Desde o início de 2020, aqueles com direito ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) podem escolher o saque-aniversário. Essa modalidade possibilita que o empregado retire uma parcela do saldo de suas contas vinculadas ao fundo anualmente, sempre no mês de seu aniversário.
No entanto, a decisão de retirar essa reserva financeira antecipadamente precisa ser tomada com cuidado para evitar problemas financeiros, pois quem opta por essa alternativa abre mão da possibilidade de sacar o saldo integral em caso de demissão sem justa causa ou para aquisição de um imóvel, por exemplo.
Daniele Cardoso, especialista em investimentos e sócia da Forum Investimentos, destaca que essa escolha pode ser atrativa para quem pretende investir os recursos sacados. “A principal vantagem do saque-aniversário no planejamento financeiro é converter um ativo pouco rentável em um instrumento ativo de crescimento patrimonial”, afirma.
O FGTS tem um rendimento de 3% ao ano mais a taxa referencial (TR), enquanto a inflação nos últimos 12 meses está em 4,26%. Diante desse cenário e com a Selic em 15% ao ano, Cardoso observa que “manter os recursos no FGTS reduz o poder de compra em comparação com a inflação, enquanto sacar anualmente e investir aumenta a eficiência financeira”.
Atualmente, quem opta pelo saque-aniversário só tem direito a receber a multa rescisória de 40% em caso de demissão. Por isso, Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, argumenta que esse modelo não é aconselhável para quem pretende utilizar o FGTS para financiar um imóvel ou para aqueles sem uma reserva de contingência para possíveis demissões.
“Se a pessoa escolhe o saque-aniversário e gasta os recursos sem constituir uma reserva, e a demissão ocorre, ela abre mão do salário e não tem acesso ao fundo de segurança que o FGTS proporcionaria. Ficar desempregado, sem reserva e com o FGTS bloqueado pode levar rapidamente a um endividamento excessivo e à negativação”, comenta Patzlaff.
Nesse mesmo contexto, Cardoso ressalta que “a retirada não é aconselhável para quem consome imediatamente ou enfrenta dificuldades financeiras”. No entanto, para ele, essa opção pode ser adequada para o investidor consciente e que planeja aplicar os recursos em investimentos de renda fixa.
Ajustes no saque-aniversário
A partir de novembro de 2025, os saques serão limitados a valores entre R$ 100 e R$ 500 por parcela, com um máximo de cinco parcelas ao longo do ano, totalizando R$ 2,5 mil. Já a partir de novembro de 2026, esse limite será reduzido para três parcelas de R$ 100 a R$ 500 a cada saque-aniversário.
Período de carência
As modificações implementadas no saque-aniversário no final do ano passado estabeleceram ainda que o trabalhador só poderá contratar empréstimos em instituições financeiras 90 dias após aderir ao saque-aniversário.
Fonte: Bora investir

