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    Início - Notícias - Entenda as liquidações do Banco Master e da Reag
    Notícias

    Entenda as liquidações do Banco Master e da Reag

    MorelliBy Morelli18 de janeiro de 2026Updated:20 de janeiro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15) revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

    Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Master cresceu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, segundo investigadores, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava.

    As investigações da PF e os relatórios do BC apontam que o colapso do Master não foi apenas financeiro, mas também institucional. A conexão com a gestora Reag Investimentos, a tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) e a pressão sobre órgãos de controle transformaram o caso em um xadrez complexo, com impacto direto sobre investidores e sobre a credibilidade das instituições.

    1. Como funcionava o esquema financeiro

    •      Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações.
    •      Banco emprestava recursos a empresas supostamente laranja que aplicavam o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos.
    •      Esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados.
    •      Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões.
    •      Dinheiro circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais.

    2. Esquema de pirâmide

    •      Para adiar a inadimplência, o banco concedia empréstimos com carência de até cinco anos.
    •      Novos CDBs eram usados para pagar investidores antigos, caracterizando um esquema Ponzi (pirâmide financeira).
    •      Master chegou a oferecer CDBs de até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), nível considerado insustentável.
    •      Com as primeiras suspeitas sobre a credibilidade do banco em 2024, a captação secou e o caixa entrou em colapso.

    3. Venda de carteira ao BRB

    •      Em busca de liquidez, o Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno.
    •      Operação existia apenas contabilmente, sem pagamento ou crédito real.
    •      BC analisou CPFs da carteira e concluiu que as operações não existiam.
    •      Mesma carteira foi revendida ao BRB por R$ 12 bilhões após manipulação da taxa de juros.
    •      Em setembro, Banco Central barrou a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB.
    •      Proposta de venda do Master ao BRB, segundo a investigação, buscava fundir balanços e diluir a fraude em um banco público.

    4. Intervenção e liquidação

    •      Banco Central limitou a captação do Master a 100% do CDI, paralisando o crescimento.
    •      Desde abril de 2025, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) passou a cobrir CDBs vencidos por meio de linha emergencial.
    •      Controlador tentou aportar recursos com a venda de ativos pessoais, sem sucesso.
    •      Banco foi liquidado quando não conseguia pagar nem 15% dos vencimentos semanais.

    5. Papel da Reag Investimentos

    •      Fundos administrados pela Reag aparecem como peça central na sustentação do esquema.
    •      Reag é suspeita de facilitar constituição de empresas laranja para emprestar a fundos
    •      Fundos são investigados por supostamente terem valorizado ativos fictícios e pulverizado recursos.
    •      Posterior liquidação da gestora pelo BC é vista como desdobramento direto do caso Master.
    •      Após segunda fase da Operação Compliance Zero, BC decreta liquidação da Reag Investimentos

    6. Tensão entre órgãos públicos

    •      Embora concentre apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro, a liquidação do Master desencadeou tensões entre órgãos públicos.
    •      Liquidação gerou questionamentos simultâneos no STF, TCU e no Congresso sobre decisões técnicas do BC.
    •      BC chegou a acordo com TCU para inspeção de documentos, desde que não comprometam sigilo bancário e prerrogativas da autoridade monetária.
    •      Ministro Dias Toffoli, do STF, que assumiu ações judiciais relacionadas ao Master, tentou fazer acareação que incluiria diretor de Fiscalização do BC, mas desistiu e mandou PF colher apenas depoimentos adicionais de Vorcaro e do ex-presidente do BRB.
    •      Após determinar que todo o material apreendido pela PF na Operação Compliance Zero ficasse custodiado no STF, Toffoli autorizou a análise pela Polícia Federal, com apoio da Procuradoria-Geral da República.

    7. Impacto para os clientes

    •      Com a liquidação do Master, cabe ao FGC, fundo formado por recursos dos bancos, ressarcir cerca de 1,6 milhão de clientes.
    •      FGC estima desembolsar cerca de R$ 41 bilhões, cerca de um terço do patrimônio do fundo.
    •      Valor é o maior resgate da história do fundo, limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
    •      Pagamento depende da consolidação da lista de credores pelo liquidante, o que ainda não foi feito dois meses após a liquidação.
    •      Fundos da Reag não têm proteção do FGC, mas cotistas podem escolher outra gestora para administrar recursos.
    •      18 fundos de pensões estaduais e municipais que investiram R$ 1,86 bilhão em fundos do Master e em Letras Financeiras não serão ressarcidos porque esses investimentos não são cobertos pelo FGC

    8. Por que caso é histórico?

    •      Episódio expôs falhas de fiscalização, uso indevido de fundos e pressão nas instituições.
    •      Escândalo levanta dúvidas sobre auditorias, agências de rating, que atestavam a saúde financeira do Master, e os limites da supervisão financeira.
    •      Caso deve tornar-se referência para mudanças regulatórias e para o debate sobre governança no mercado financeiro.

     

    Brasília (DF), 18/01/2026 - Arte Banco Master. Arte Agência Brasil

     

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    Morelli é mentor de posicionamento digital, estrategista de autoridade e trader profissional. Atua formando criadores de conteúdo e operadores de mercado com clareza, direção e resultados reais. Seu trabalho combina mentalidade, técnica e presença digital para transformar talentos em referências.

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