O começo de 2026 tem sido caracterizado por uma instabilidade no mercado derivada por tensões geopolíticas. Dentro desse cenário de incertezas, um indicador que pode ajudar os investidores em suas avaliações é o S&P/B3 Ibovespa VIX. Em síntese, o indicador serve como um medidor de quanto o mercado prevê de flutuação do Ibovespa B3 para os próximos 30 dias.
O Vix surgiu em 2024 no Brasil para calcular a variabilidade implícita a curto prazo nos valores de opções do Ibovespa. Segundo a S&P, um VIX até 15 pontos é considerado baixo. Entre 15 e 20, o nível de variabilidade prevista é considerado moderado. de 20 a 25, é médio, de 25 a 30 é alto e, acima de 30, é muito alto.
No ano passado, mesmo em um contexto político e econômico tumultuado, o Vix só ultrapassou a marca dos 25 pontos em abril quando o Trump anunciou sua política de tarifas. Em 2026, o índice ainda não atingiu essa marca, mas começou o ano em torno dos 16 pontos, superou os 20 pontos em 23 de janeiro e, em 28 de janeiro, alcançou sua máxima no período, com quase 23 pontos.

Fonte: S&P Dow Jones Indices
Em um ano, o índice teve um acréscimo acima de 40% e, apenas em 2026, esse aumento já ultrapassa os 21%. Marcos Piellusch, docente da FIA Business School, explica o que ocasionou esse impacto na expectativa por variação no mercado. “Em 2026, o VIX voltou a ultrapassar a marca de 20 pontos porque o ‘choque’ não decorreu de um dado econômico isolado, e sim de uma combinação de risco político, incerteza institucional e reprecificação de ativos de risco”, declara.
Segundo Piellusch, o retorno do tema “tarifas e retaliação” no início do ano devido às escolhas políticas dos Estados Unidos aumentou a procura por proteção via opções, o que afeta diretamente o Vix. No entanto, a divergência de 2026 para o ano anterior, conforme ele, é a natureza do risco.
“Não se limita apenas ao impacto econômico potencial das tarifas (crescimento e inflação), mas também à sensação de imprevisibilidade de política econômica e interferência institucional. Esse panorama emerge em reportagens sobre o dólar ‘sob fogo’ e investidores reavaliando o conjunto de medidas e declarações da Casa Branca ao longo de janeiro”, analisa.
Referente à distinção entre os momentos de variação, o professor acrescenta que no ano precedente o salto de variação foi mais “pontual”, resultante da política tarifária de Trump, porém prontamente o mercado absorveu. “Em 2026, a incerteza parece mais ‘multifacetada’ e, por essa razão, mais difícil de precificar e encerrar de modo rápido. As notícias do mês mesclam tarifas, geopolítica e questionamentos sobre direção e independência de política econômica, que impactam simultaneamente ações, juros e dólar”, completa.
O que aguardar do Vix para o restante de 2026
O clima de incerteza tem sido a marca deste início do ano e há razões para o mercado crer que permanecerá assim até dezembro. Além da permanência das tensões políticas e econômicas, aqui no Brasil será um ano de eleições presidenciais. Enquanto nos Estados Unidos ocorrerão as eleições de meio de mandato, em que as cadeiras do Congresso norte-americano estarão em disputa.
“Eleições elevam a dispersão de cenários para fiscal, regulação e política econômica, e isso comumente surge como prêmio de risco mais elevado em câmbio, juros e ações, especialmente próximo de marcos como definição de candidatos, pesquisas e debates”, comenta Piellusch.
Além das eleições, ele acredita que as tarifas comerciais, as questões geopolíticas e a postura do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, devem “manter o patamar de variação mais elevado”, diz o professor, que acrescenta: “os acontecimentos recentes demonstram que o mercado está sensível a headlines e que o VIX retorna a 20 com certa facilidade quando há perturbação na política comercial”.
Descubra como investir com o Vix
A partir de dezembro do ano anterior, a B3, a bolsa de valores do Brasil, dispõe de contratos futuros e Opções relacionados ao índice S&P/B3 Bovespa VIX.
O contrato futuro é um contrato padronizado listado em bolsa para negociar a compra ou venda de um ativo (como dólar, índice, commodities etc.) em uma data futura predefinida, a um preço acordado no momento da negociação desse contrato.
Já as Opções sobre Índices são contratos de derivativos financeiros que conferem ao titular o direito, porém não a obrigação de comprar ou vender o valor de um determinado índice a um preço previamente estabelecido. Como um índice não é um ativo negociável, no dia do vencimento a liquidação é financeira: calcula-se a diferença entre o preço de exercício e o preço de liquidação do índice, sem necessidade de entrega física de ativos.
Fonte: Bora investir

