A fabricação industrial nacional aumentou 1,8% em janeiro comparado ao mês anterior, revertendo uma parte das quedas observadas nos últimos meses de 2025, informado hoje, 6, pelo IBGE. Este foi o crescimento mais elevado desde junho de 2024 (4,4%).
Comparado ao mesmo mês do ano passado, a produção da manufatura aumentou 0,2%.
A economia do Brasil cresce 2,3% em 2025, conforme divulgado pelo IBGE
O resultado superou as expectativas. As projeções em uma pesquisa da Reuters com especialistas eram de um aumento de 0,7% na variação mensal e uma queda de 0,7% na base anual.
O crescimento forte é em parte explicado pela queda mais acentuada em dezembro de 2025 (-1,9%), a mais alta desde março de 2021 (-2,1%). Em novembro, a queda foi de 0,2% e em outubro houve apenas um crescimento de 0,1%. Leia mais detalhes aqui.
No total dos últimos 12 meses até janeiro, a indústria acumula um aumento de 0,5%.
“Com esses desempenhos, a fabricação industrial está 1,8% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 15,3% abaixo do pico alcançado em maio de 2011”, destacou o IBGE.
Conforme André Macedo, chefe da PIM, o crescimento visto em janeiro é significativo, “mas ainda não é suficiente para compensar totalmente a queda acumulada no final do ano passado, de setembro a dezembro, mantendo um saldo negativo de 0,8%”.
Aspectos Principais do Mês
Em janeiro, os pontos fortes vieram dos setores de química (6,2%), automóveis (6,3%) e coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (2%). Na área de químicos, os produtos que mais influenciaram o resultado deste mês foram os fertilizantes, herbicidas e fungicidas, todos relacionados à agricultura. No setor automotivo, as ênfases foram em caminhões e peças automotivas.
Outras contribuições positivas relevantes para a indústria foram de indústrias extrativas (1,2%), metalurgia (4,1%), aparelhos e materiais elétricos (6,5%), bebidas (4,1%), produtos metálicos (2,3%) e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (3,3%).
Perspectivas
Com base nos dados do Produto Interno Bruto divulgados esta semana, a indústria cresceu 1,4% em 2025, desacelerando depois de ter avançado 3,1% em 2024, em um ano marcado principalmente pela política monetária restritiva.
Com a taxa de juros Selic em 15%, a previsão para 2026 é de cortes, começando na reunião de 17 e 18 de março, o que pode beneficiar o setor industrial em meio a uma menor inflação e um mercado de trabalho robusto. Contudo, as perspectivas agora são afetadas pelos conflitos no Oriente Médio.
Segundo André Valério, economista sênior do Inter, apesar do aumento inesperado em janeiro, o cenário ainda aponta para uma desaceleração.
“O setor industrial tem sido o mais impactado por condições macroeconômicas desfavoráveis, como a alta taxa de juros e a sobretaxa dos Estados Unidos. Com a declaração de ilegalidade das taxas americanas, podemos observar uma recuperação na indústria, especialmente na indústria de transformação, uma vez que nossa tarifa diminuiu significativamente, passando de 50% para 15%. No entanto, a recuperação pode ser apenas parcial, já que a relação entre cliente e fornecedor não é tão simples de restabelecer após vários meses de encargos excessivos”, afirma o economista.
*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro da B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

