Pouco depois de passarem 24 horas desde o anúncio feito pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) sobre o início do processo de ressarcimento dos credores prejudicados pela falência do Banco Master, praticamente a metade dos credores já solicitou o reembolso. De acordo com informações divulgadas pelo próprio FGC, dentre os 800 mil credores, aproximadamente 369 mil pedidos já foram formalizados, sendo que cerca de 150 mil credores concluíram as etapas necessárias para requerer a garantia e avançaram para a fase de pagamento, a qual está prevista para iniciar na segunda-feira, dia 19.
O início da restituição aos credores acontece dois meses após a decretação da falência extrajudicial das empresas que compõem o grupo: Banco Master S.A., Banco Master de Investimento S.A. e Banco Letsbank S.A. Desde às 9h30 de sábado, os investidores têm a possibilidade de utilizar o aplicativo do FGC para dar início aos procedimentos necessários para liberação dos montantes a eles devidos.
A busca pelo recebimento dos valores investidos em títulos emitidos pelo banco resultou em flutuações no funcionamento do aplicativo do FGC. O próprio fundo admitiu ontem que houve um aumento significativo no acesso simultâneo ao aplicativo, ocasionando instabilidades e afetando a sua disponibilidade aos usuários.
Neste dia 18, o FGC comunicou que normalizou as operações do seu aplicativo, após ter ficado inativo durante grande parte do dia 17, quando foi anunciado o início dos pagamentos dos CDBs do Banco Master. A instituição informou estar processando cerca de 9 mil pedidos por hora, equivalendo a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo.
Qual a maneira de solicitar o pagamento?
O procedimento para solicitar o valor investido envolve a realização do download do aplicativo do FGC, a efetuação do cadastro e o acompanhamento das notificações contendo as orientações da entidade. Algumas corretoras de investimentos, como a XP, já comunicaram aos investidores que a solicitação de garantia sobre os ativos emitidos pelo Banco Master já está disponível, diretamente pelo app do FGC.
Após manifestar interesse na obtenção e assinar eletronicamente o termo de solicitação, o montante correspondente ao investidor será depositado na conta indicada em até dois dias úteis. No caso de empresas, a solicitação de garantia deve ser realizada exclusivamente por meio do site do FGC. Todas as etapas necessárias para solicitação foram disponibilizadas no site da FGC.
No caso de empresas credoras, o representante da companhia deve requerer a garantia do FGC por intermédio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações necessárias, será encaminhado um e-mail com os procedimentos a serem seguidos. O pagamento será efetuado por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa.
Segundo o FGC, o total de pagamentos chegará a R$ 40,6 bilhões, diferente da estimativa inicial de R$ 41 bilhões. Ao todo, aproximadamente 800 mil investidores serão beneficiados, quantidade consideravelmente menor que a previsão anterior de 1,6 milhão. A garantia do fundo tem um limite de até R$ 250 mil por investidor e por instituição financeira. O FGC conta com liquidez de R$ 125 bilhões.
Relembre o caso Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado devido a “graves violações” das normas que regulam o setor financeiro e problemas de solvência, em conjunto com uma operação policial que investiga fraude de cerca de R$12 bilhões.
A intervenção e a liquidação extrajudicial são determinadas pelo BC para encerrar as atividades de uma instituição financeira e promover a sua retirada, de maneira organizada, do sistema financeiro do país. Essa medida é usualmente tomada quando o BC conclui que não é possível recuperar a saúde financeira de uma instituição – em termos técnicos, uma insolvência irreversível – ou quando são cometidas infrações graves às leis.
Também foram liquidadas a corretora e o banco de investimentos pertencentes à instituição. Apenas o Will Bank, uma fintech integrante do grupo, não foi alvo da autoridade monetária, em virtude do interesse de investidores estrangeiros em adquirir a empresa.
*Artigo publicado originalmente pela IstoÉ Dinheiro, parceira do portal Bora Investir
Fonte: Bora investir

