Quando o tema é criptomoeda, o Bitcoin geralmente atrai quase toda a atenção. No entanto, em um mercado cada vez mais ligado ao sistema financeiro tradicional, parte do interesse dos investidores também se voltou para ativos digitais que representam instrumentos conhecidos por muitas décadas: o dólar e o ouro.
A lógica é fácil. Em situações de incerteza econômica ampla, debates sobre taxas de juros, tensões geopolíticas e preocupações sobre inflação, investidores costumam buscar ativos de segurança. No mercado convencional, isso geralmente se traduz em dólar e ouro.
Dentro do universo das criptomoedas, essa mesma ideia se manifesta em duas variações digitais: stablecoins lastreadas no dólar, como o USDT, e tokens garantidos por ouro físico, como o Tether Gold (XAUT).
Esses ativos não oferecem a mesma potencialidade de ganhos de uma altcoin menos conhecida nem a mesma narrativa de escassez absoluta do Bitcoin. O conceito é diferente: permitir exposição digital a ativos tradicionais, com liquidez, funcionalidade em blockchain e acesso mais facilitado para aqueles que já estão inseridos no ecossistema das criptomoedas.
É uma maneira de utilizar a infraestrutura de ativos digitais para ingressar em mercados reconhecidos, porém com uma abordagem distinta da aquisição de dólar em espécie, fundos cambiais, ouro físico ou contratos financeiros tradicionais.
Essa estratégia também está ganhando popularidade no Brasil. Dados da Receita Federal analisados pelo Portal do Bitcoin indicam que o volume de stablecoins no país aumentou 480 vezes em seis anos, atingindo R$ 361 bilhões em 2025. O ápice mensal foi em novembro, quando esses ativos movimentaram R$ 37,6 bilhões, um valor 4,5 vezes superior ao melhor mês da história do Bitcoin no Brasil.
Agora, além dos benefícios da exposição ao ouro e ao dólar, investidores também têm a possibilidade de receber cashback em Bitcoin. A exchange de criptomoedas nacional MB | Mercado Bitcoin lançou nesta quarta-feira (13) sua mais recente iniciativa de Super Quarta, em parceria com a Tether, que oferecerá cashback de 3% em Bitcoin para compras de XAUT, e 2% para compras de USDT.
Em produtos selecionados de Renda Fixa Digital, os investidores têm a oportunidade de receber até 5% de cashback em Bitcoin durante a campanha válida até sexta-feira (15).
USDT: o dólar eletrônico dominante no Brasil
O USDT é a principal stablecoin do planeta e foi concebido para manter a paridade de 1 para 1 com o dólar americano. Na prática, ele atua como uma representação digital do dólar no universo das criptomoedas, possibilitando que investidores mantenham exposição à moeda dos Estados Unidos, realizem transferências entre plataformas e reduzam temporariamente a volatilidade de uma carteira sem sair do ambiente blockchain.
A importância desse mercado é evidenciada pelas estatísticas globais. Conforme o CoinGecko, o USDT ocupa a terceira posição entre as maiores criptomoedas do mundo, com capitalização de mercado superior a R$ 930 bilhões e volume diário acima de R$ 430 bilhões. A oferta em circulação ultrapassa 189 bilhões de tokens.
A Tether, empresa responsável pelo USDT, também está ampliando sua presença para além do universo das criptomoedas. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido de US$ 1,04 bilhão, ativos totais de cerca de US$ 191,7 bilhões e passivos de US$ 183,5 bilhões.
No Brasil, o USDT se estabeleceu como o principal meio de acesso à chamada dolarização digital. As stablecoins movimentam mais capital do que o Bitcoin de mês a mês no país desde novembro de 2021, com a liderança sendo predominantemente da Tether.
Esse comportamento reflete uma demanda prática: muitos usuários buscam stablecoins não apenas para especular, mas para acessar dólar, preservar valor, realizar remessas ou manter liquidez em uma moeda sólida.
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Para o investidor, a principal vantagem do USDT é a relativa previsibilidade em dólar. Se o real se desvaloriza, o valor em reais do token tende a seguir a cotação da moeda americana. Além disso, o dólar é amplamente considerado a moeda mais robusta do mundo, tornando vital ter uma parte do investimento atrelado a esse ativo para acompanhar sua solidez.
XAUT: o ouro digital da Tether
O Tether Gold (XAUT) segue uma lógica similar, porém ao invés de representar dólar, busca representar ouro físico. Cada token XAUT equivale à propriedade de uma onça troy fina de ouro alocada em barras físicas que seguem o padrão Good Delivery da London Bullion Market Association (LBMA).
A intenção é modernizar o ouro, tornando-o um ativo mais acessível e simples de utilizar. Comprar ouro físico implica em custos de armazenamento, segurança, transporte, spread e, frequentemente, baixa praticidade para negociação. Por outro lado, a tokenização do ouro busca inserir esse ativo em uma estrutura digital, possibilitando transferências, custódia em carteira e negociações em plataformas de criptomoedas.
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O interesse pelo tema cresceu à medida que o ouro valorizou e a demanda global por proteção aumentou. A tokenização moderniza o ouro ao torná-lo uma alternativa mais acessível, líquida e integrada ao ambiente digital. Além disso, o valor de mercado total do ouro tokenizado ultrapassou US$ 6 bilhões, impulsionado pela busca por ativos de resguardo e por produtos como o XAUT.
A própria Tether tem fortalecido essa vertente. As reservas de ouro da empresa para o token XAUT atingiram 22,2 toneladas no primeiro trimestre de 2026, um acréscimo de 6 toneladas em relação ao final de dezembro. O CoinGecko também indica que o valor de mercado do XAUT ultrapassou US$ 3,3 bilhões no período, em meio à expansão do mercado de metais preciosos tokenizados.
Na prática, o XAUT pode interessar àqueles que buscam exposição ao ouro sem necessariamente adquirir o metal físico. Como o token acompanha o preço do ouro, tende a ser impactado por elementos como inflação, juros reais, dólar, tensões geopolíticas e demanda por ativos de proteção.
USDT e XAUT ilustram como o mercado das criptomoedas evoluiu para além de apenas ativos nativos como Bitcoin, Ethereum e altcoins. Cada vez mais, ele atua como uma camada digital para instrumentos tradicionais. Dentro de um mesmo contexto, o investidor consegue explorar o dólar, o ouro e o Bitcoin, e, em alguns casos, ainda pode receber parte do investimento de volta com cashback.
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Fonte: Portal do Bitcoin

