A receita fixa mantém-se como a porta de entrada de grande parte dos investidores brasileiros. De acordo com informações da B3, acima de 105 milhões de indivíduos possuíam produtos de receita fixa em seus portfólios ao término de 2025, um aumento de 15% em um ano. São mais de R$ 3 trilhões investidos em CDBs, LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, debêntures e outros. Apesar da robustez desse mercado tradicional, uma nova classe começou a ganhar espaço: os ETFs de receita fixa, fundos listados em bolsa que replicam índices e podem oferecer eficácia tributária para diferentes perfis e prazos.
O que são ETFs de receita fixa?
Os ETFs (Fundos Negociados em Bolsa) são fundos de índice cujas cotas são transacionadas na B3, como ações. Historicamente, os ETFs ficaram notórios como instrumentos de receita variável – com fundos como os que reproduzem índices como o Ibovespa B3. Nos últimos anos, contudo, tem crescido no Brasil a oferta de ETFs de receita fixa.
São fundos que seguem índices de receita fixa e que possuem em sua carteira os ativos que constam no indicador. A flutuação de preço do ETF, desse modo, acompanha a flutuação de preços dos ativos do índice.
“Um ETF de receita fixa é um fundo trocado na bolsa que replica um índice de receita fixa, facilitando ao investidor investir em diversos títulos públicos e privados de uma vez só”, explana Celso Grisi, educador da FIA Business School. O investidor adquire apenas uma quota, mas já tem acesso à diversificação prevista na carteira teórica do índice. “O produto combina custo baixo, liquidez diária e, em alguns casos, tributação de 15% sem come-cotas”, complementa o educador.
Esse movimento também se alinha com uma tendência observada por administradores especializados. Na carta mensal do NLFA11, a título de exemplo, a Nu Asset realça que a marcação a mercado deixou de ser uma barreira para o investidor – ela é hoje encarada como parte natural do funcionamento da receita fixa moderna, até mesmo de prazos mais estendidos, e pode beneficiar estratégias com maior sensibilidade aos juros. O avanço dos ETFs acompanha essa transformação de mentalidade: produtos com duration mais prolongada se valorizam de forma expressiva em ciclos de queda de juros.
Tributação: onde está a significativa diferença entre ETFs e títulos diretos
A decisão entre ETF e título individual passa por um ponto crucial: a norma do Imposto de Renda.
Títulos individuais (Tesouro, CDB, debêntures ordinárias)
A tributação segue a escala progressiva de acordo com o prazo da aplicação:
- 22,5% até 180 dias
- 20% de 181 a 360 dias
- 17,5% de 361 a 720 dias
- 15% acima de 720 dias
Para aplicações resgatadas antes de 30 dias, também incide IOF, que pode consumir quase todo o rendimento nas primeiras semanas.
ETFs de receita fixa
Neste caso, o funcionamento é diverso:
- O IR é deduzido na fonte automaticamente.
- A alíquota depende do prazo médio dos títulos da carteira, não do tempo em que o investidor manteve o ETF.
- As faixas são:
- 25% para fundos com carteira de duração média até 180 dias
- 20% para fundos com carteira de duração média de 181 a 720 dias
- 15% para fundos com carteira de duração média acima de 720 dias
- Não há cobrança de IOF, mesmo para prazos inferiores a 30 dias.
Isso significa que, se o ETF replica um índice constituído principalmente por títulos de prazo longo, o investidor já se beneficia diretamente da alíquota mínima de 15%, mesmo se vender a quota após poucas semanas.
Este aspecto pode gerar eficácia tributária relevante – especialmente para quem investe por prazos breves.
Possíveis vantagens dos ETFs
1) Diversificação instantânea e custo reduzido
Um único lote expõe o investidor a dezenas de títulos, o que reduziria risco e custo se comparado à tentativa de montar a mesma carteira por conta própria.
2) Tributação possivelmente inferior
Além disso, a possibilidade de acessar alíquotas de 15% sem precisar aguardar 720 dias pode representar mais retorno líquido para o investidor – dependendo da escolha do fundo e do prazo de investimento.
3) Estratégias de duração
Conforme a interpretação de mercado destacada pelo NLFA11, títulos longos tendem a capturar grande parte da valorização em ciclos de queda de juros, mas sofrem marcação a mercado no caminho. O ETF possibilita aproveitar essa dinâmica com praticidade – e sem precisar selecionar papéis individualmente.
4) Sem necessidade de reinvestimento
Além disso, como os ETFs não têm vencimento definido, um investidor que busca uma alocação de longo prazo pode obter uma vantagem operacional: a de não precisar reinvestir o dinheiro. No caso dos títulos de receita fixa, o investidor que deseja manter o capital investido teria de pagar o imposto devido no vencimento e escolher um novo título para investir.
Benefício de investir diretamente em títulos de receita fixa
1) Metas com prazo definido
O investidor que necessita de um valor específico em 2030, por exemplo, pode preferir um Tesouro IPCA+ com vencimento determinado ou um título prefixado, recorda Celso Grisi.
2) Controle e personalização da carteira
Selecionar o emissor, o prazo, a taxa e o fluxo de cupons permite criar uma estratégia sob medida — algo impossível em um ETF, que segue estritamente o índice.
O que você deve compreender antes de investir em um ETF de receita fixa
Grisi listou alguns pontos importantes para entender sobre os ETFs:
Replicação do Índice: O ETF segue um índice de receita fixa (ex: índices de títulos do Tesouro IPCA, prefixados, ou de títulos privados, como debêntures) e detém os mesmos ativos que compõem esse índice.
Negociação em Bolsa: As cotas são adquiridas e vendidas na B3 como se fossem ações, proporcionando velocidade e liquidez.
Diversificação: Com uma única compra, você investe em uma carteira diversificada de títulos, sem precisar adquiri-los individualmente. “Trata-se de uma verdadeira ‘cesta’ de ativos, onde o investidor adquire uma cota para ter uma exposição a todos os títulos daquele índice, de forma mais prática e acessível que adquirir cada título separadamente”, explica o educador.
Custo Reduzido: Geralmente, taxas de administração menores que fundos tradicionais de receita fixa.
Pontos de Atenção: Os ETFs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. O preço de suas cotas pode apresentar oscilação, a depender dos movimentos do mercado.
Fonte: Bora investir

