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    Início - Notícias - Impacto da Guerra do Irã nos Preços e na Economia do Brasil: Uma Análise Detalhada
    Notícias

    Impacto da Guerra do Irã nos Preços e na Economia do Brasil: Uma Análise Detalhada

    MorelliBy Morelli3 de março de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    O ataque promovido por nações americanas e israelenses contra o Irã no último fim de semana tumultuou os mercados na segunda-feira (2). O principal impacto recaiu sobre o petróleo, que encerrou o dia a US$ 82,37 o barril, registrando um acréscimo de 13%.

    Frente à nova situação na geopolítica mundial, analistas e especialistas de diferentes áreas se apressaram para reexaminar os riscos relacionados ao conflito, visando mensurar possíveis efeitos na economia brasileira, tanto em escala macro quanto microeconômica.

    “Aqui ainda dispomos de reservas para lidar com um possível impacto no Brasil. Atualmente temos uma posição privilegiada. Possuímos um saldo positivo na balança de petróleo, que é nosso principal item de exportação, e o efeito inflacionário não é imediato”, afirmou à IstoÉ Dinheiro a consultora econômica Zeina Latif, associada da Gibraltar Consulting.

    As principais preocupações do mercado giram em torno do petróleo. Mudanças súbitas nessa commodity costumam ter impactos especialmente na inflação e, por conseguinte, no cenário futuro da taxa de juros.

    A instabilidade do petróleo pode desencadear um efeito em cascata sobre outras commodities. Produtos agrícolas como soja, milho, açúcar e proteínas de origem animal podem acompanhar a elevação do petróleo, uma vez que o combustível é matéria-prima para fertilizantes e pode refletir nos custos dos fretes marítimos.

    “A magnitude dos impactos está diretamente ligada à extensão do conflito: se for breve, parte do risco pode se dissipar rapidamente; no entanto, em caso de prolongamento, a alta persistente do petróleo tende a pressionar a inflação e os juros, afetando com mais força os ativos dependentes do ciclo econômico”, afirmou Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.

    Petróleo

    Sumário ocultar
    1 Petróleo
    2 Inflação
    3 Juros
    4 Carne de frango
    5 Carne bovina

    As principais preocupações dos analistas envolvem o desdobramento do petróleo. O combustível tem forte correlação com outras commodities e é um dos elementos fundamentais na análise da inflação no Brasil.

    No entanto, alguns analistas consideram necessário aguardar alguns dias para obter uma perspectiva mais clara do que está por vir. Segundo a avaliação do analista da Suno Research, Malek Zein, o ataque realizado até o momento não alterou a dinâmica da oferta e demanda de petróleo global.

    “O petróleo do Irã já é altamente sujeito a sanções. Embora sancionado, é amplamente consumido pela China. A curto prazo, há incerteza, e a incerteza leva à volatilidade. É isso que estamos presenciando hoje. O impacto a médio prazo deveria ser praticamente nulo, a menos que os Estados Unidos ataquem a infraestrutura petrolífera do Irã. Isso sim poderia gerar um aumento maior, pois afetaria a curva de oferta e demanda, algo que ainda não ocorreu”, afirmou Zein à IstoÉ Dinheiro.

    Zein ressaltou que, até então, as represálias do Irã aos ataques ficaram restritas a alvos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. Os iranianos chegaram a atacar a infraestrutura da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, porém sem danos expressivos.

    O principal receio do mercado é que o Irã tome medidas mais drásticas, como o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam de 20% a 25% do petróleo mundial. Na avaliação de Zein, essa ação provocaria um aumento ainda maior nos preços do petróleo, o que poderia desencadear uma escalada no conflito, uma vez que outros países da região seriam profundamente afetados.

    “Se o Irã fechar o Estreito de Ormuz por um mês ou mais, o efeito será catastrófico, mas o mercado ainda não está precificando isso”, disse o analista.

    O especialista em Mercado da Stonex, Bruno Cordeiro, alerta que é crucial analisar a situação pelo viés da exportação e importação de petróleo. Quanto à exportação, ele observa que “há uma tendência de aumento na demanda pelo petróleo bruto produzido no Brasil, especialmente pela China”. Atualmente, o país exporta cerca de 2 milhões de barris por dia.

    Cordeiro explicou que o impacto nos preços dos combustíveis no país tende a ser limitado. O Brasil importa entre 5% e 10% da gasolina para consumo interno. Já no caso do diesel, esse percentual chega a 30%. “A transferência desse aumento pode não ser uniforme no país. Regiões com menor capacidade de refino e maior dependência externa, como o Nordeste, o Norte e o Centro-Oeste, correm um risco maior de ver esses custos repassados para o consumidor final”, ponderou.

