O Indicador Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), versão antecipada da inflação oficial do país, obteve 0,84% em fevereiro, subindo em relação à taxa de 0,20% registrada em janeiro, divulgado nesta sexta-feira (27) pelo IBGE.
O desfecho foi superior às previsões. Análise da Reuters com especialistas em economia previa um aumento de 0,57% para o período. Ao longo dos últimos 12 meses, contudo, o IPCA-15 alcançou 4,10%, abaixo dos 4,50% observados nos 12 meses anteriores. No entanto, também superou a projeção de 3,82%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) explicou que o aumento do índice em fevereiro foi impulsionado pelas correções nas mensalidades de escolas e cursos que ocorrem no início do ano letivo.
O que causou o aumento
No setor Educação (5,20%), a principal contribuição veio dos cursos convencionais (6,18%). As maiores variações foram notadas nos preços do colégio (8,19%), ensino básico (8,07%) e pré-escolar (7,49%).
O segmento Transportes (1,72%) também teve impacto no desfecho de fevereiro. Os combustíveis tiveram alta de 1,38%, com acréscimos nos preços do álcool (2,51%), da gasolina (1,30%) e do diesel (0,44%), enquanto o GNV registrou uma baixa de 1,06%. Por sua vez, o subitem ônibus urbano teve um aumento de 7,52% devido ao reajuste de tarifas em várias cidades.
No setor Alimentação e Bebidas (0,20%), os maiores aumentos foram no tomate (10,09%) e nas carnes (0,76%), e, em termos de diminuição, destacaram-se o arroz (-2,47%), o frango em pedaços (-1,55%) e as frutas (-1,33%). Confira aqui mais detalhes.
Principais impactos no IPCA-15 de fevereiro
- Ensino básico: 8,07%
- Passagem de avião: 11,64%
- Ônibus urbano: 7,52%
- Ensino superior: 4,23%
- Gasolina: 1,30%
- Seguro voluntário de veículo: 5,62%
- Taxa de água e esgoto: 1,97%
- Ensino médio: 8,19%
- Pré-escola: 7,49%
- Carro novo: 0,98%
- Tomate: 10,09%
- Etanol: 2,51%
- Conserto de carro: 1,27%
- Alimentação: 0,62%
- Plano de saúde: 0,49%
Objetivo de inflação e projeções
O centro da meta oficial para o IPCA é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O relatório Focus, que reflete a percepção do mercado em relação aos indicadores econômicos, indicou que a previsão atual para o aumento do IPCA neste ano é agora de 3,91%, em comparação com 3,95% na semana anterior. Para 2027, a estimativa permanece em 3,80%.
Com a taxa básica de juros a 15%, o Banco Central se reunirá no próximo mês para decidir sobre a Selic em meio a amplas expectativas de iniciar um ciclo de diminuição.
“Embora o acumulado em 12 meses tenha caído para 4,10%, abaixo dos 4,50% anteriores, o dado atual traz um alerta significativo. A inflação de serviços e os núcleos continuam pressionados, o que reduz as possibilidades de um início mais agressivo do ciclo de cortes”, opinou Pablo Spyer, conselheiro da Ancord.
*Texto originalmente divulgado em IstoÉ Dinheiro, parceiro do portal Bora Investir
Fonte: Bora investir

