Qualquer indivíduo que já tenha vivenciado uma feira ao ar livre tem ciência de que este é um ambiente favorável para transações comerciais. Seja para os clientes, que buscam a melhor combinação entre preço e excelência, seja para os expositores, que almejam chamar a atenção para sua barraca. Foi nesse contexto que o investidor Guilherme Pianco cresceu e progrediu profissionalmente antes de se dedicar totalmente ao day trade.
Descendente de feirantes, Pianco cresceu auxiliando o pai na feira e assimilando, desde cedo, a importância do dinheiro e da persistência. Foi também na feira que ele conseguiu garantir seu próprio sustento e ainda reservar uma parte do dinheiro para investimentos.
Fraude financeira
No entanto, na ânsia de querer evoluir rapidamente financeiramente, Pianco acabou sendo vítima de uma fraude, um típico esquema de pirâmide financeira. A promessa era simples: ele faria um aporte inicial de R$ 1.200 e esse montante seria aplicado em ações para multiplicar o capital. Confiando em um colega da feira que já participava, ele investiu, mas nunca mais viu o dinheiro novamente. “Após cair nesse golpe, comecei a pesquisar e percebi que o que eles prometiam realizar, que era a compra e venda de ações, de fato existia, porém de uma maneira distinta”, relata Pianco.
Após se aprofundar um pouco mais, ele deu início aos seus primeiros passos no universo dos investimentos, no entanto, acabou enfrentando perdas significativas no mercado forex, ambiente não regulamentado para negociação de moedas estrangeiras. “Recebia em real e precisava converter tudo para investir. Trabalhava o mês inteiro na feira, guardava o dinheiro e investia no mercado. E frequentemente, eu sofria perdas”, relata.
Da negociação forex para o mercado nacional
Segundo Pianco, a virada ocorreu quando optou por migrar para a bolsa de valores brasileira em busca, inicialmente, de custos menores. Ao comentar com um parente sobre seus estudos, descobriu que ele também investia e já possuía certa experiência. Enquanto Pianco engatinhava nos estudos acerca de gráficos e análise técnica, seu parente o introduziu à leitura de fluxo.
Além disso, o parente foi responsável por apresentar uma corretora, o que fez com que a experiência de investir deixasse de ser uma atividade solitária. “Ao entrar lá, me encantei. Havia cerca de 30 pessoas operando, cada uma com seu próprio estilo. Era como se eu estivesse dentro da bolsa de valores”, recorda.
A trajetória no day trade, no entanto, foi marcada por altos e baixos no início. Pianco passou por momentos de tensão, incluindo perdas significativas em relação ao seu padrão de vida da época. Para ele, a mudança em sua forma de operar se deu através do amadurecimento tanto técnico quanto emocional.
“Indagaram se era mais simples obter 1.000 pontos com cinco contratos ou cinco pontos com 1.000 contratos? Isso mudou minha maneira de pensar”, revela. A partir desse ponto, passou a focar em movimentos menores, porém incrementando o volume de contratos à medida que ganhava confiança.
Do ponto de vista comportamental, passou a enxergar qualquer lucro como tempo de operação. Ou seja, se sua meta diária fosse em torno de R$ 100, que era aproximadamente o que ganhava na feira, qualquer ganho acima disso era considerado uma reserva para momentos desfavoráveis. “Se eu lucrasse R$ 500, não parava de trabalhar na feira. Era como conquistar quatro dias adicionais para cometer erros ou melhorar.”
Alcance da autonomia financeira
Dividindo seu tempo entre a feira e o mercado financeiro, Pianco experimentou por alguns anos uma rotina extenuante. Nos dias de feira, corria para casa a fim de aproveitar o fechamento do mercado. Após o encerramento do pregão, se entregava aos estudos. “Eu utilizava bastante o replay. Revivia o dia inteiro, identificava meus erros e acertos. Isso foi crucial para a virada de chave”, declara.
Persuadido a operar visando obter o mesmo valor que ganhava na feira, Pianco levou cerca de cinco anos para conseguir viver exclusivamente do mercado. A transição foi gradual, reduzindo os dias na feira aos poucos, à medida que ganhava mais dinheiro, até permanecer apenas nos finais de semana para auxiliar a família.
Por volta dos 26 anos, já gozava de autonomia financeira, conseguindo se desligar da feira e proporcionar uma vida mais confortável aos seus entes queridos. Hoje, aos 32 anos e com uma década de experiência, mantém uma rotina disciplinada de operações, com gestão de risco e preparo mental para evitar os chamados “dias de fúria”.
“O prejuízo machuca, porém é preciso aceitar. O dinheiro que foi perdido já não lhe pertence mais. Não se deve tentar recuperá-lo a qualquer custo”, afirma Pianco sobre a mentalidade que busca adotar nos momentos difíceis.
Day trade consiste na prática de adquirir e vender ativos no mesmo dia. Essa estratégia requer conhecimento e disciplina e não é apropriada para todos os tipos de investidores. Consulte mais informações e estatísticas no portal da B3 e siga o perfil oficial da B3 no Instagram para day trade.
Fonte: Bora investir

