O Consórcio de Decisão Monetária (Codem) optou neste dia da semana (29) pela diminuição da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. É a segunda redução consecutiva dos juros brasileiros e a escolha foi unânime entre os membros do Banco Central.
“O Codem resolveu reduzir a taxa principal de juros para 14,50% a.a., e entende que essa resolução é condizente com a estratégia de convergência da inflação para os arredores da meta ao longo do período relevante. Sem prejudicar seu objetivo primordial de garantir a estabilidade de preços, essa resolução também implica atenuação das oscilações do nível de atividade econômica e promoção do pleno emprego”, declarou o informe.
A escolha era amplamente esperada pelo mercado, e destacou a influência do embate no Oriente Médio como ponto de atenção e impacto na economia brasileira e, por consequência, na política monetária. “O meio externo permanece incerto, em razão da indefinição sobre a duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário demanda cuidado por parte de países emergentes em um ambiente marcado por aumento da volatilidade de preços de ativos e mercadorias”.
No âmbito interno, o consórcio reforçou o progresso dos dados de inflação, também resultantes dos impactos da guerra no Irã. “O Consórcio considera os impactos dos embates no Oriente Médio de forma prospectiva, principalmente seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de mercadorias que afetam diretamente e indiretamente a inflação no Brasil. Neste momento, as previsões de inflação apresentam afastamento adicional em relação à meta no período relevante para a política monetária”.
Com isso, o Codem deixou em aberto as próximas decisões sobre a Selic, ressaltando “calma e cuidado” na condução da política monetária, analisando “os próximos passos do processo de ajuste da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a transparência sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, bem como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
De que forma o mercado acolheu a nova Selic
Segundo Pedro Moreira, associado da One Investimentos, além da clara preocupação com os impactos do embate no Oriente Médio, o consórcio também aumentou o alerta em relação à inflação que retomou a aceleração.
“Esse ponto assinala uma mudança significativa em relação ao comunicado anterior, quando o BC afirmava que a inflação continuava a desacelerar, apesar de ainda estar acima do objetivo. Neste momento, a interpretação é de retomada no curto prazo, muito condicionada aos efeitos do conflito e ao encarecimento das mercadorias energéticas”, indicou ele.
Para Bruno Perri, economista-chefe e co-fundador da Forum Investimentos, o comunicado seguiu conforme o esperado e trouxe uma visão mais cautelosa, ainda que tenha, em sua opinião, tenha sinalizado a possibilidade de cortes para a próxima reunião. “Indica disposição para prolongar o ciclo de cortes, mas adotando tom mais gradualista e comprometido com a continuidade do ajuste monetário”.
Este ajuste gradual, segundo Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, tem como meta ganhar tempo e ajustar o ritmo de flexibilização monetária conforme evoluam as informações sobre os conflitos no Oriente Médio e seus possíveis efeitos secundários decorrentes das restrições na oferta de petróleo.
Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, destacou que a mensagem é que o ciclo de queda dos juros continua, mas ficou mais lento e mais dependente do cenário. “Não é uma diminuição automática, cada decisão daqui para frente vai depender do comportamento da inflação, do câmbio e do ambiente internacional.
“Resumindo, o Codem entregou o corte esperado, mas com um discurso mais conservador. As taxas estão caindo, sim, mas o Banco Central deixou claro que não vai correr riscos com a inflação”, concluiu.
Fonte: Bora investir

