Nos últimos anos, o segmento brasileiro de ETFs (fundos negociados em bolsa) experimentou um aumento progressivo. Em 2025, ultrapassou os 900 mil investidores e estabeleceu novos recordes de transações. Contudo, sua representatividade no total dos ativos da indústria de fundos no país ainda é inferior a 1%. Em vez de desanimar os entusiastas desse mercado, tais dados indicam uma vasta oportunidade de expansão. Os agentes relevantes já estão se mobilizando para facilitar o avanço desse setor. Esse foi o diagnóstico reiterado durante o lançamento da DEX, realizado nesta quarta-feira (4), na Arena B3.
O seminário reuniu gestores nacionais e figuras proeminentes do mercado de ETFs dos Estados Unidos para debater maneiras de acelerar o progresso no Brasil. Há um consenso entre os participantes de que o país pode se inspirar na evolução dos EUA e evitar obstáculos regulatórios e distribuição, colocando o investidor como foco central, com os ETFs sendo ferramentas de diversificação, uma forma de alocação financeira entre diversos investimentos, não se restringindo aos produtos convencionais oferecidos.
Bianca Maria, responsável pelos Produtos de Renda Variável da B3, enfatizou que o crescimento recente demonstra interesse, porém a indústria ainda tem um vasto espaço para se desenvolver. “Estamos apenas no começo”, destacou.
Um “invólucro”, não um item
Steve Sachs, ex-executivo da Goldman Sachs, salientou que, para que o mercado evolua, é crucial compreender que o ETF é um “contentor” – uma forma eficaz de implementar uma estratégia de investimento ou exposição. Trata-se de um veículo que possibilita o acesso a variadas classes de ativos, passando por títulos de renda fixa até criptomoedas.
Ele recordou que nos EUA o progresso foi mais lento devido a complicações regulatórias. “O Brasil não necessita repetir os mesmos equívocos”, indicou, apontando que a infraestrutura local permite escalabilidade e educação do investidor desde já.
Tom Lydon, CEO da Global Trends Investments, ressaltou que o lançamento de ETFs nos EUA é mais complexo do que no Brasil, o que demonstra a maturidade operacional do mercado local.
Mike Akins, fundador da ETF Action, acrescentou que a ampliação ganha força quando o ETF é encarado como um instrumento de alocação. “O real crescimento advém do detentor do capital. Os ETFs capacitam o investidor a alcançar metas”, declarou, mencionando a transição para o modelo baseado em taxas, que alinha incentivos e favorece portfólios construídos com ETFs.
Os gestores locais compartilharam da mesma visão. Clayton Rodrigues, da Bradesco Asset, enfatizou que a questão central não é buscar “o melhor ETF”, mas sim a melhor forma de combinar ETFs para construir um portfólio eficaz para cada investidor. Para ele, o desafio atual não está na oferta de produtos, mas sim no conhecimento do mercado e na convergência de incentivos. Isso se aplica tanto a investidores individuais quanto institucionais, que podem utilizar ETFs como blocos de construção para estruturar suas carteiras ativas.
Bruno Stein, da Galapagos Capital, resumiu a mudança de mentalidade: a abordagem deve iniciar pela estratégia, não pelo produto. “O ETF precisa ser pensado do ponto de vista do investidor: o que as pessoas estão procurando? A infraestrutura já está preparada. B3 e CVM, juntamente com bancos e gestoras, estão conectados. Agora, é crucial direcionar a conversa para onde o dinheiro está.”
Instrução e linguagem clara
Renato Nobile, criador da DEX, realçou que, por muito tempo, a indústria se comunicou de forma complexa com o público. “Costumávamos utilizar um vocabulário técnico e presumíamos que todos compreendiam. Precisamos adotar uma linguagem comum, que seja compreensível para todos”, explicou. Conforme os debatedores, a prioridade é conscientizar: elucidar acerca da utilidade do ETF na carteira – diversificação, liquidez, eficácia em termos de custos e tributos – em vez de enfatizar apenas o “manual do produto”.
Narrativa: como potencializar a eficácia
A discussão também abordou a perspectiva da VettaFi/TMX, com Brian Coco, Diretor de Produtos, e Peter Dietrich, Chefe Global de Vendas de Índices, que atuam diretamente no mercado norte-americano. Coco defendeu que um bom ETF precisa vir acompanhado de uma tese clara. “Você quer promover uma tese de investimento, não um gestor,” afirmou, defendendo as estratégias indexadas.
Dietrich alertou para o desafio de conquistar tração: uma parcela considerável dos ETFs não atinge um volume relevante de recursos em dois anos. Para aumentar a eficácia, o segredo engloba não apenas a formulação de bons índices, mas também uma distribuição bem estruturada e uma narrativa coerente com a demanda do investidor.
Fonte: Bora investir

