Os valores das matrículas escolares foram aumentados novamente acima do índice de preços ao consumidor, conforme indicam os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de fevereiro, versão preliminar da taxa oficial de inflação do país, divulgados nesta sexta-feira, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A média de aumento nas mensalidades de cursos convencionais no país atingiu 6,18%. As maiores variações foram observadas nos custos do ensino secundário (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-primário (7,49%).
A prévia da inflação em 12 meses até fevereiro foi de 4,10%. Isto é, as mensalidades aumentaram quase o dobro do IPCA-15.
O aumento nas mensalidades de escolas e cursos que acontecem no começo do ano letivo foi apontado pelo IBGE como o fator principal de pressão para o IPCA-15 de fevereiro, que subiu para 0,84% em fevereiro, em comparação com 0,20% em janeiro. O resultado superou as expectativas. Uma pesquisa da Reuters com economistas havia previsto um aumento de 0,57% para o período.
Principais impactos no IPCA-15 de fevereiro
- Ensino fundamental: 8,07%
- Passagem aérea: 11,64%
- Ônibus urbano: 7,52%
- Ensino superior: 4,23%
- Gasolina: 1,30%
- Seguro opcional de veículo: 5,62%
- Taxa de fornecimento de água e esgoto: 1,97%
- Ensino médio: 8,19%
- Pré-primário: 7,49%
- Automóvel novo: 0,98%
- Tomate: 10,09%
- Energia alternativa: 2,51%
- Reparo de veículo: 1,27%
- Alimento: 0,62%
- Plano de assistência médica: 0,49%
Objetivo de inflação e previsões
O objetivo central da meta oficial para o IPCA é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O relatório Focus, que reflete a visão do mercado sobre indicadores econômicos, indicou que a expectativa atual para o aumento do IPCA este ano é de 3,91%, em comparação com 3,95% na semana anterior. Para 2027, a estimativa permanece em 3,80%.
Com a taxa básica de juros em 15%, o Banco Central se reunirá no próximo mês para decidir sobre a Selic, havendo amplas expectativas de que inicie um período de redução.
“Ainda que a média em 12 meses tenha diminuído para 4,10%, abaixo dos 4,50% anteriores, os dados atuais são um sinal de alerta importante. A inflação de serviços e os núcleos de inflação continuam pressionados, o que limita as possibilidades de um início mais agressivo no ciclo de redução”, avaliou Pablo Spyer, consultor da Ancord.
*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro do portal Bora Investir
Fonte: Bora investir

