A Bolsa de Valores de Nova Iorque teve um dia robusto, porém o Bitcoin e o restante do mercado de criptomoedas estão em situação menos estável.
O índice S&P 500 aumentou 0,39% e o Nasdaq subiu 0,67% na terça-feira, impulsionados por um relatório do PPI de junho que ficou aquém das previsões — os valores de produção diminuíram 0,3% no período, principalmente devido ao declínio nos preços da gasolina.
Essas informações reduziram as probabilidades de uma elevação nas taxas de juros do Federal Reserve em julho, que caíram de 31% na semana anterior para apenas 12,3% hoje, de acordo com o CME FedWatch. Quando as taxas de juros diminuem — ou, nesse caso, permanecem estáveis — geralmente é um bom indício para ativos de risco, como ações tecnológicas e criptomoedas.
O VIX, conhecido como o “medidor de ansiedade” de Wall Street, baixou para 16,5 pontos, indicando que os investidores estão, em geral, confiantes e tranquilos, sem esperar grandes flutuações em um futuro próximo. Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan e Citi divulgaram lucros do segundo trimestre que superaram as estimativas dos analistas. A situação macroeconômica está tranquila, com apetite por risco e um otimismo moderado.
Este é um momento curioso para examinar o gráfico de preços do Bitcoin.
Valor do Bitcoin: uma quebra sem firmeza
O Bitcoin ultrapassou a marca de resistência de US$ 64 mil, chegando a um pico diário de US$ 65.511 antes de se fixar em US$ 64.858 — estável no dia, com uma leve queda de 0,18% no candlestick formado. Depois de ser rejeitada nesse patamar na maior parte das duas últimas semanas, a quebra tem importância.
A dúvida agora é se essa alta se sustentará.
O gráfico ainda exibe um canal descendente desde os máximos de maio do Bitcoin, perto de US$ 82.000, definido por uma linha de tendência em queda claramente visível que pressiona de cima para baixo. A quebra tira o BTC desse canal — mas por pouco. Uma queda de 5% a partir desse ponto e a estrutura volta a se formar, com os vendedores retomando o controle.
A visão geral continua sendo negativa. Nossa avaliação combinada dos indicadores está em -36%, marcada por um padrão denominado de “cruz da morte” pelos traders: a média dos últimos 50 dias está abaixo da média dos últimos 200 dias. Esse é um sinal claro de uma tendência de baixa de longo prazo, e não há indícios de que a diferença entre as duas médias esteja diminuindo.
O ADX, ou Índice de Movimento Direcional, está em 23,4, indicando que a tendência de baixa está perdendo intensidade e enfraquecendo. Contudo, ainda não está definido. O ADX mede a força da tendência, independentemente da direção, em uma escala de 0 a 100. Geralmente, os traders consideram 25 como o ponto de corte: acima disso, uma tendência real está em vigor; abaixo, o mercado está volátil.
Porém, os traders podem encontrar alívio: a sinalização está mudando de Di- (dominância baixista) para Di+ (dominância altista). Isso sugere uma alteração de cenário em andamento, não confirmada.
O Índice de Força Relativa, ou IFR, está em 55,7 — neutro a ligeiramente otimista, com margem para avançar antes de atingir o território de sobrecompra, acima de 70. O Indicador de Momento do Squeeze (que indica uma compressão antes de um movimento explosivo) está inativo, porém o momento está aumentando em 1,75 e apontando para cima. Quando ocorre a liberação desse momento, o movimento tende a ser acentuado. A questão é que não há indicação de direção, daí a importância de outros indicadores.
Por que a visão otimista pode se concretizar
O cenário macroeconômico é muito favorável atualmente. A desaceleração da inflação, os robustos resultados corporativos e um Federal Reserve que provavelmente não elevará as taxas em julho criam um ambiente propício para que os ativos de risco respirem.
Além disso, o filho do Presidente dos Estados Unidos está promovendo ativamente o Ethereum, a segunda maior criptomoeda do mundo em valor de mercado. Isso não é conclusivo, mas é mais um indício de que as criptomoedas continuam a despertar o interesse de investidores abastados e com laços políticos.
A virada do ADX de Di- para Di+ sugere que o fluxo está se inclinando para os compradores. O IFR ainda possui margem antes de atingir a zona de sobrecompra. Se o BTC mantiver os US$ 64 mil por algumas sessões e confirmar o rompimento, os próximos alvos ficam em torno de US$ 66.500–US$ 67.600, com US$ 70 mil como possibilidade se o ímpeto aumentar.
Por que os pessimistas têm argumentos
A análise de Fibonacci das áreas naturais de suporte e resistência em uma tendência coloca o BTC exatamente no nível de 100% de um movimento baixista que oscilou entre US$ 64.657 e US$ 61.246 — exatamente onde os vendedores tendem a reaparecer após um movimento de recuperação.
A região crítica com maior atividade (a faixa de retração de 50%–61,8% em US$ 62.952–US$ 63.354) já foi ultrapassada na ascensão, mas também se torna a primeira área de interesse se os touros perderem o controle.
E na Myriad, uma plataforma de previsões desenvolvida pela Dastan, empresa-mãe do Decrypt, a multidão não está convencida da narrativa da quebra.
Os traders da plataforma de previsões atribuíram 66,6% de probabilidade de o Bitcoin cair para US$ 55 mil, contra apenas 33,4% de chance de subir para US$ 84 mil. E as chances não se alteraram com a variação do preço. Isso indica uma inclinação de 2 para 1 a favor de mais desvalorização — e recentemente, os traders da Myriad se mostraram mais precisos na direção do Bitcoin do que os otimistas que analisam os gráficos.
* Traduzido e editado com permissão do Decrypt.
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Fonte: Portal do Bitcoin

