O Ministério da Economia ajustou para baixo, de 2,4% para 2,3%, sua previsão para o avanço da economia brasileira em 2026. O comunicado divulgado na presente sexta-feira, 6, pela Secretaria de Política Econômica (SPE) também elevou de 2,2% para 2,3% a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, dado que será oficializado pelo IBGE em março.
Quanto à inflação, a secretaria calculou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminará 2026 em 3,6%, contra 3,5% anteriormente.

“Prevê-se incremento de 2,3% para o PIB, refletindo arrefecimento significativo na atividade agropecuária após a safra recorde de 2025, compensado por maior progresso da indústria e dos serviços. A demanda interna tende a acelerar, ainda que parcialmente compensada por menor contribuição das exportações em um ambiente comercial global mais restritivo. Quanto à inflação medida pelo IPCA, aguarda-se redução para 3,6%. Os valores ainda devem se beneficiar com o excedente de oferta global de mercadorias e combustíveis e com os efeitos defasados do enfraquecimento recente do dólar e da política monetária, embora sejam esperadas pressões moderadas para os preços dos alimentos”, frisou o comunicado.
Carga fiscal
O comunicado declara que a trajetória projetada para despesas com benefícios sociais gera pressão e apresenta desafios para o arcabouço fiscal, indicando que o governo está empenhado em elaborar e aprovar medidas de contenção.
A Economia previu que o dispêndio do governo com Benefício de Prestação Continuada (BPC) subirá de R$127 bilhões em 2025 para R$300 bilhões em 2035. A SPE espera que os gastos com o benefício, pago a pessoas com deficiência e idosos de baixa renda, ultrapassem os do Bolsa Família já em 2028.
Para a SPE, esses dois itens vão gerar “carga fiscal significativa” sobre o arcabouço, que impõe limite geral de 2,5% ao ano para o avanço dos gastos acima da inflação.
Segundo a pasta, a média de ampliação dos gastos sociais — que consideram despesas com Saúde, Educação, Bolsa Família, BPC, Previdência e Assistência Social — foi de 6,16% ao ano acima da inflação desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acima de administrações anteriores.
O texto realçou empenho especial com a busca por soluções para a redução do ritmo de expansão das despesas obrigatórias, além de estabelecer instrumentos de racionalização do orçamento público, eliminação de distorções na despesa e de aprimoramento nos instrumentos de arrecadação.
Na coletiva de imprensa, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, ponderou que, na visão do governo, as políticas sociais em vigor estão alcançando seus objetivos, com redução da desigualdade e melhorias em indicadores do mercado de trabalho.
*Texto originalmente disponível em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

