A praticidade do Pix tornou o sistema de transações não apenas um sucesso entre os habitantes do Brasil mas também uma escolha de presente conveniente. Conforme uma pesquisa realizada pelo Grupo Consumoteca, supervisionada pelo antropólogo Michel Alcoforado, enviar um Pix como presente é uma prática adotada por 30% dos mais de 1.200 cidadãos brasileiros entrevistados na pesquisa, especialmente entre indivíduos com laços mais próximos, tais como parceiros e descendentes.
No entanto, de acordo com o antropólogo, mesmo em interações mais íntimas, a utilização do Pix não deve ultrapassar esse um terço das situações em que se oferece um presente. Isso ocorre porque, como observado na pesquisa, o Pix transmite praticidade, mas não demonstra dedicação.
“Ele resolve, porém não representa. Em círculos íntimos, essa abordagem funciona porque o elo já está estabelecido. Em relações mais distantes, no entanto, o Pix pode parecer um gesto quase impessoal, podendo ser interpretado como falta de cuidado”, destaca a pesquisa.
Conforme o levantamento, 58% dos brasileiros valorizam presentes que resultam em memórias especiais e 47% apreciam trocas que proporcionam momentos de qualidade. Nessa perspectiva, o presente físico ressurge como o “atalho emocional” mais significativo, conforme mencionado pela marca, ao passo que presentear com Pix encontra resistência por simbolizar baixo esforço e escasso afeto.
Por que evitar dar presentes via Pix

Ganhou relevância a presença e a conexão, segundo a pesquisa, visto que, após o período de pandemia e a divisão política que os brasileiros vivenciaram nos últimos cinco anos, as pessoas estão reestruturando profundamente seus laços, tornando-os mais seletivos e propositais.
“As relações não estão esfriando; estão se tornando mais seletivas. Atualmente, a conexão é uma escolha que requer dedicação, atenção e esforço contínuo. É nesse ponto que o presente desempenha um papel: ele é a confirmação de que você se deteve, pensou e investiu tempo no outro”, explica Michel Alcoforado.
Presentes irreproduzíveis
O estudo indicou que os presentes intencionais e selecionados “com afeto” se transformam em gestos simbólicos únicos, fundamentais para fortalecer a conexão e a memória nas relações interpessoais.
A pesquisa revela que o empenho e o aporte financeiro nos presentes oferecidos são direcionados de maneira intensa para um círculo central de relações, como parceiros, filhos e genitores, que exigem maior envolvimento emocional e em presentes. Em média, os filhos recebem cerca de 7,6 presentes por ano e os parceiros, 6,4.
“É compreendendo para onde esse cliente está indo e para onde vai esse desejo dele que a Natura investe nas alternativas de conjuntos para presentear”, comenta Tatiana Ponce, vice-presidente de Marketing e responsável por Inovação na Natura.
Como uma vantagem para a marca, no setor de perfumes e cosméticos, o perfume emerge como o “presente ideal” ou o presente universal. Conforme o estudo, ele equilibra “cuidado e reciprocidade” em todos os relacionamentos. No entanto, à medida que a proximidade varia, os produtos também se adaptam: no círculo central entram itens mais pessoais (hidratantes de alta qualidade); na esfera próxima, predominam fragrâncias acessíveis e maquiagem; e na rede ampliada ganham destaque os ‘coringas’ como sabonetes e óleos.
Outras informações da pesquisa
- 40% sentem-se mais distantes e 34% percebem estar em relações superficiais;
- A sociabilidade está equilibrada: enquanto 37% diminuíram os encontros no último ano, 36% aumentaram;
- As pessoas ajustam o tempo, frequência e dinheiro conforme o espaço que cada relação ocupa em sua vida;
- Presentear tornou-se sinônimo de afeto;
- O presente passou de espontâneo a compromisso calendarizado;
- Presentes funcionam como apoio dentro da lógica de preservação da intimidade;
- Relacionamentos prioritários: o círculo íntimo (parceiro/cônjuge, filhos e pais) é o que mais se fortaleceu nos últimos anos e demanda presentes focados em customização e profundidade;
- O amigo retornou: após um período de enfraquecimento, os amigos registraram o maior avanço de proximidade em 2025, com 38% dos participantes relatando uma reaproximação.

*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

