No passado mês de maio, a B3 viu concretizado o primeiro acordo que envolve um contrato de Opção Versátil, que tem como garantia o ETF HASH11, um fundo negociado em bolsa que replica o desempenho do Índice Cripto Nasdaq, um índice internacional composto por uma diversa variedade de ativos digitais. A transação foi realizada entre Inter e XP, marcando a entrada de um produto relacionado ao mundo criptográfico em um formato de derivativo adaptável e com respaldo central.
Para a B3, o acordo relativo à exposição ao mercado de criptomoedas representa mais um passo em frente na utilização de instrumentos financeiros personalizados, incorporando ativos que cresceram em importância nas carteiras de investidores ao longo dos últimos anos. “Esta transação destaca o avanço do mercado brasileiro na sofisticação de instrumentos para diversas classes de ativos. As Opções Versáteis possibilitam que os intervenientes construam soluções adaptadas, beneficiando da segurança da infraestrutura e da gestão de risco de contraparte central providenciada pela B3”, afirma Claudia Bortoletto, diretora de Derivativos Personalizados, Renda Fixa e Fundos da B3.
As Opções Versáteis são contratos de derivativos transacionados no mercado de balcão da B3, onde comprador e vendedor podem discutir condições personalizadas, tais como prazo de vencimento, preço de exercício, quantidade, prémio e até mesmo a inclusão de funcionalidades como limites e barreiras. O instrumento confere ao detentor o direito, mas não a obrigação, de adquirir ou vender o ativo subjacente ou receber o ajuste financeiro correspondente, de acordo com as condições negociadas entre as partes.
A diferença em relação a uma Opção Listada reside no nível de padronização e no processo de negociação. No mercado listado, os contratos de Opção são disponibilizados com prazos de vencimento em séries fixadas previamente pela bolsa (mensal, semanal, etc.) e têm os seus preços definidos em ecrã ao longo das sessões de negociação. Por imposição regulatória, todos os contratos listados contam com a garantia de contraparte, ou seja, a Câmara B3 atua como compradora em relação ao vendedor e como vendedora em relação ao comprador, reduzindo assim o risco de incumprimento por parte de uma das partes.
Por outro lado, no mercado de balcão, devido à natureza bilateral das transações, as partes podem decidir livremente se a B3 atuará ou não como contraparte central garantidora (CCP). Nesta transação em particular, a Câmara B3 desempenhou o papel de CCP, intermediando o risco entre as partes após a aceitação do negócio, com os mecanismos de garantia, gestão de risco, compensação e liquidação aplicáveis.
“Esta iniciativa representa mais um avanço do Inter na oferta de soluções sofisticadas para investidores no mercado de ativos digitais. A estrutura que envolve a opção flexível do HASH11 no mercado de balcão, com a garantia da B3, reforça o nosso compromisso em disponibilizar instrumentos inovadores, seguros, eficientes e alinhados com a crescente procura por estratégias de investimento mais personalizadas”, afirma Monica Saccarelli, diretora de Investimentos do Inter.
“A transação evidencia o progresso do mercado financeiro brasileiro na acomodação de ativos mais complexos. A XP está atenta a esta evolução e observa uma procura crescente por soluções mais personalizadas, que ofereçam eficiência operacional e reduzam o risco de contraparte”, declara Leandro Cruz, Head de Mercados Globais da XP.
Atualmente, o volume de Opções Versáteis no mercado de balcão com CCP na B3 ultrapassa os R$ 100 bilhões.
Fonte: Bora investir

