O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou hoje (28) que a taxa Selic será mantida em 15% ao ano. A resolução foi unânime e não pegou ninguém de surpresa. A grande novidade está na previsão de redução dos juros na próxima assembleia, marcada para março.
Posicionamento hawkish ou dovish? Compreenda os matizes da política monetária
“O Comitê planeja, se as previsões se confirmarem, iniciar a flexibilização da política monetária no próximo encontro, mas mantendo a restrição necessária para garantir que a inflação se estabilize”, afirmam os membros do comitê.
De acordo com Bruno Shahini, especialista em aplicações financeiras da Nomad, embora a resolução já fosse esperada, o pronunciamento teve uma abordagem mais suave. “Ao demonstrar maior confiança na desaceleração da inflação, ainda que com prudência diante das expectativas instáveis, o Comitê deu a entender que o ciclo de flexibilização está próximo”, comenta ele.
Natalie Victal, economista principal da SulAmérica Investimentos, compartilha da mesma visão. Para ela, tanto a decisão quanto a mensagem estavam alinhadas com as expectativas. “No entanto, o pronunciamento foi um pouco mais dovish ao indicar claramente que, sob o cenário base, o Copom prevê um corte já na próxima reunião”.
Dessa forma, abre-se espaço para debates sobre a magnitude do próximo corte. “Quanto à velocidade, persiste a divisão entre 25 e 50 pontos-base na avaliação. Nesse contexto, a valorização do câmbio e a perspectiva de dados um pouco mais fracos de dezembro tendem a fortalecer a possibilidade de um corte de 50 pontos-base, ao passo que a chance de 75 pontos-base também começa a ganhar algum respaldo”, aponta Victal.
O pronunciamento também destaca a apreensão do comitê em relação às projeções de mercado para a inflação. “Na prática, o Copom busca equilibrar dois lados: por um lado, existe margem técnica para iniciar o corte de juros; por outro, falta confiança para acelerar esse movimento sem comprometer a credibilidade do regime de metas. O tom do pronunciamento sugere que este início de processo decorre mais de uma gestão de riscos do que de uma convicção plena de que a inflação já está sob controle”, destaca Raphael Vieira, co-líder de Investimentos da Arton Advisors.
Por sua vez, Bruno Perri, economista-chefe e fundador da Forum Investimento, acredita que embora o ciclo de redução deva começar já na próxima reunião, “o piso para esse ciclo, pelo menos no início, tende a ser elevado. Deve estacionar em um nível (piso) ainda significativo, em torno de 13,00%-12,00%, bem acima dos dois dígitos”.
Analisando o cenário financeiro, Antônio Sanches, analista de pesquisa da Rico, destaca que, embora o provável patamar final do ciclo de redução seja prejudicial para quem está endividado, ele se mantém muito atrativo para aqueles que investem em renda fixa, especialmente em títulos pós-fixados do Tesouro Direto.
Fonte: Bora investir

