O Federal Reserve (Fed, a instituição financeira central dos Estados Unidos) optou por manter a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, sem alterações desde a última reunião em dezembro. Essa decisão está de acordo com as expectativas do mercado.
De acordo com o comunicado divulgado, o comitê avalia que a economia tem crescido de forma consistente. “A criação de empregos permanece modesta e a taxa de desemprego tem se mantido estável nos últimos meses. A inflação segue um pouco elevada”, diz o documento.
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No discurso e na conferência de imprensa após o anúncio, o presidente do Fed, Jerome Powell, destacou as incertezas causadas pelos conflitos no Oriente Médio. “Powell expressou suas preocupações com a situação geopolítica e alertou que é necessário agir com cautela, indicando a possibilidade de um novo corte no futuro”, disse Pedro Galdi, analista CNPI do AGF.
Poucos minutos antes do anúncio, o CME Fed Watch Tools indicava uma probabilidade de 96,9% de manutenção das taxas. As declarações de Powell tiveram pouco impacto nessa probabilidade.
Para o final do ano, havia uma probabilidade de 39,4% de manter as taxas no mesmo patamar, 40,4% de chance de um corte de 0,25 ponto ao longo de 2026 e 16,2% de chance de uma queda um pouco mais expressiva, para a faixa entre 3,00% e 3,25%. Atualmente, a probabilidade de manutenção aumentou para 52,9% até o final do ano. Além disso, surgiu uma pequena expectativa (2,2%) de aumento das taxas e 35% do mercado prevê um corte de 0,25 ponto até o final de 2026.
“As consequências dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas. O Comitê permanece atento aos riscos em relação aos seus mandatos”, declarou o Federal Reserve.
Novas projeções do Fed se destacam
De acordo com Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o Summary of Economic Projections (SEP) e o dot plot apresentaram informações relevantes para o mercado. “As projeções medianas dos membros do FOMC indicaram uma mudança significativa de postura”, afirmou. “Os membros estão considerando a possibilidade de iniciar cortes antes do que foi indicado em dezembro. A projeção para o final de 2026 foi ajustada de 3,4% para 3,1%, o que sugere dois cortes de 0,25 p.p. até dezembro, em comparação com apenas um na projeção anterior”, completou.
Ele também destacou que a expectativa final para as taxas de juros é mais alta do que o mercado esperava. “Não estamos caminhando de volta para a era de juros zero”, previu Trevisan.
Fonte: Bora investir

