Diante da tensão no Oriente Médio impactando o valor dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza hoje a segunda reunião de 2026. Apesar do aumento do petróleo, os especialistas do mercado acreditam que o comitê optará pela primeira diminuição dos juros em dois anos.
A perspectiva do mercado é de redução da Selic em 0,25 ponto percentual nesta semana. Entenda
Atualmente em 15% ao ano, a Selic atinge o nível mais elevado desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada em sete ocasiões consecutivas, porém não sofreu alterações nas últimas quatro reuniões.
A decisão quanto à Taxa Selic será divulgada no início desta noite. O Copom estará incompleto, uma vez que os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expiraram no final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional nas próximas semanas.
Na ata da reunião de janeiro, o Copom confirmou a intenção de iniciar o corte da Selic em março. Contudo, o surgimento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gerou incertezas quanto à magnitude do corte, com algumas instituições financeiras cogitando adiar a redução dos juros.
Conforme a última edição do boletim Focus, pesquisa semanal que ouve analistas do mercado financeiro, a taxa básica deve ser reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Antes do início do conflito, a expectativa era de um corte de 0,5 ponto percentual.
Inflação
A evolução da inflação permanece uma incógnita. A prévia da inflação oficial, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, impulsionada por despesas com educação. No entanto, caiu para 3,81% em 12 meses, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
De acordo com o boletim Focus mais recente, a projeção de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1% devido ao conflito no Oriente Médio. Isso representa uma inflação ligeiramente inferior ao limite máximo da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo alcançar 4,5%, com a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Taxa Selic
A taxa principal de juros é utilizada nas transações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas econômicas. Ela constitui o principal mecanismo do Banco Central para controlar a inflação.
O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – adquirindo e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor estabelecido na reunião.
Quando o Copom eleva a taxa principal de juros, busca conter a demanda aquecida, o que tem impacto nos preços, já que as taxas mais altas encarecem o crédito e incentivam a poupança.
Consequentemente, taxas de juros superiores também podem dificultar o crescimento econômico. Entretanto, além da Selic, os bancos levam em conta outros fatores ao definir as taxas cobradas dos consumidores, como o risco de inadimplência, o lucro e as despesas administrativas.
Ao reduzir a Selic, a tendência é de que as condições de crédito se tornem mais acessíveis, incentivando a produção e o consumo, relaxando o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia da reunião, são apresentados aspectos técnicos sobre a evolução e as perspectivas das economias do Brasil e do mundo, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, compostos pela diretoria do BC, analisam as alternativas e definem a Selic.
Meta contínua
Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação a ser perseguida pelo BC, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com amplitude de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contínua, a meta é avaliada mensalmente, levando em consideração a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2026, a inflação desde abril de 2025 é confrontada com a meta e a faixa de tolerância.
Em abril de 2026, o processo é repetido, com avaliação a partir de maio de 2025. Dessa forma, a verificação tem um deslocamento ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice consolidado de dezembro de cada ano.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no final de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA encerre 2026 em 3,5%, porém essa estimativa deve ser revisada. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será lançada no final de março.
*Agência Brasil
Fonte: Bora investir

