O Bitcoin registrou uma queda de aproximadamente 27% até o momento em 2026, impactado por investimentos fracos e por investidores de varejo que transferiram, em grande parte, seu entusiasmo para ações de inteligência artificial. No entanto, os especialistas da Bernstein permanecem otimistas, defendendo que a estabilidade em curso da criptomoeda é um sinal de crescente solidez institucional, e não de um declínio estrutural.
Em um estudo divulgado na segunda-feira, a equipe de Ativos Digitais Globais da Bernstein destacou uma queda significativa nos investimentos direcionados ao Bitcoin este ano. Os fluxos líquidos provenientes de fundos de bolsa negociados e compradores corporativos caíram para cerca de US$ 12 bilhões até o momento, em comparação com US$ 60 bilhões ao longo de todo o ano de 2025 — uma diminuição de 80%. Os ETFs do Bitcoin, de fato, mostraram saídas líquidas no valor de US$ 2,6 bilhões de um total de ativos de US$ 75 bilhões.
Contudo, os analistas interpretaram essa retirada de forma positiva. Investidores de varejo, afirmaram, simplesmente passaram a buscar ações relacionadas à inteligência artificial, deixando a base de detentores de Bitcoin cada vez mais dominada por players institucionais, fundos de pensão, fundos soberanos e compradores corporativos — uma base mais estável se comparada às multidões especulativas que impulsionaram ciclos anteriores.
A Strategy, empresa de software que se transformou em uma grande detentora de Bitcoin, continuou sua acumulação de forma agressiva, apesar das quedas recentes. A companhia levantou US$ 7,5 bilhões por meio de ações preferenciais (STRC) este ano, utilizando os fundos para adquirir aproximadamente 100.000 bitcoins. Atualmente, a empresa detém mais de 845.000 BTC, avaliados em cerca de US$ 53,6 bilhões.
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No momento da redação, a capitalização de mercado das criptomoedas está em torno de US$ 2,25 trilhões — uma fração dos mercados globais de ações e commodities, que continuam sendo a principal preferência da maioria dos investidores neste momento. Muitas empresas de mineração de Bitcoin migraram para centros de dados de inteligência artificial, como IREN e Cipher Digital, obtendo ganhos consideráveis nesse processo.
Apesar de o Bitcoin estar sendo negociado um pouco acima de US$ 63.000 no momento, cerca de 50% abaixo de sua máxima em outubro, a Bernstein manteve sua projeção de preço de longo prazo para o Bitcoin em US$ 150.000 até o final do ano — uma aposta otimista em meio à agitação do mercado.
“Percebemos que essa fase de maturação do Bitcoin não é totalmente reconhecida, e as críticas são, em grande parte, decorrentes da falta de interesse do varejo — o que pode não ser necessariamente prejudicial, considerando o foco atual do varejo em inteligência artificial”, escreveram. “O fato de o Bitcoin estar ‘insosso’ neste ciclo não deve ser interpretado como algo negativo e não diminui o valor da tese de longo prazo como ‘reserva de valor’, de acordo com nossa análise.”
* Texto traduzido e adaptado com permissão da Decrypt.
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Fonte: Portal do Bitcoin

