A fortuna total dos magnatas aumentou em mais de 16% no último ano de 2025, alcançando a marca histórica de US$ 18,3 trilhões. Esta ascensão, três vezes mais acelerada em comparação com a média dos anos anteriores, foi revelada no estudo “Enfrentando a Dominância dos Abastados”, apresentado pela entidade Oxfam nesta quarta-feira, 14, durante o início do Fórum Econômico Mundial em Davos. Enquanto os mais afortunados continuam acumulando riquezas sem precedentes, metade da população global vive em situação de carência.
- O patrimônio dos super-ricos cresceu 81% desde 2020;
- No território brasileiro, 66 indivíduos bilionários possuem US$ 253 bilhões, a maior fortuna da América Latina;
- O número de bilionários ultrapassou 3.000 pela primeira vez; Elon Musk atingiu a marca de 500 bilhões de dólares;
- Os bilionários detêm mais da metade das principais companhias de comunicação e todas as plataformas de mídia social globais.
Concentração de recursos no Brasil e mudanças tributárias
O Brasil se mantém como epicentro da desigualdade financeira na região, abrigando a maior quantidade de bilionários da América Latina e do Caribe. Essa realidade convive com um sistema tributário historicamente regressivo, que incide principalmente sobre o consumo e os trabalhadores, prejudicando particularmente mulheres, indivíduos negros e famílias de renda mais baixa.
Conforme Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, a discrepância de renda é o resultado de decisões políticas. “Quando poucos detêm tamanha riqueza e pagam proporcionalmente menos impostos, toda a sociedade sai prejudicada”, argumenta. Embora as alterações no imposto de renda tenham ampliado as isenções para a base da pirâmide, a organização defende que o país deve avançar na tributação de dividendos e grandes fortunas para reduzir desigualdades históricas.
O poder político e o domínio da comunicação
A Oxfam alerta para um “déficit político perigoso” decorrente da lacuna entre os super-ricos e o restante da população. Estima-se que um bilionário tenha 4.000 vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que um cidadão comum. O relatório destaca que a gestão de Donald Trump nos EUA impulsionou essa tendência por meio de reduções tributárias para a elite e do incentivo às tecnologias de inteligência artificial.
Além do poder institucional, a capacidade de influenciar as narrativas está centralizada. Figuras como Jeff Bezos (Washington Post), Elon Musk (X) e Patrick Soon-Shiong (Los Angeles Times) controlam o setor de comunicação. Na França, o magnata Vincent Bolloré comanda a CNews, que foi reformulada como uma versão francesa da Fox News. No Reino Unido, quatro famílias controlam três quartos da circulação dos jornais.
O relatório ressalta que o aumento da desigualdade está diretamente ligado à deterioração da democracia. Em países com alta disparidade de renda, as chances de retrocesso no Estado de Direito são sete vezes maiores. Em 2024, as liberdades civis registraram o 19º ano consecutivo de declínio.
“Os governos estão fazendo escolhas equivocadas para agradar a elite e preservar a riqueza, enquanto restringem os direitos dos cidadãos”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam Internacional. A organização estima que o incremento de 2,5 trilhões de dólares na riqueza dos bilionários somente no último ano seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.
A Oxfam advoga que os países adotem estratégias nacionais para reduzir a desigualdade, implementem políticas tributárias progressivas e estabeleçam barreiras rígidas contra a influência política das grandes fortunas, assegurando a independência da mídia e a proteção das liberdades de associação e expressão.
*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro da B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

