O chefe do Banco Central, Giovanni Galípolo, anunciou na data de hoje (11), em São Paulo, que a política fiscal está passando por um período de ajuste em um contexto que ainda requer muita prudência. “Reafirmo que o foco principal está nessa calibragem, nessa adaptação da política monetária a partir de março, justamente para termos mais confiança ao iniciar esse ciclo”, declarou ele, durante o CEO Conference Brasil 2026, encontro organizado pelo BTG Pactual.
“Nesse ambiente de menor confiança, dada a grande incerteza nas projeções, a postura do Copom (Comitê de Política Monetária) foi mais conservadora ao esperar 45 dias para darmos início a esse ciclo com mais segurança”, adicionou.
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Em janeiro, o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou a intenção de começar a reduzir em março, caso a inflação se mantenha controlada e não haja surpresas no cenário econômico.
No evento, Galípolo evitou abordar previsões e defendeu a necessidade de serenidade por parte do Banco Central para tomar decisões ao longo do ano.
“O que serenidade representa? Significa que o Banco Central se assemelha mais a um transatlântico do que a um jet ski. Ele não pode realizar mudanças drásticas e rápidas, seu movimento é mais gradual e seguro”, argumentou.
Enquanto o Banco Central trabalha atualmente com calibragem, Galípolo enfatizou que, para os próximos períodos, a palavra que guiará a instituição será “estabilidade”.
“A palavra central nos próximos períodos do Banco Central será estabilidade. Temos como mandato a estabilidade monetária e financeira. O foco principal de nosso mandato será a estabilidade. Por isso, comentei que o novo símbolo dessa diretriz será um quadrado vazado, pois o quadrado é o símbolo junguiano da estabilidade e será vazado para simbolizar nossa transparência nessa abordagem”, expressou.
Caso Principal
Durante a entrevista, o presidente do Banco Central elogiou a atuação da Polícia Federal nas investigações sobre a administração fraudulenta do Banco Principal. Ele também elogiou o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o Ministério Público, o mercado financeiro e a mídia pela condução do caso.
“Desde o começo, quando percebemos que era um tema que ia além da supervisão bancária e que exigia acionar a Polícia Federal e o Ministério Público, houve coragem e competência técnica por parte de Andrei [Rodrigues]. A Polícia Federal foi diligente, corajosa e técnica nesse processo”, destacou.
Investidas
“Também enfrentamos, durante o ano, várias investidas [contra o BC], inicialmente identificadas como ciberataques, que exigiram uma resposta rápida e eficaz do BC. E, para isso, foi fundamental contar com a colaboração das principais instituições e do mercado para lidarmos com isso de maneira adequada”, acrescentou.
Por fim, Galípolo defendeu o aprimoramento dos mecanismos de monitoramento do Banco Central para prevenir novas situações de fraudes no sistema financeiro brasileiro.
“O que precisamos é aperfeiçoar e evoluir para que não se repitam os mesmos equívocos. Tornar as ações transparentes é sempre a melhor forma de desinfetar um processo como esse”, concluiu.
*Reportagem Agência Brasil
Fonte: Bora investir

