O Painel de Política Monetária (CPPM) optou por diminuir a taxa Prime em 0,25 pontos percentuais, para 14,75% ao ano, na reunião de hoje (18). É a primeira redução dos juros nacionais em 2 anos e a resolução foi unânime entre os membros do Banco Central.
“O CPPM escolheu abaixar a taxa principal de juros para 14,75% a.a. e percebe que essa escolha é condizente com a estratégia de convergência da inflação para o entorno da meta ao longo do período relevante. Sem prejudicar seu objetivo principal de garantir a estabilidade de preços, essa decisão também implica atenuação das oscilações do nível de atividade econômica e estímulo do emprego total”, declara o aviso.
A diminuição de 0,25 p.p. na Prime era aguardada pelo mercado, porém ainda existiam aqueles que esperavam uma redução de 0,50 p.p., ou até mesmo a manutenção. A conflito no Oriente Médio, entretanto, fez os analistas reavaliarem e o evento foi ressaltado na comunicação do CPPM.
“O Painel considera os efeitos dos atritos no Oriente Médio de forma prospectiva, em especial seus impactos sobre a cadeia de suprimentos global e os valores de mercadorias que afetam diretamente e indiretamente a inflação no Brasil”, menciona o texto.
No entanto, o Painel julgou apropriado iniciar o ciclo de ajuste da política monetária, “já que o período prolongado de manutenção da taxa principal de juros em patamar contracionista proporcionou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”.
Apesar disso, o painel não forneceu uma orientação clara para a próxima reunião e deixou em aberto os próximos passos de definição da Prime. “No contexto atual, marcado por acentuado aumento da incerteza, o Painel reafirma calma e prudência na condução da política monetária, de modo que as próximas medidas do processo de ajuste da taxa principal de juros possam incorporar novas informações que melhorem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos atritos no Oriente Médio, bem como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
De que maneira o mercado percebe a recente Prime
Para Gustavo Silva, sócio-fundador da Private Investimentos, o ponto central do comunicado é a preocupação do painel com os efeitos dos atritos no Oriente Médio. “A situação mudou devido às incertezas da guerra no Oriente Médio, inquietações com impacto de oferta e volatilidade do petróleo e influência na inflação global, cenário desafiador que fez o Governo subsidiar o diesel. A taxa de câmbio ainda é um fator de alívio ao modelo estatístico econômico”, afirma.
Segundo Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, antes do começo do conflito no Irã, era praticamente consenso de mercado que veríamos um primeiro corte na magnitude de 50 p.p. nessa reunião de março. “A evolução do conflito, porém, trouxe sérias inquietações e impactos relevantes a curto e longo prazo, sobretudo nos combustíveis”.
Raphael Vieira, co-líder de Investimentos da Arton Advisors, enxerga o comunicado com tom decidido, e frisa que o ciclo de decréscimo da taxa pode não ser uma realidade no momento. “A interpretação é a de que o Banco Central iniciou uma recalibração técnica dos juros, e não um ciclo de relaxamento acelerado. A ausência de forward guidance reforça que os próximos passos dependerão da evolução dos dados”.
A cautela também foi destacada por Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, que vê o Banco Central “sem se comprometer com o ritmo daqui para frente. O Banco Central do Brasil optou por iniciar o processo de flexibilização, porém mantendo total flexibilidade para os próximos passos. É um BC que baixa juros, porém mantém o pé no freio, acompanhando de perto tanto o cenário internacional quanto a dinâmica doméstica”, comenta.
Fonte: Bora investir

