O líder do Conselho Monetário Federal (Fed), Jerome Powell, denunciou o presidente Donald Trump por utilizar uma acusação criminal como meio de coação para exigir a diminuição de juros no país. O Fed atua como o Banco Central dos EUA, responsável por determinar a taxa básica de juros da nação.
Em declaração emitida neste domingo (11), Powell comunicou ter recebido um aviso do Departamento de Justiça contendo uma ameaça de processo crime relacionado a um plano para renovação dos edifícios do Fed.
“Ninguém, em especial não o presidente do Conselho Monetário Federal, está acima da lei. No entanto, essa medida inédita deve ser interpretada considerando as ameaças e a pressão constante do governo”, declarou Powell.
O líder do Fed alega que a ameaça não guarda conexão com a modernização dos edifícios da instituição, mas seria apenas uma desculpa.
“Estes são pretextos. A ameaça de processos criminais resulta do Conselho Monetário Federal fixar as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, ao invés de seguir as preferências do presidente”, comentou Powell.
Powell adicionou que está em jogo se o Fed conseguirá continuar a determinar as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas ou se a política monetária “será influenciada por pressões políticas ou intimidações”.
Trump rejeita pressionar
Interpelado por repórteres sobre a investigação contra o presidente do Fed, Trump afirmou que não tinha conhecimento do caso.
“Desconheço o assunto, porém ele certamente não se sai muito bem no Fed, e também não é muito competente em construir edifícios”, disse Trump à NBC News, acrescentando que a acusação não está associada aos juros elevados.
“Jamais cogitaria agir dessa forma. O que deveria exercer pressão sobre ele é o fato de as taxas estarem excessivamente altas. Esta é a única pressão que ele tem”, completou o líder estadunidense.
Desde que iniciou o segundo mandato, Trump tem criticado o presidente do Fed por não implementar cortes significativos nas taxas de juros, já tendo ameaçado destituir Powell. O mandato dele encerra em maio deste ano, quando Trump deve escolher outro nome.
Autonomia do Fed
A medida contra o presidente do Fed resultou em críticas acerca de interferências do Poder Executivo na independência do Banco Central dos EUA, que detém o poder de estabelecer as taxas de juros gerais da economia.
O senador republicano Thom Tillis, do Comitê Bancário do Senado, manifestou que vai se opor à indicação do substituto de Powell por Trump até que a questão legal contra o presidente do Fed seja solucionada.
“Se ainda pairava alguma incerteza sobre se os assessores do governo Trump estão ativamente pressionando para minar a independência do Federal Reserve, agora não deve existir mais. Agora, a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça estão em risco”, declarou em uma rede social.
*Agência Brasil
Fonte: Bora investir

