O secretário da Economia, Roberto Haddad, anunciou hoje (19) que sugeriu ao governo uma medida para que o Banco Central tenha a responsabilidade de supervisionar os fundos de investimento no país. Atualmente, essa atribuição cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“Apresentei uma proposta, que está em análise no Executivo, para ampliar o escopo de regulação do Banco Central. Existe uma quantidade considerável de temas que deveriam ser da competência do Banco Central e que, na minha opinião, estão sob a guarda da CVM de forma equivocada”, afirmou durante uma entrevista concedida ao programa UOL News.
O ministro acredita que essa alteração é necessária devido à “existência de uma grande interligação entre os fundos e as finanças”, o que poderia gerar repercussões nas finanças públicas.
“Isso pode inclusive afetar a contabilidade pública. As contas remuneradas, os compromissos, todos esses elementos têm impacto na contabilidade pública”, mencionou ele, destacando que essa fiscalização pelo Banco Central já é adotada em outras nações desenvolvidas.
“Acredito que seria, até mesmo, uma resposta muito positiva neste momento ampliarmos a capacidade de fiscalização sobre os fundos pelo Banco Central, pois assim tudo estaria centralizado. Todo o acompanhamento e regulamentação estariam concentrados em um único local, o que é mais ou menos o modelo dos bancos centrais dos países desenvolvidos”, acrescentou.
Recentes operações conduzidas pela Polícia Federal têm revelado possíveis irregularidades envolvendo alguns fundos de investimentos no Brasil. Um exemplo disso é o caso que envolve o Banco Master e os fundos da Reag Investimentos.
No semana passada, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Investimentos, agora CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. A empresa é suspeita de gerir fundos fraudulentos relacionados ao Banco Master. O esquema operava por meio de um sistema financeiro de depósitos e saques por vários desses fundos, com o intuito de ocultar o real beneficiário do dinheiro. Segundo as investigações, as fraudes podem ultrapassar os R$ 11 bilhões.
Elogios ao Banco Central
Na entrevista de hoje, o ministro elogiou o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmando que não se arrepende de tê-lo indicado para o cargo. Haddad ressaltou que Galípolo tem atuado “com significativa competência” no caso do Banco Master e em outras questões herdadas de administrações anteriores.
“Ele [Galípolo] recebeu um problema que é o Banco Master, todo ele formado na gestão anterior. O Banco Master não surgiu na gestão atual, Galípolo assumiu um grande desafio. E está enfrentando essa situação com responsabilidade”, declarou o ministro. “Ele se deparou com um problema de grandes proporções, mas, na minha avaliação, tem lidado com isso de forma muito competente”, finalizou.
*Agência Brasil


Fonte: Bora investir

