Quem cogita aplicar no Treasure Indirect talvez se depare com designações e acrônimos complexos de compreender. Existem o Tesouro Selic, Prefixado, o IPCA+, RendA+, Educa+ e o recém-lançado Tesouro Reserva. Esses itens possuem particularidades específicas para atender distintos perfis e metas de investimentos. Entender os detalhes possibilita a seleção mais adequada para cada propósito financeiro.
Os papéis do Tesouro Direto garantem liquidez diária, o que implica que é viável resgatar o montante aplicado a qualquer momento, até antes do vencimento do título. Eles também são conhecidos por sua segurança. Aqueles que investem no Tesouro Direto estão emprestando dinheiro ao governo em troca dos rendimentos. Devido à vinculação aos órgãos governamentais, esse investimento é considerado um dos mais protegidos no mercado de renda fixa.
Modalidades de títulos do Tesouro Direto
Existem seis tipos de investimento no Tesouro Direto. Quatro deles apresentam características que variam em relação às diretrizes de rentabilidade e os outros dois se diferenciam quanto ao recebimento desse rendimento.
Tesouro Reserva
A partir de 11 de maio, o Tesouro Direto passou a contar com um novo papel, o Tesouro Reserva. Esse ativo tem rendimento vinculado à taxa básica de juros (Selic) e pode ser transacionado a qualquer momento, todos os dias da semana, ou seja, 24×7.
Diferentemente do Tesouro Selic, o Tesouro Reserva não sofre marcação a mercado, eliminando o risco de flutuações no valor do investimento em períodos de maior instabilidade do mercado financeiro. Esse título inicialmente está disponível para a base de 80 milhões de clientes do Banco do Brasil, parceiro financeiro na fase inicial do projeto. Outras instituições estão em fase de testes e devem oferecer o papel em breve.
O Tesouro Reserva foi desenvolvido para aqueles que desejam constituir uma reserva de emergência de maneira simples e segura. O título rende a partir do primeiro dia útil após o investimento. A quantia mínima para iniciar o investimento é de R$ 1, com limite de até R$ 500 mil por investidor ao mês, sem restrições para resgates.
Tesouro Selic (LTF)
A Letra Financeira do Tesouro (LTF), ou simplesmente Tesouro Selic, é um título público com rentabilidade diária atrelada à taxa Selic, a taxa básica de juros. Ao aplicar no Tesouro Selic com prazo de vencimento em 2027, isso significa que o capital renderá a porcentagem da taxa Selic de cada dia até o término do prazo. Devido a essa característica, esse é o produto com menor risco de perda de investimento quando é essencial efetuar o saque antecipado.
Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) indica que vai manter os juros elevados, o Tesouro Selic passa a apresentar um rendimento mais atrativo.
“A vantagem desse título é ser menos volátil em períodos de instabilidade econômica e é recomendado para investidores com metas de curto prazo. A desvantagem é que o rendimento pode ser inferior ao de outros títulos em um contexto de Selic baixa”, afirma o economista Allan Couto.
Tesouro Prefixado (LTN)
A Letra do Tesouro Nacional (LTN), ou apenas Tesouro Prefixado, apresenta rentabilidade prefixada já definida no momento da aquisição do papel. Essa rentabilidade fixa não varia diariamente. Caso o investidor decida sacar os recursos antes do vencimento do título, poderá incorrer em perdas caso aquele papel esteja sendo comercializado por um preço inferior ao da compra. Nestes casos, o ideal é aguardar o vencimento do título para assegurar a rentabilidade prometida no momento da compra.
É um produto ideal para quem prefere previsibilidade – porém até o vencimento, o valor do título pode oscilar dependendo da marcação a mercado.
“Caso tenha uma meta com data e montante definidos, esse investimento é uma forma de ‘garantir’ o retorno esperado, sem variações”, explica Senna.