    Inflação

    Caso o conflito no Irã não se intensifique significativamente, os impactos na inflação no Brasil tendem a ser mínimos. Mesmo diante do aumento imediato do petróleo, a expectativa é que os preços se estabilizem nas próximas semanas, desde que o conflito permaneça nos níveis atuais.

    Para Zein, a menos que o Estreito de Ormuz seja fechado e o petróleo permaneça em níveis elevados por um período prolongado, a inflação no Brasil não sofrerá grandes consequências. “É necessário observar como os acontecimentos se desenrolam”, ressaltou.

    Na opinião de Zeina, é provável que alguns setores no Brasil sofram algum impacto devido ao aumento dos preços de determinados insumos. No entanto, ainda não é possível prever a extensão desses impactos. “Não mudaria substancialmente o panorama com base no cenário atual”, destacou.

    Juros

    No curto prazo, o mercado não prevê mudanças na expectativa de redução dos juros no Brasil a partir de março. “Para o Copom, acreditamos que nada deve mudar inicialmente, e continuamos aguardando o início do ciclo de cortes na reunião de março. No entanto, a incerteza provocada pelo conflito pode levar o Copom a encerrar o ciclo de cortes antecipadamente, mas isso dependerá da duração e magnitude do conflito”, afirmou André Valério, economista sênior do Inter.

    Essa perspectiva é compartilhada por Zeina. Segundo a consultora, caso o Brasil estivesse encerrando um ciclo de cortes de juros, o Banco Central adotaria uma postura mais cautelosa, o que não é o caso atual. “Fazendo um paralelo com a situação do Fed: quando se está no fim do ciclo, com a taxa de juros próxima da taxa neutra, essa sensibilidade é mais vulnerável a choques. Mas não é o nosso caso”, explicou.

    Em relação ao futuro dos juros no Brasil, a economista destacou que outras variáveis precisam ser consideradas nos modelos, que vão além da guerra no Irã. Para fazer projeções sobre a Selic no futuro, é necessário levar em conta o desempenho do PIB, a situação fiscal e as eleições.

    “Atualmente, não vejo como um fator que poderia levar o Banco Central a alterar seus planos de corte dos juros já na próxima reunião. Não vejo motivo para adotar uma postura preventiva com juros tão elevados”, afirmou Zeina.

    Carne de frango

    Embora o Irã isoladamente não represente um mercado significativo para a carne de frango do Brasil, o Oriente Médio como um todo responde por mais de 30% das exportações brasileiras. Apenas em 2025, foram exportadas cerca de 1,6 milhão de toneladas para os países do bloco.

    Grande parte desse volume acessa a região justamente pelo Estreito de Ormuz. Com exceção da Arábia Saudita, que utiliza principalmente o porto de Jeddah, no Mar Vermelho, Emirados Árabes, Iraque, Kuwait e Catar dependem da passagem das cargas por Ormuz até seus portos. Na prática, metade do frango brasileiro que chega ao Oriente Médio passa por essa área sob risco devido às tensões com o Irã.

    Por enquanto, as empresas estão avaliando os reais impactos que o conflito poderá ter sobre os embarques brasileiros. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou em comunicado que “seus associados estão identificando e monitorando os pontos críticos na logística da área afetada pelo conflito. Neste momento, o setor está avaliando rotas alternativas que foram utilizadas em outras crises na região”.

    Carne bovina

    O setor de carne bovina é um dos que mais pode sentir o impacto de um agravamento do conflito com o Irã. O eventual fechamento do Estreito de Ormuz coloca em risco a venda de carne Halal, produzida de acordo com os preceitos da lei islâmica e que depende dessa rota para exportar mais de 28 mil toneladas por mês do produto.

    Segundo Frederico Favacho, sócio do escritório Santos Neto Advogados, a atual conjuntura coloca em risco a segurança jurídica dos contratos de exportação firmados pelas empresas brasileiras. “Os contratos não são imediatamente suspensos devido a força maior ou outra condição, uma vez que os exportadores brasileiros podem ter outras rotas, como, por exemplo, o Mediterrâneo. No entanto, são rotas mais caras e complexas”, explicou.

    As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes encerraram 2025 com aumento de 1,91% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 1,79 bilhão, de acordo com dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que monitora o comércio com os 22 países da Liga dos Estados Árabes, abrangendo o Norte da África e o Oriente Médio. Com esse resultado, o Brasil registrou o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco.

    *Artigo publicado originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir

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    Fonte: Bora investir

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    Morelli
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    Morelli é mentor de posicionamento digital, estrategista de autoridade e trader profissional. Atua formando criadores de conteúdo e operadores de mercado com clareza, direção e resultados reais. Seu trabalho combina mentalidade, técnica e presença digital para transformar talentos em referências.

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