguai, já na próxima semana, para confirmar o acordo com os países integrantes do Mercosul. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a direção rotativa pro tempore do grupo.
Em uma declaração mais detalhada, divulgada na página da Comissão, Ursula expressou ansiedade pela formalização do pacto que, para ser válido, ainda necessitará da aprovação no Parlamento Europeu.
“Em um momento em que o comércio e as interdependências [comerciais e econômicas] estão sendo utilizadas como instrumentos, e a natureza perigosa e mutável da realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial inédito é mais uma evidência de que a Europa está traçando seu próprio caminho e permanece como uma aliada confiável.”
A líder da Comissão destacou também “a robusta liderança e a boa colaboração” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que o Brasil dirigiu o Mercosul – entre julho e dezembro de 2025.
Anteriormente, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, comentou, em sua conta no X, que além de seu país, votaram contra o acordo Áustria, França, Hungria e Irlanda.
Segundo as normas do grupo, para ser aprovada, a proposta deveria conquistar o apoio de no mínimo 15 dos 27 Estados-membros que, juntos, representassem pelo menos 65% da população total do conjunto.
Ressonância
No Brasil, a decisão foi celebrada por líderes políticos e empresariais. Encarregada de promover os produtos e serviços brasileiros no exterior, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) declara que o acordo estabelece um mercado de quase US$ 22 trilhões, com a capacidade de elevar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões.
“Estamos falando de uma população superior a 700 milhões de habitantes e de um PIB próximo a US$ 22 trilhões. Fica atrás apenas do dos Estados Unidos, avaliado em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, situado em cerca de US$ 19 trilhões”, comentou o presidente da agência, Jorge Viana, em comunicado.
Viana também ressaltou a qualidade da lista de exportações brasileiras destinadas ao bloco europeu: “Mais de um terço do que o Brasil exporta para a região é composto por produtos da indústria de transformação.”
O acordo prevê a redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aeronaves. Todos representam setores estratégicos para a inserção competitiva do Brasil.
Também será aberta uma oportunidade promissora para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. As tarifas serão gradualmente reduzidas, até serem eliminadas, em relação a diversas commodities (sujeitas a cotas).
*Agência Brasil
Fonte: Bora investir

