O Banco Central (BC) declarou que a atual situação econômica requer tranquilidade para a determinação do tamanho e da velocidade do ciclo de redução de juros planejado para começar em março. Essa informação está registrada na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje (3).
“A adesão à meta exige calma em relação ao ritmo e à extensão do ciclo, que dependerão do desenvolvimento de fatores que permitam maior confiança na obtenção da meta para a inflação no período relevante para a condução da política monetária”, destaca a ata.
O Copom menciona ainda que o ritmo e a extensão dos cortes “estarão sujeitos ao desenvolvimento de fatores que possibilitem maior confiança na boa entrega da meta para a inflação no futuro importante para a orientação da política monetária”.
Depois de confirmar a manutenção da Selic em 15% ao ano na semana passada, a instituição financeira indicou o início de uma flexibilização monetária para março. No entanto, o órgão deixou claro que a rigidez não será abandonada imediatamente, reafirmando o compromisso com uma política restritiva suficiente para levar a inflação à meta de 3%.
Persistência inflacionária
No relatório, o órgão ressalta que a inflação diminuiu, porém permanece acima do objetivo. No último Boletim Focus, divulgado ontem (2), a previsão apontada para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo no final do ano foi de 3,99%. O centro da meta visado é de 3% acumulado em doze meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo.
Depois de ultrapassar a meta no meio do ano passado, a inflação desacelerou e encerrou 2025 em 4,36%, dentro da margem de tolerância. Segundo o BC, “perseverança, firmeza e calma na condução da política monetária contribuirão para a continuidade desse movimento”.
Entre os aspectos considerados no cenário estão a “situação e a estratégia econômica nos Estados Unidos, com efeitos nas condições financeiras globais”; a resistência do mercado de trabalho e a política fiscal.
Qual decisão o BC tomará a seguir?
Enquanto o Copom indica indecisão, o mercado financeiro também está dividido sobre a extensão do corte de juros esperado para março. As previsões estão predominantemente entre 0,25 p.p. e 0,5 p.p.
A Ativa Investimentos, por exemplo, afirma que “o BC adotará uma abordagem prudente, reduzindo a Selic, a princípio, em 0,25 p.p. na próxima reunião, a fim de obter mais informações sobre o sucesso do aperto monetário”.
Já a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, aposta em 0,5 p.p. “Uma aceleração no ritmo de cortes pode ocorrer se a atividade econômica mostrar desaceleração mais significativa e/ou o câmbio continuar se valorizando”, menciona.
*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, portal parceiro de Bora Investir
Fonte: Bora investir

