A partir desta terça-feira (27) passa a vigorar o recente valor da gasolina comercializada pela Petrobras às empresas distribuidoras. A companhia divulgou uma diminuição de 5,2%, o que equivale a R$ 0,14 por litro, diminuindo o preço na saída das unidades de refino. Desta forma, o litro da gasolina passa a ter o custo de R$ 2,57.
Apesar de não ser instantâneo nem homogêneo o impacto nos postos, essa modificação interfere em um dos principais fatores que compõem o valor final pago pelos condutores.
Qual é a cotação atual da gasolina no Brasil e como é sua formação
Conforme informações médias coletadas entre 11 e 17 de janeiro de 2026 (antes do ajuste), o preço médio da gasolina no território nacional fica em aproximadamente R$ 6,32 por litro.
Essa é uma média a nível nacional, com variações significantes conforme o estado, município e posto de abastecimento, influenciadas por tributos estaduais, despesas logísticas e margens de lucro da revenda.
O montante estipulado pela Petrobras corresponde a cerca de 30% do preço final. O restante é composto por tributos, custos da mistura com álcool, distribuição e revenda:
- R$ 1,12 são Distribuição e Revenda (17,7%)
- R$ 1,05 são Custo Álcool Anidro (16,6%)
- R$ 1,57 são Tributo Estadual (24,8%)
- R$ 0,68 são Tributos Federais (10,8%)
- R$ 1,9 são Quota Petrobras (30,1%)
Os impostos estaduais consistem, principalmente, em ICMS, enquanto os federais englobam PIS, Cofins e Cide.
As despesas de distribuição e revenda compreendem transporte, armazenamento, operações dos postos e lucros do segmento.
Com o cortes anunciado, a perspectiva é de um decréscimo para o consumidor ao longo das próximas semanas, entretanto, a transferência depende das decisões das distribuidoras, postos e do ambiente mercadológico regional.
É importante destacar que esse corte, em janeiro de 2026, é o primeiro desde outubro de 2025, quando a estatal também reduziu a quantia em R$ 0,14 por litro.
Desde dezembro de 2022, o preço de venda às distribuidoras apresenta uma redução nominal de R$ 0,50 por litro. Descontada a inflação, a diminuição real atinge 26,9%.
O que se altera com o corte da Petrobras
A diminuição de R$ 0,14 por litro impacta exclusivamente na cota parte da Petrobras. Se a transferência do corte fosse integral, o preço médio ao consumidor poderia diminuir ligeiramente mais de 2%. Concretamente, a transferência tende a ser parcial e incremental.
Historicamente, os recortes nas refinarias levam mais tempo para chegar aos postos do que os aumentos. Mesmo assim, esse movimento abre espaço para ajustes, principalmente em mercados mais competitivos.
Contexto global e petróleo
A mudança ocorre em um contexto de valores internacionais do petróleo mais moderados. O barril do tipo Brent tem sido negociado entre US$ 60 e US$ 66, abaixo dos níveis anteriores mais elevados.
Essa movimentação reflete um crescimento global mais lento, aumento da oferta fora do Opep e previsões de demanda menos aquecida. Desde 2023, a Petrobras deixou de adotar a Política de Preço de Paridade de Importação (PPI), vinculada ao mercado internacional, passando a contemplar vários fatores na definição de preços.
Diesel permanece inalterado
Ao passo que a gasolina apresentou redução, o valor do diesel manteve-se constante. Atualmente, o preço do diesel comercializado pela Petrobras para as distribuidoras gira em torno de R$ 2,80 por litro.
Em 2025, a estatal aplicou três cortes no preço do combustível, em 1º de abril, 17 de abril e 6 de maio, com reduções entre 3,38% e 4,6%. Desde dezembro de 2022, a queda real acumulada no valor do diesel atinge 36,3%.
A manutenção do valor reflete a dinâmica específica do mercado e a preocupação com os impactos no transporte de cargas e na inflação.
O que se espera
A principal questão para o consumidor é quando a redução será perceptível no orçamento. Os postos em regiões com maior concorrência tendem a repassar os cortes de maneira mais ágil, enquanto os mercados menos competitivos podem manter os preços.
Além disso, fatores como câmbio, valor do petróleo e decisões tributárias continuam sendo monitorados. Modificações nesses elementos podem intensificar ou neutralizar o efeito do corte anunciado.
Fonte: Bora investir