Mas é importante estar atento ao mercado. “Em momentos de alta da taxa básica de juros, a Selic, o risco está em ‘travar’ uma taxa que futuramente pode, ou não, ser superior à contratada. Normalmente, as metas são de médio prazo”, pondera.
Tesouro IPCA+ (NTN-B)
Esse papel também é conhecido pela sigla NTN-B, que significa Nota do Tesouro Nacional série B, específica para títulos atrelados à inflação. Ele apresenta rentabilidade híbrida: está vinculado ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, mais um percentual já conhecido no momento da compra do título (prefixado). Isso assegura a manutenção do poder de compra do valor investido.
Esse produto é adequado para quem busca proteção contra a inflação a longo prazo, porém o preço pode variar caso o investidor necessite vender o título antes do vencimento.
“Devido aos prazos de vencimento mais longos, os títulos IPCA+ têm mais características de investimentos para uma aposentadoria, ou ainda, metas que requerem mais tempo. Como há a proteção contra a inflação, ele será muito útil para propósitos de longo prazo”, afirma Cintia Senna, sócia executiva da DSOP Educação Financeira.
RendA+ (NTN-B1)
Esse produto foi concebido pelo Tesouro Nacional como uma opção para os indivíduos que desejam investir visando a aposentadoria ou buscam obter uma renda adicional. O rendimento é similar ao IPCA+, pois é composto pela variação da inflação mais um percentual prefixado conhecido no momento da compra. Por isso, ele também é chamado pela sigla NTN-B1, dada para as Notas do Tesouro Nacional série B, específicas para títulos atrelados à inflação.
No final do contrato, o investidor receberá 240 parcelas mensais, que começam na data de conversão e encerram na data de vencimento. Existem opções de títulos com data de conversão a partir de 2030 até 2065, em intervalos de cinco anos.
No Tesouro Renda 2045, por exemplo, a data de conversão é 2045 e o vencimento é 2064. Isso significa que, em 2045, o Tesouro Nacional começará a pagar as 240 parcelas do valor referente à variação da inflação mais o rendimento da taxa no momento da compra.
Essa é uma opção interessante para quem precisa de renda extra ou deseja um fluxo de caixa, seja pensando na aposentadoria ou não. A desvantagem, explica Couto, é que o valor recebido ao final pode ser menor do que um título que não efetua pagamentos periódicos.
Educa+ (NTN-B1)
Assim como o RendA+ foi criado para a aposentadoria, o Educa+ foi desenvolvido para auxiliar o investidor a planejar a educação dos filhos. As características desse investimento são semelhantes ao IPCA+, porque paga o rendimento da inflação mais um percentual pré-determinado.
O pagamento inicia-se na data de conversão e continua mensalmente ao longo de cinco anos, auxiliando a cobrir a mensalidade escolar ou universitária.
Existem produtos com vencimentos anuais desde 2027 até 2044. A data de conversão é sempre o ano subsequente ao nome do título. O vencimento é quando será realizado o último pagamento.
Enfoque na estratégia
Aqueles que desejam investir no Tesouro Direto devem observar com minuciosidade os detalhes que ultrapassam as denominações dos títulos.
O mais relevante, segundo o planejador financeiro e especialista em mercado de capitais Idean Alves, é considerar o prazo de vencimento, a taxa de retorno, os aportes e a maneira como serão distribuídos os rendimentos, para garantir que o montante esteja disponível quando necessário. Isso possibilita a diversificação e a busca pelo melhor retorno em cada categoria e prazo.
Desse modo, é viável utilizar investimentos do Tesouro Selic, Prefixado ou IPCA+ para aposentadoria ou pagamento da educação dos filhos, por exemplo. Entretanto, nesse caso, o investidor precisará planejar-se para escolher outro produto financeiro para reinvestir o montante recebido no vencimento do título e garantir a continuidade da renda a longo prazo, aconselha Cintia Senna.
Fonte: Bora investir

