O Cofre Nacional está se preparando para introduzir um novo título público com o intuito de ampliar a entrada de indivíduos físicos no mercado de renda fixa. A surpresa, que tem previsão de lançamento em março, faz parte de uma reestruturação mais ampla do Tesouro Direto e terá como principal aspecto a capacidade de compra e resgate a qualquer momento do dia, todos os dias da semana. A ação está relacionada à criação de uma plataforma que operará de forma ininterrupta, com realização financeira por meio do Pix.
O recente documento recebeu o nome de Cofre Reserva e estará vinculado à taxa Selic. A intenção é proporcionar um instrumento simples, com funcionamento similar ao Cofre Selic tradicional, porém adaptado a um ambiente de negociação contínua.
A proposta inclui viabilizar aplicações a partir de montantes reduzidos, com resgates imediatos e sem flutuações de valor no momento da venda prematura.
A criação do Cofre Reserva acontece em um cenário de expansão do Tesouro Direto. O programa encerrou 2025 com mais de 3,4 milhões de investidores ativos e um estoque superior a R$ 213 bilhões em títulos públicos distribuídos entre indivíduos físicos.
No decorrer do ano, as vendas ultrapassaram R$ 89 bilhões, o maior valor já registrado na série histórica.
De que forma o Cofre Reserva irá operar
O Cofre Reserva será um título com vencimento de três anos, mas com a opção de resgate a qualquer momento, sem a imposição de desconto. Diferentemente de outros papéis do Tesouro Direto, ele não estará sujeito à chamada avaliação diária, mecanismo que ajusta o valor do título diariamente conforme as condições do mercado.
Em resumo, isso indica que o investidor conseguirá resgatar o montante aplicado acrescido da remuneração acumulada pela Selic, independentemente do instante do resgate. Uma situação semelhante ao que é proporcionado hoje pelo CDI com disponibilidade diária nos bancos.
O valor unitário do documento
Em dezembro de 2025, mais da metade das aplicações feitas no Tesouro Direto teve montante de até R$ 1 mil.
Antes do lançamento ao público em geral, o Cofre Reserva está sendo testado por um grupo limitado de clientes de uma instituição financeira pública.
A fase piloto tem como propósito avaliar a operação da nova infraestrutura tecnológica e os fluxos de compra e venda em tempo real.
A B3, ao ser contactada pela IstoÉ Dinheiro, informou que a previsão é de que o produto seja disponibilizado já na primeira semana de março.
“O título surge como uma opção para atender a uma demanda específica de investidores que procuram aplicações simples, estáveis e sem risco de perda financeira. A novidade conta com a colaboração do Banco do Brasil. Neste momento, está em fase de testes com um grupo seleto de clientes e, a partir da primeira semana de março, estará acessível para todos os correntistas do banco”, esclareceu a B3.
Plataforma 24×7 e resolução via Pix
O lançamento do novo título está diretamente relacionado à primeira fase do Cofre Direto 24×7, uma plataforma que possibilitará negociar títulos públicos fora do horário comercial e também nos fins de semana.
No momento, as operações de compra e venda estão concentradas nos dias úteis, com períodos específicos para negociação e resolução.
Com a nova estrutura, as transações serão realizadas de forma ininterrupta, com suporte em uma estrutura baseada em APIs e em sistemas de mensagens em tempo real.
A resolução financeira será feita por Pix, o que diminui o prazo entre a ordem de compra ou venda e a efetiva transferência de recursos. O investidor conseguirá comprar ou resgatar títulos a qualquer momento, inclusive durante a noite, em feriados ou aos domingos.
Na fase inicial, o Cofre Reserva será o principal título disponível nesse ambiente contínuo.
Relação com o Cofre Selic tradicional
Apesar de o Cofre Reserva ser vinculado à Selic, ele não substitui o Cofre Selic já existente. O título tradicional continuará disponível no Tesouro Direto, com negociações nos horários habituais e sujeito às normas atuais de avaliação diária em situações específicas.
A nova modalidade atua como um complemento, destinado a um público que busca liquidez imediata e flexibilidade de horários.
Os dados mais recentes do programa indicam que os títulos vinculados à taxa Selic são os mais procurados pelos investidores. Em dezembro de 2025, eles representaram mais da metade do volume total de vendas e quase 70% dos resgates antecipados.
Esse comportamento indica que uma parcela significativa dos participantes do Cofre Direto utiliza esses documentos como reserva de liquidez ou alternativa a produtos bancários de curto prazo.
Expansão da base de investidores do Cofre Nacional
Em 2025, mais de 3,2 milhões de novos registros foram feitos no Tesouro Direto, elevando o total de inscritos para mais de 34 milhões. Nem todos esses cadastrados mantêm aplicações ativas, sugerindo espaço para crescimento no número de investidores efetivos.
A opção de investir quantias baixas, aliada à negociação a qualquer momento, visa diminuir obstáculos de entrada. Com o modelo 24×7, o Cofre Nacional pretende atingir pessoas que realizam suas operações financeiras principalmente por meio do celular, em horários alternativos.
Além disso, a ausência de oscilação de valor no resgate pode facilitar a compreensão do funcionamento do título, especialmente para quem está iniciando no mundo dos investimentos. A previsibilidade do valor a ser recebido tende a reduzir incertezas comuns sobre perdas temporárias associadas à avaliação diária.
Impactos no mercado de renda fixa
O lançamento do Cofre Reserva ocorre em um momento de expressiva participação do investidor pessoa física no mercado de documentos públicos. O estoque do Tesouro Direto aumentou quase 36% em relação a dezembro de 2024, com destaque para os documentos vinculados à inflação e à Selic.
A distribuição do estoque revela uma concentração relevante em documentos com vencimento superior a cinco anos, mas também uma presença significativa de aplicações de curto e médio prazo.
A inclusão de um documento com liquidez imediata e negociação contínua pode modificar a distribuição de parte desses recursos. Investidores que hoje utilizam produtos bancários de liquidez diária, como contas remuneradas ou fundos de curto prazo, podem migrar para o Cofre Reserva, dependendo das condições oferecidas pelas instituições intermediárias.
Do ponto de vista do Cofre Nacional, essa iniciativa também representa um avanço na modernização da ligação com o investidor pessoa física. A adoção de tecnologias de pagamento instantâneo e de sistemas em tempo real aproxima o Tesouro Direto de práticas já consolidadas em outros segmentos do sistema financeiro.
*Matéria inicialmente veiculada em IstoÉ Dinheiro, portal colaborador de Bora Investir
Fonte: Bora investir

