O começo de 2026 foi caracterizado por aumentos consecutivos e marcas elevadas no Índice Bovespa B3, o principal indicador do mercado de ações do Brasil. O índice avança mais de 20% neste ano com o excelente desempenho de suas ações – e com algumas performances notáveis.
Em um contexto global marcado pela geopolítica e pela guerra entre Estados Unidos e Irã, o principal elemento que impulsionou as ações líderes no ranking de ganhos no primeiro trimestre de 2026 foi o aumento do petróleo.
Assim, Petrobras, com a PETR3 e a PETR4, e a Prio (PRIO3) ocupam as três primeiras posições dos papéis com os maiores crescimentos no 1º trimestre do ano, com valorização superior a 50%. Confira!
Os 20 papéis brasileiros com maiores avanços no 1º trimestre de 2026
| Empresa | Código | Setor | Participação no índice (%) | Retorno (%) | ||
| Ibovespa | Small Caps | IDIV | ||||
| Petrobras | PETR3 | Exploração refino e distribuição | 5,73 | – | 6,82 | 65,52 |
| Prio | PRIO3 | Exploração refino e distribuição | 1,89 | – | – | 59,85 |
| Petrobras | PETR4 | Exploração refino e distribuição | 7,79 | – | 6,9 | 57,92 |
| CBA | CBAV3 | Minerais metálicos | – | 0,63 | – | 46,24 |
| São Martim | SMTO3 | Açúcar e álcool | – | 0,73 | – | 40,21 |
Amplamente reconhecida pelos investidores, a Petrobras lidera a lista com a PETR3 subindo 65% no período. Enquanto isso, a outra ação da estatal, a PETR4, figura em 3º lugar com + 57,92%. Já a PRIO3, a segunda colocada, registrou crescimento de 59,85%.
Segundo Danilo Coelho, economista, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, em relação às petrolíferas, a área de combustível é fortemente influenciada pela expectativa de prolongamento do conflito por um período mais extenso. E essa perspectiva de preços do petróleo mais elevados por um período mais longo beneficia, principalmente, as empresas exportadoras de petróleo.
“A recente valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões geopolíticas e preocupações com a redução da oferta global, tem beneficiado de maneira significativa empresas do setor de óleo e gás. Tanto Petrobras quanto PRIO têm potencial para apresentar uma melhoria significativa em seus resultados em cenários de preços mais altos por barril, visto que isso impacta positivamente suas receitas e margens de lucro”, ressalta Paula Sauer, professora da FIA Business School.
Sauer ainda destaca um bom ciclo do mercado de commodities neste início de ano, além do petróleo, que beneficiou CBA e São Martinho. As ações dessas duas empresas completam o top 5 do ranking de maiores valorizações da bolsa no primeiro trimestre do ano, com +46,24 e +40,21, respectivamente.
“No cenário da CBA, produtora de alumínio, a situação também é promissora. O metal tem mostrado uma recuperação de preços diante das expectativas de uma retomada gradual da atividade econômica global, juntamente com restrições na oferta em alguns mercados. Além disso, a desvalorização cambial favorece exportadoras brasileiras, aumentando a competitividade e os resultados da empresa”, aponta a professora.
Sobre a São Martinho, Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, destaca que a companhia é uma das principais produtoras de cana-de-açúcar e etanol do Brasil. No entanto, ele adverte que o movimento gera uma fase de realização após várias quedas, e que o balanço trimestral da empresa apresentou aspectos que exigem uma análise cuidadosa.
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B3 e Natura em evidência
Além dos setores beneficiados diretamente pelo lado das commodities, Natura (NATU3) e B3 (B3SA3) se destacam como ‘outsiders’ no ranking de melhores ações do início do ano. A primeira subiu 40,13% no primeiro trimestre, e a bolsa brasileira cresceu 36,2%.
Conforme o economista Danilo Coelho, a Natura, em particular, passou por uma renovação em parte de seu conselho. “Essa medida foi bem recebida pelo mercado, que passou a enxergar a empresa com uma perspectiva um pouco mais favorável e previsível”.
Já a B3, segundo a professora da FIA Business School, tende a se beneficiar de um ambiente mais otimista nos mercados. “A expectativa de redução da taxa básica de juros no Brasil favorece a transferência de recursos para ativos de maior risco, como ações. Esse movimento tende a aumentar o volume de negociações na bolsa, principal fonte de receita da empresa”.
Ela também destaca que uma eventual retomada do fluxo de investidores estrangeiros e a ampliação da participação de pessoas físicas no mercado funcionam como fatores adicionais de estímulo para os papéis da B3.
Fonte: Bora investir

