Para o investidor do Brasil que está iniciando no mundo dos investimentos em ativos internacionais, sempre surge a incerteza entre adquirir ações diretamente nos Estados Unidos ou investir por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) ou ETFs (Exchange Traded Funds) na B3, a bolsa brasileira. Esse foi um dos pontos abordados durante o workshop “Portfólio global, execução nacional – A força dos ETFs e BDRs”, realizado hoje no BTG Summit 2026.
Bianca Maria, responsável por produtos na B3, destacou as vantagens, especialmente para quem está ingressando na diversificação em moeda estrangeira ou não possui um capital elevado para investir, de utilizar os BDRs, que contam com o princípio da paridade. Paridade é o conceito que estabelece a equivalência entre um BDR negociado na B3 e a ação original listada no exterior. Na prática, funciona como uma “razão de divisão”, que dá ao investidor brasileiro a oportunidade de adquirir partes de empresas globais sem necessariamente comprar uma ação completa em dólares, o que poderia demandar um investimento inicial alto.
No exemplo da Apple (AAPL34), se uma única ação na Nasdaq estiver valendo US$ 200, a conversão direta pelo câmbio (por exemplo, R$ 5,00) resultaria em um custo unitário de R$ 1.000, valor que poderia impedir muitos investidores de participar. Por meio dos BDRs, a B3 utiliza a paridade, possibilitando que cada BDR represente 1/10 da ação original. Assim, ao investir aproximadamente R$ 100,00 por certificado, o investidor já pode ter acesso a essa ou outras gigantes do mercado americano, como Nvidia, Tesla, Google, Coca-cola, entre outras.
Outras vantagens de investir localmente em ativos globais envolvem a possibilidade de negociar em dólar sem IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), assim como manter uma gestão centralizada do patrimônio em uma única corretora. “BDRs combinam aspectos valorizados pelos investidores na internacionalização: exposição a ativos globais e execução local, com negociação e monitoramento em um mesmo ambiente. Isso simplifica a administração do patrimônio, o planejamento de estratégias, a gestão de custos e riscos e, por meio da paridade, amplia o acesso a empresas internacionais com valores unitários mais acessíveis”, avalia Bianca Maria.
O mercado de ativos globais consolidou seu crescimento e democratização na B3 ao longo da última década, e os dados da B3 referentes a janeiro de 2026 confirmam essa evolução, com 817 BDRs de ações listados e 951 mil investidores ativos, que apresentaram um volume médio diário de operações (ADTV) de R$ 1,1 bilhão. Já os BDRs de ETF (ou ETFs Globais) contam com 297 opções, abrangendo renda variável, renda fixa, criptomoedas e commodities. Ao todo, 48,8 mil investidores já incluíram ETFs Globais em suas carteiras, com um ADTV em torno de R$ 124 milhões por dia no primeiro mês do ano.
“Os números refletem a liquidez e a segurança operacional desse mercado, atraindo tanto investidores individuais quanto institucionais que buscam diversificação internacional sem precisar recorrer a plataformas fora do ambiente regulatório brasileiro”, destaca a responsável por Produtos de Equities da B3.
Fonte: Bora investir

