O Grupo de Política Econômica (GPE) do Banco Central do Brasil tomou a decisão de efetuar mais um decréscimo de 0,25 pontos percentuais na Selic, que agora está em 14,25% ao ano. A despeito do decréscimo, o Brasil reassumiu a posição de liderança no cenário global de juros reais. Isso indica que ainda há atratividade para os investimentos de renda fixa, que continuam a proporcionar um retorno líquido expressivo, de dois dígitos em um período de 12 meses, já descontando a inflação e o Imposto de Renda.
Com a Selic em níveis elevados, investimentos como Tesouro Direto, CDBs e outros títulos de renda fixa tendem a se tornar mais atrativos. Por outro lado, quando a Selic começa a declinar, a renda variável passa a ganhar destaque e as opções de empréstimos e financiamentos se tornam mais acessíveis.
A pedido da IstoÉ Dinheiro, Tatiana Metzler, supervisora de investimentos do Sistema Ailos, elaborou uma simulação da rentabilidade dos principais investimentos considerando a nova taxa Selic de 14,25%. Confira a seguir:
Qual é o rendimento de R$ 1 mil em 12 meses?

Ganho líquido em 12 meses
| Opção de Investimento | Rendimento Neto (considerando inflação e IR) |
| Debênture Incentivada | R$ 141,50 |
| LCI / LCA | R$ 127,35 |
| Tesouro Selic | R$ 117,56 |
| CDB / LC / RDB / RDC | R$ 116,74 |
| Poupança | R$ 83,20 |
Como pode ser observado na simulação, várias opções de investimento apresentam um retorno superior ao da caderneta de poupança. O incremento real da poupança em 12 meses (ou seja, considerando a inflação de 4,8%) é de apenas 3,36%. Esse valor fica consideravelmente abaixo dos 6,64% do Tesouro Selic e dos 6,56% do CDB, que estão atrelados à Selic.
Os destaques no segmento de renda fixa são os títulos LCI e LCA, além da debênture incentivada, que são isentos de Imposto de Renda e apresentam uma rentabilidade real projetada de mais de 7% para os próximos 12 meses.
Perspectivas Futuras
No comunicado divulgado, o GPE deixou em aberto os próximos caminhos e enfatizou a importância da “prudência” diante de um cenário global que permanece “incerto” devido à “indefinição” acerca dos termos do acordo entre EUA e Irã para interromper os conflitos armados no Oriente Médio.
Mesmo em caso de novas reduções, a Selic deverá permanecer em um nível elevado. Conforme o último boletim Focus, a taxa básica de juros esperada para o final de 2026 passou a ser de 13,75% e de 12% em 2027, em comparação com 13,50% e 11,50%, respectivamente, na semana anterior.
Segundo Metzler, a comunicação do GPE reforça que a política monetária continuará sendo guiada pelos dados disponíveis, mantendo uma abordagem cautelosa e atenta nas próximas reuniões.
“A decisão reflete um equilíbrio entre os sinais de desaceleração da inflação atual e a necessidade de manter as expectativas inflacionárias estáveis. O Banco Central reconhece os avanços na redução da inflação, mas ressalta que ainda existem riscos significativos, especialmente relacionados ao cenário fiscal interno e ao ambiente internacional mais desafiador, marcado por taxas elevadas nas economias desenvolvidas”, afirmou a analista.
*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro da B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

