O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central comunica hoje sua decisão sobre a taxa primária de juros, havendo uma expectativa predominante no mercado financeiro de um novo corte de 0,25 ponto percentual, embora alguns observadores considerem a possibilidade de manutenção da Selic em 14,5% ao ano.
A análise dos dados do painel divulgado no site da B3 revela uma alteração significativa na percepção dos investidores nos últimos dias. No final de maio, a redução de 0,25 ponto percentual era amplamente prevista, com uma probabilidade superior a 80%. A partir do início de junho, a manutenção da Selic ganhou destaque e passou a liderar as expectativas, chegando a cerca de 70% nos dias 9 e 10 de junho. No entanto, a partir de certo momento, a tendência se inverteu novamente, com a redução de 0,25 ponto retornando ao centro das expectativas.
A reunião do Copom acontece em um contexto de aceleração da inflação no país, mas também próximo à esperada assinatura de um tratado de paz entre Estados Unidos e Irã. Nesta terça-feira, o barril de petróleo Brent caiu novamente e encerrou pela primeira vez desde março abaixo de US$ 80.
Nos Estados Unidos, a perspectiva predominante é de manutenção das taxas pelo Fed (Federal Reserve) hoje, na faixa de 3,50% a 3,75%.
O Próximo Corte pode ser o Último em 2026
A previsão principal da equipe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual é de um último corte de 0,25 ponto, seguido de estabilidade até o fim de 2026.
“Considerando a deterioração expressiva do panorama desde a última reunião e a maior assimetria dos riscos, a decisão mais apropriada seria parar já em junho, porém a comunicação do BC continuou apontando para a continuidade do ajuste.”
A constante piora nas projeções de inflação tem levado o mercado a prever menos cortes nos juros até o final do ano. De acordo com o último boletim Focus, a taxa primária esperada para o final de 2026 passou a ser estimada em 13,75%, e em 12% em 2027, em comparação com 13,50% e 11,50%, respectivamente, na semana anterior.
Para José Aureo Viana, economista, sócio e consultor da Blue3 Investimentos, a comunicação da decisão do Copom hoje deve ter mais peso do que a decisão em si.
“A política monetária continua bastante restritiva, o que possibilita algum ajuste. Contudo, o Copom deve manter uma postura prudente diante da inflação acima da meta, das expectativas pressionadas, da incerteza fiscal e da sensibilidade do câmbio ao cenário externo. A recente redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio contribui para aliviar parte da pressão sobre o petróleo, inflação e dólar. No entanto, este fator parece favorecer mais uma melhoria tática dos ativos do que uma mudança estrutural no panorama. Se o preço do petróleo voltar a subir, ou se o Fed adotar uma postura mais severa, o espaço para novos cortes no Brasil pode ficar mais restrito”, avalia.
*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro da B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

