O Fundo Nacional está se preparando para introduzir um novo título público com o objetivo de ampliar a entrada de indivíduos no mercado de renda fixa. A inovação, agendada para o próximo mês, faz parte de uma revisão abrangente do Tesouro Direto e terá como principal característica a capacidade de aquisição e resgate a qualquer momento, todos os dias da semana. Essa ação está relacionada à implementação de uma plataforma que operará de forma ininterrupta, com pagamento financeiro via Pix.
O novo documento foi chamado de Fundo Reserva e estará vinculado à taxa Selic. O intuito é disponibilizar um mecanismo simples, com funcionamento similar ao Fundo Selic tradicional, porém adaptado a um ambiente de negociação constante.
A proposta engloba a permissão de investimentos a partir de quantias reduzidas, com resgates instantâneos e sem flutuações de preço no momento da venda antecipada.
A criação do Fundo Reserva acontece durante um período de ampliação do Tesouro Direto. No final de 2025, o programa contava com mais de 3,4 milhões de investidores ativos e um patrimônio superior a R$ 213 bilhões em títulos públicos distribuídos entre pessoas físicas.
Ao longo do ano, o volume de transações ultrapassou R$ 89 bilhões, o maior já registrado na série histórica.
Como irá operar o Fundo Reserva
O Fundo Reserva terá um vencimento
Na prática, isso implica que o investidor poderá resgatar o montante aplicado mais a remuneração acumulada pela Selic, independentemente do momento do resgate. Algo similar ao oferecido atualmente pelo CDI com disponibilidade diária nos bancos.
O valor unitário do título
No mês de dezembro de 2025, mais da metade das aplicações feitas no Tesouro Direto teve valor de até R$ 1 mil.
Antes do lançamento ao público em geral, o Fundo Reserva está em fase de testes com um conjunto restrito de clientes de uma instituição financeira estatal.
O período de testes tem como finalidade avaliar o funcionamento da nova estrutura tecnológica e os fluxos de compra e venda em tempo real.
Questionada pela IstoÉ Dinheiro, a B3 informou que a previsão é que o produto seja disponibilizado já na primeira semana de março.
“O título surge como uma opção para atender a uma demanda específica de investidores que buscam aplicações simples, estáveis e sem risco de prejuízo financeiro. A inovação conta com a colaboração do Banco do Brasil. Atualmente, está em fase de testes com um grupo seleto de clientes e, a partir da primeira semana de março, estará disponível para todos os correntistas do banco”, explicou a B3.
Portal 24×7 e pagamento via Pix
O lançamentoTesouro Direto 24×7, uma plataforma que permitirá transações com títulos públicos fora do horário comercial e também nos finais de semana.
Atualmente, as operações de compra e venda são concentradas nos dias úteis, com períodos específicos para negociação e liquidação.
Por meio da nova estrutura, as transações ocorrerão de forma contínua, baseadas em uma arquitetura com uso de APIs e sistemas de comunicação em tempo real.
A liquidação financeira será efetuada por Pix
Inicialmente, o Fundo Reserva será o principal título disponível nesse ambiente contínuo.
Conexão com o Fundo Selic tradicional
Embora o Fundo Reserva seja vinculado à Selic, ele não substituirá o Fundo Selic já existente. O título tradicional permanecerá disponível no Tesouro Direto, com negociações nos horários habituais e sujeito às normas vigentes de avaliação de mercado em situações específicas.
A nova modalidade atua como um complemento, focando em um público que busca liquidez imediata e flexibilidade de horários.
Os dados mais recentes do programa evidenciam que os títulos vinculados à taxa Selic são os mais requisitados pelos investidores. Em dezembro de 2025, representaram mais da metade do volume total de vendas e quase 70% dos resgates antecipados.
Esse comportamento indica que uma porção considerável dos participantes do Tesouro Direto utiliza esses documentos como reserva de liquidez ou alternativa a produtos bancários de curto prazo.
Ampliação da base de investidores do Fundo Nacional
No ano de 2025, mais de 3,2 milhões de novos cadastros foram realizados no Tesouro Direto, elevando o total de inscrições para mais de 34 milhões. Nem todos esses cadastrados possuem investimentos ativos, indicando um espaço para expansão no número de investidores atuantes.
A possibilidade de investir quantias reduzidas, aliada à negociação em qualquer momento, busca reduzir as barreiras de entrada. Com o modelo 24×7, o Fundo Nacional tem o objetivo de alcançar indivíduos que realizam suas transações financeiras principalmente por meio do celular, em horários alternativos.
Ademais, a ausência de variação de preço no resgate pode facilitar a compreensão do funcionamento do título, especialmente para iniciantes no mundo dos investimentos. A previsibilidade do montante a ser recebido tende a diminuir dúvidas comuns sobre perdas temporárias associadas à avaliação de mercado.
Efeitos no mercado de renda fixa
O lançamento do Fundo Reserva ocorre em um momento de alta participação do investidor pessoa física no mercado de títulos públicos. O estoque do Tesouro Direto aumentou quase 36% em comparação com dezembro de 2024, com destaque para os papéis vinculados à inflação e à Selic.
A distribuição do estoque mostra uma concentração significativa em títulos com vencimento superior a cinco anos, mas também uma presença expressiva de aplicações de curto e médio prazo.
A entrada de um título com liquidez imediata e negociação constante pode impactar a alocação de parte desses recursos. Investidores que atualmente recorrem a produtos bancários com liquidez diária, como contas remuneradas ou fundos de curto prazo, podem migrar para o Fundo Reserva, dependendo das condições oferecidas pelas instituições intermediárias.
Do ponto de vista do Fundo Nacional, a iniciativa também representa um progresso na modernização da interação com o investidor pessoa física. A adoção de tecnologias de pagamento instantâneo e sistemas em tempo real aproxima o Tesouro Direto de práticas já consolidadas em outros segmentos do setor financeiro.
*Publicação original disponível em IstoÉ Dinheiro, fonte parceira de Bora Investir
Fonte: Bora investir

