Anos atrás, a BlackRock, uma das principais empresas de gestão de investimentos global, vem divulgando análises sobre as forças poderosas que estão influenciando a economia e as finanças, como a fragmentação geopolítica e a transição energética. Neste momento, no entanto, uma dessas tendências está se destacando: a Tecnologia Cognitiva (TC).
“Esta mudança de um crescimento leve em capital para um crescimento intensivo em capital está alterando profundamente o ambiente de investimento e desafiando fronteiras em várias áreas – física, financeira e sociopolítica”, conforme mencionado no relatório da BlackRock. “A TC é a força poderosa atualmente e tem sido um impulsionador para a valorização das ações dos EUA para níveis recordes neste ano”.
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Com este avanço tecnológico previsto – e apesar das preocupações em relação a uma possível bolha –, a BlackRock tem dado prioridade às ações americanas em suas alocações. “Nossa preferência por ações americanas não deriva de uma análise macroeconômica dos EUA, mas sim apesar desta situação nos EUA”, afirma Christensen, que salienta que ainda existem incertezas em relação à inflação, ao mercado de trabalho e à trajetória da dívida pública americana.
“Porém, ao identificarmos geograficamente os setores e empresas mais adequados para se beneficiar da Tecnologia Cognitiva e outras transformações no mundo, os EUA estão no topo da lista”, resume.
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De acordo com o relatório, essa megatendência se desdobra em três temas principais:
1. O Pequeno também é Grande
O montante de investimento para estabelecer a base da TC é tão significativo que impacta toda a economia. Apesar de as receitas futuras poderem justificar o investimento, há incertezas sobre quem colherá esses frutos. A BlackRock acredita que este é um momento propício para estratégias ativas: investidores capazes de identificar as empresas vencedoras poderão obter bons resultados.
2. Competição pela TC aumenta alavancagem – e riscos
Dado o alto volume de investimentos necessário, as empresas precisarão buscar fontes de financiamento. Até o momento, conforme destaca Axel Christensen, estrategista-chefe de investimentos da BlackRock, as empresas ainda não precisaram recorrer ao mercado para obter capital destinado à Tecnologia Cognitiva. Entretanto, isso poderá mudar em breve. E embora as empresas também possam adotar estratégias de ações para obter esse financiamento, a BlackRock prevê que a principal fonte será o crédito – uma forma de financiamento associada a mais riscos, devido ao nível de alavancagem, alerta Christensen.
“Juntamente com governos altamente endividados, isso resulta em um sistema financeiro mais alavancado e vulnerável a impactos – incluindo picos nas taxas de juros dos títulos, ligados a tensões políticas entre inflação e sustentabilidade da dívida”, destaca o relatório.
3. A Ilusão da Diversificação
Este cenário também cria uma falsa sensação de diversificação. Segundo a BlackRock, as estratégias convencionais de diversificação, que combinam ações e títulos de renda fixa, já não são tão eficazes na redução do risco como no passado. Afinal, a renda fixa, nos dias de hoje, é mais volátil do que antes.
“Não enxergamos a renda fixa como uma forma de reduzir o risco, como costumavam ser os títulos de renda fixa de longo prazo. A volatilidade nos títulos públicos americanos tende a persistir”, aponta Christensen.
Para a BlackRock, os portfólios devem estar preparados com um plano B claro e ser flexíveis para se adaptar rapidamente. O contexto atual também requer alocações menos tradicionais, como em ouro ou mercados privados.
Enquanto isso, a desvalorização do dólar e o desempenho de outros ativos podem oferecer uma diversificação. “O dólar perdeu 8% este ano contra uma cesta de moedas. Essa desvalorização do dólar tem levado as pessoas a diversificar em outras moedas. Este ano também foi recorde para o ouro, fornecendo proteção quando o dólar está enfraquecido e em meio a incertezas. Observamos também um aumento na demanda por ativos digitais, como criptomoedas”.
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Fonte: Bora investir

