A competição pela inteligência artificial (IA) está redesenhando o panorama das principais corporações globais. Levando em conta a capitalização de mercado em 18 de junho de 2026, as grandes empresas de tecnologia ocupam as primeiras posições na lista global, concentrando trilhões de dólares em valor de mercado e atraindo investidores de todos os cantos do planeta.
No topo da classificação está a Nvidia, avaliada em quase US$ 5 trilhões. A produtora de chips é seguida pela Alphabet (Google), Apple e Microsoft, todas com valor de mercado superior a US$ 2,8 trilhões. Entre as 15 empresas mais valiosas globalmente, a maioria está diretamente relacionada com o avanço da inteligência artificial, seja por meio de softwares, plataformas digitais ou semicondutores.
A competição da IA chega ao mercado de ações – sob pressão por monetização
Além das grandes corporações norte-americanas, a lista inclui empresas que ganharam destaque com o progresso da IA, como a SpaceX, que recentemente abriu seu capital – a maior abertura de capital do mundo até o momento. A infraestrutura tecnológica para a IA também se evidencia, com fabricantes de chips como TSMC, Samsung, SK Hynix e Micron Technology.
“Empresas com capitalização de mercado extremamente alta geralmente apresentam uma característica em comum: possuem um ‘moat’, uma vantagem competitiva duradoura, difícil de copiar e capaz de manter concorrentes afastados ao longo dos anos”, menciona Vinicius Flores, analista de investimentos e parceiro da Stratton Capital. “A situação da Nvidia é a mais emblemática nos dias atuais. A Nvidia não comercializa somente hardware. Ela disponibiliza acesso a uma infraestrutura insubstituível para aqueles que desejam construir IA. É esse ‘moat’ que justifica sua posição entre as companhias mais valiosas do mundo”.
“Os ‘hiperescalonadores’, termo utilizado para se referir ao grupo formado por Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft, possuem um ‘moat’ igualmente robusto: décadas de dados acumulados de bilhões de consumidores”, complementa.
IA impulsiona valorização
De acordo com Bernardo Pascowitch, especialista em finanças e apresentador do Resenha do Dinheiro, a lista destaca a força da principal narrativa que tem orientado os mercados recentemente. Segundo ele, a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, tem sido o principal motor por trás da valorização das ações nos EUA.
“Essa tabela deixa evidente como a grande narrativa atual são as empresas de tecnologia. Elas têm dominado o cenário e o desempenho do mercado norte-americano”, afirma.
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No entendimento do especialista, esse movimento não se restringe às empresas que desenvolvem soluções de IA. Toda a cadeia relacionada à tecnologia tem se beneficiado, incluindo fabricantes de chips, empresas de infraestrutura e companhias de software.
O reflexo disso fica claro nos valuations bilionários observados atualmente, principalmente entre empresas voltadas para a computação em nuvem, semicondutores e inteligência artificial gerativa.
Empolgação e precaução andam lado a lado
Mesmo com o entusiasmo dos investidores, Pascowitch adverte que a situação também demanda cuidado. A concentração dos lucros em um grupo relativamente restrito de empresas traz à tona comparações com outros momentos de forte valorização do setor de tecnologia, como o período que antecedeu o estouro da bolha da internet no início dos anos 2000.
Além disso, questões macroeconômicas permanecem no radar dos mercados. Dentre elas, estão a perspectiva de aumento dos juros nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.
“Vivemos um momento de grande empolgação em torno de uma única tese, que é a inteligência artificial. Ao mesmo tempo, existem preocupações macroeconômicas, políticas e geopolíticas. É um momento de ter exposição ao setor com consciência, gestão de risco e diversificação”, destaca.
O especialista frisa também que parte dos gestores e analistas já está debatendo a possibilidade de uma rotação de capital dentro da bolsa norte-americana, com investidores direcionando recursos de empresas de tecnologia para setores que ficaram para trás nos últimos anos, como saúde, indústria e bancos.
Integrantes do clube do trilhão
A composição do ranking indica que a inteligência artificial afeta diferentes setores. Além das chamadas Big Techs, surgem empresas responsáveis pela produção de chips e memória, componentes essenciais para o funcionamento de modelos avançados de IA.
Dentre as empresas que ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado e que possuem BDRs negociados na B3, encontram-se:
| # | Corporação | Capitalização de mercado (18/06/2026) | País de origem | BDR listado na B3 |
| 1 | NVIDIA | US$ 4,956 tri | EUA | NVDC34 |
| 2 | Alphabet (Google) | US$ 4,418 tri | EUA | GOGL34 |
| 3 | Apple | US$ 4,346 tri | EUA | AAPL34 |
| 4 | Microsoft | US$ 2,814 tri | EUA | MSFT34 |
| 5 | Amazon | US$ 2,554 tri | EUA | AMZO34 |
| 6 | SpaceX | US$ 2,527 tri | EUA | SPCX34 |
| 7 | TSMC | US$ 2,241 tri | Taiwan | TSMC34 |
| 8 | Broadcom | US$ 1,869 tri | EUA | AVGO34 |
| 9 | Tesla | US$ 1,488 tri | EUA | TSLA34 |
| 10 | Meta (Facebook) | US$ 1,440 tri | EUA | M1TA34 |
| 11 | Micron Technology | US$ 1,176 tri | EUA | MUTC34 |
| 12 | Berkshire Hathaway | US$ 1,059 tri | EUA | BERK34 |
Como investir nessas corporações pela B3
Os investidores brasileiros não necessitam abrir uma conta em uma corretora no exterior para investir em grande parte dessas empresas.
Uma das opções é investir por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), certificados negociados na B3 que representam ações de empresas listadas em bolsas estrangeiras.
Em resumo, uma instituição financeira adquire as ações no exterior e emite recibos equivalentes para negociação no mercado brasileiro. Assim, o investidor pode acessar empresas globais utilizando uma conta em corretora local e operando em reais.
Os BDRs proporcionam diversificação internacional e exposição a setores que muitas vezes têm presença limitada na bolsa brasileira, como tecnologia e semicondutores.
Por outro lado, é crucial lembrar que esses ativos também sofrem com as flutuações das bolsas estrangeiras e a variação do dólar em relação ao real, fatores que podem aumentar a volatilidade dos investimentos.
Fonte: Bora investir

