O universo de ativos digitais passou por um 2025 agitado. No início de 2026, as principais criptomoedas estão em queda livre, acentuando ainda mais a desvalorização. O índice do TradingView, que avalia o valor de mercado de 125 moedas digitais, revela que esse setor já registrou uma queda superior a 20% neste ano.
Nesta terça-feira (10), o Bitcoin, Ethereum e Solana sofrem quedas em torno de 21%, 32% e 32%, respectivamente e no decorrer de 2026.
O cenário de instabilidade que dominou o ano passado, com a política tarifária dos Estados Unidos, foi intensificado com a entrada da Venezuela, os debates sobre a Groenlândia, o subsequente atrito com países europeus e as tensões com o Irã.
Segundo Rony Szuster, líder de Pesquisa do Mercado Bitcoin, essa situação aumenta o risco e prejudica ativos vistos como alternativos. “A crescente tensão entre Estados Unidos e Irã, somada a indicadores de crescimento econômico mais frágeis em algumas regiões, volatilidade nas taxas de câmbio e instabilidade política, reforça a prudência entre investidores institucionais e de varejo. Nessas circunstâncias, o mercado tende a se movimentar com maior vigor, e ativos alternativos, como criptomoedas, podem apresentar flutuações mais intensas”, comenta.
Elaine Borges, docente pesquisadora de Finanças da USP, ressalta que este não é um incidente único, mas sim a continuidade da fragilidade observada no último ano. “Existe um cenário macroeconômico bem delineado, com taxas de juros elevadas por mais tempo, menor apetite global por risco e capital migrando para ativos percebidos como mais seguros, o que impacta diretamente ativos mais voláteis. Além disso, há fragilidades internas no próprio sistema cripto, como alavancagem excessiva, realização de lucros após ciclos muito fortes de alta e um ambiente regulatório que ainda causa apreensão”.
O panorama evidencia oportunidades de investimento?
Com a desvalorização das criptomoedas, o investidor pode questionar se este é o momento propício para investir e lucrar com uma recuperação do mercado. Szuster ressalta que na quinta-feira, 5 de fevereiro, o Bitcoin apresentou sua maior desvalorização diária desde 2022, porém decisões tomadas impulsivamente em momentos de baixa podem acarretar custos elevados no futuro. “Ao longo de 2021, o Bitcoin chegou a despencar quase 60%. Pouco tempo depois, a moeda dobrou seu valor em menos de 6 meses. São justamente nos momentos de maior turbulência que se constroem os ganhos a longo prazo, desde que o investidor mantenha sua estratégia e não se deixe levar pelas emoções”, observa.
Ele destaca que, para aproveitar essas oscilações, uma das estratégias mais eficazes é realizar pequenos investimentos de forma sistemática. “Essa abordagem distribui o custo médio ao longo do tempo e diminui a dependência de análises gráficas complexas, possibilitando aproveitar oportunidades mesmo em ambientes voláteis”, conclui o Head de Pesquisa.
Já Borges argumenta que não há uma resposta simples sobre o timing ideal para investir no mercado de criptomoedas. Ela sugere que, em situações como essa, quem busca retornos rápidos pode enfrentar desafios devido à alta volatilidade e à falta de visibilidade a curto prazo.
Por outro lado, a docente enfatiza que o contexto pode ser favorável para investidores com visão de longo prazo. “Correções profundas costumam ser períodos nos quais os preços se distanciam dos extremos e começam a refletir mais os fundamentos, o que é relevante para quem tem um horizonte temporal mais amplo e ingressa de forma gradual, sem pressa. Caso haja recuperação, ela dificilmente será rápida ou linear. Exigirá paciência, disciplina e, principalmente, a compreensão de que criptomoedas não são uma solução rápida, mas sim um ativo de alto risco que oscila junto com os grandes movimentos econômicos”, acrescenta.
Qual a maneira de investir em criptomoedas via bolsa de valores?
Atualmente, existem duas formas de investir em criptomoedas na bolsa de valores, a B3. Uma delas é por meio dos ETFs (Exchange-Traded Funds), que são fundos vinculados a um índice. Nesse caso, o fundo replica a variação de uma criptomoeda específica ou de um índice composto por uma carteira de criptomoedas.
Outra opção é por meio de contratos futuros. A B3 lançou em 2024 o contrato futuro de bitcoin, que possibilita ao investidor negociar com base na expectativa de valor que a criptomoeda terá em uma data posterior, sem a necessidade de comprar ou vender bitcoins. Em seguida, em 2025, foram lançados os contratos futuros de Ethereum e Solana.
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Fonte: Bora investir

