Atualmente, não estamos discutindo apenas sobre equidade, estamos dialogando a respeito de desenvolvimento econômico. A disparidade é a falta de eficácia disfarçada. Trazer pessoas diversas e abrir espaço para o novo gera lucro e oportunidades comerciais”. Com essa postura, a vice-presidente da B3, Ana Buchaim, deu início ao debate sobre “Instrução e autonomia financeira como potencializadores da igualdade de gênero”, que fez parte da agenda do décimo Toque de Campainha pela Igualdade de Gênero, realizado nesta segunda-feira (2), na sede da bolsa em São Paulo.
O evento representa uma iniciativa global em colaboração com a WFE (World Federation of Exchanges) e a IFC (International Finance Corporation) que reúne as principais bolsas do mundo. Além de Ana Buchaim, a conversa contou com a participação da advogada e comunicadora Gabriela Prioli, do CEO da C&A, Paulo Corrêa, e da CEO da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes. O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, e a oficial sênior da IFC, Luciana Galan, também estiveram presentes no evento.
A vice-presidente da B3 abordou a importância de o setor privado reconhecer que está sujeito a preconceitos inconscientes e trabalhar para combater a desigualdade de gênero no mercado de trabalho, que é a origem da diferença salarial entre homens e mulheres. “Ambientes neutros não são reais. Temos a grande responsabilidade de compreender as barreiras invisíveis e superá-las. Equidade não é apenas um gesto gentil: é justiça, eficiência e responsabilidade fiduciária”, declarou.
Uma das maneiras de promover a igualdade de gênero no ambiente corporativo é estabelecer objetivos públicos, mencionaram os executivos da B3 e da C&A, ambas empresas listadas na bolsa. “Assumimos compromissos públicos e realizamos reuniões mensais para acompanhar nossos indicadores. A ideia é estabelecer uma dinâmica para alcançar as metas e garantir um processo cada vez mais equitativo”, destacou Corrêa. O CEO da varejista relatou que atualmente, 70% dos clientes da C&A são mulheres, o que se reflete na composição da liderança, que consiste em dois terços de mulheres.
Segundo Gabriela Prioli, é fundamental debater exaustivamente sobre a igualdade entre os sexos até que a desigualdade seja superada. Um dos caminhos para isso passa pela desconstrução da ideia de que certas funções sociais são exclusivamente masculinas ou femininas.
“Estudos mostram que, aos seis anos de idade, as meninas já começam a internalizar a ideia da superioridade intelectual masculina. Isso tem consequências. Homens são capazes de gerir finanças e mulheres são capazes de cuidar de crianças: seres humanos têm capacidades financeiras e de cuidado, independentemente do sexo. O que ocorre é que nossas habilidades são limitadas ou supervalorizadas conforme nossa educação”, explicou. A advogada ressaltou que as mulheres podem ocupar todos os espaços, desde que sejam encorajadas a fazê-lo.
Fundadora da Rede Mulher Empreendedora, que contribui para a integração econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade social, Ana Fontes compartilhou que é frequente encontrar empreendedoras que delegam a gestão financeira de seus negócios a parceiros ou outras figuras masculinas. “80% das empreendedoras afirmam que repassam a administração financeira do negócio para homens. Isso não está relacionado à competência, é uma construção social”. Para superar esse obstáculo, a CEO ressaltou o papel da organização em promover o ensino de habilidades sociais e emocionais para as mulheres.
“Por meio de nossa experiência, aprendemos que, para apoiar as mulheres, precisamos ensinar educação financeira, claro, mas também é essencial ensinar sobre liderança, oratória e competências de negociação. O impacto social disso é a observação dessas mulheres criando um ciclo de prosperidade, gerando oportunidades para si mesmas e para outras”, concluiu Fontes.

Igualdade de gênero nas empresas listadas
A presença feminina no corpo de colaboradores da B3 aumentou de 33%, em 2019, para 42%, em 2026. As mulheres já ocupam mais de 35% das posições de liderança na empresa, ultrapassando a meta pública estabelecida para o final de 2026. A alta administração da bolsa brasileira inclui três mulheres na diretoria estatutária e cinco no conselho de administração.
Em outubro de 2025, a B3 examinou a diversidade na alta liderança de 341 empresas listadas. Atualmente, 46% das empresas têm mulheres em suas diretorias estatutárias e 65% têm presença feminina nos conselhos de administração.
Fonte: Bora investir

