O painel consultivo quântico da Coinbase está encorajando os programadores de blockchain a começarem a se organizar para um futuro pós-quântico desde já, sustentando que as tarefas técnicas de atualização do Bitcoin, do Ethereum e de outras plataformas não devem aguardar por um consenso sobre como lidar com moedas frágeis ou abandonadas.
Em um novo documento publicado na quinta-feira (11), o grupo destacou uma das questões mais polêmicas que a indústria tem pela frente: o que fazer com as criptomoedas que permanecem em endereços desprotegidos contra possíveis ataques quânticos.
“Nenhum computador quântico tem capacidade para violar a criptografia blockchain atualmente”, mencionou o grupo. “No entanto, os prazos são incertos, e a comunidade criptográfica deve começar a se preparar imediatamente, ao invés de gastar tempo debatendo quando a ameaça se materializará.”
Inaugurado em janeiro, o Conselho Consultivo Independente de Computação Quântica e Blockchain da Coinbase reúne estudiosos da academia e da indústria, incluindo representantes da Universidade de Stanford, da Universidade do Texas em Austin, da Fundação Ethereum, da Eigen Labs, da Universidade Bar-Ilan e da UC Santa Barbara, para pesquisar os riscos quânticos nas redes blockchain.
O relatório surge enquanto especialistas alertam que um “computador quântico criptograficamente relevante” — um com poder suficiente para decifrar as assinaturas digitais de curva elíptica que protegem o Bitcoin, o Ethereum e outras grandes blockchains — tem grande probabilidade de existir já em 2030.
Segundo o painel consultivo, a questão pode impactar milhões de Bitcoins mantidos em endereços antigos, nos quais as chaves públicas já foram expostas, deixando-os vulneráveis a futuros ataques quânticos.
“Muitos desses Bitcoins são considerados moedas de Satoshi ou fundos cujos donos perderam o acesso há bastante tempo”, relataram. “Com considerações sobre a reutilização de endereços em outros formatos, cerca de 7 milhões de Bitcoins ao todo são atualmente suscetíveis a ataques quânticos.”
O relatório sugere três alternativas para as moedas que não forem transferidas para endereços seguros contra ataques quânticos. Em primeiro lugar, congelá-las (ou eliminá-las) definitivamente após um determinado prazo. Em segundo lugar, não tomar nenhuma ação e permitir que os usuários decidam por si mesmos, acrescentando que “forçar a eliminação das moedas compromete os direitos de propriedade e cria um precedente para intervenções a nível de rede que entram em conflito com os princípios fundamentais do Bitcoin”. Em terceiro lugar, adotar medidas intermediárias, como restringir a quantidade de moedas vulneráveis que podem ser transferidas por bloco ou aceitar provas criptográficas especiais no lugar de assinaturas tradicionais, e permitir que os usuários “se comprometam previamente com as transferências sem mover publicamente os fundos ainda”.
“Enfatizamos que as propostas mencionadas são complementares; não há motivo para não implementar mais de uma ou todas elas, já que cada uma apresenta suas próprias vantagens”, explicaram.
O debate surge à medida que as principais redes blockchain começam a se organizar para um futuro pós-quântico.
Em janeiro, a Fundação Ethereum criou uma equipe para coordenar a transição do Ethereum para uma segurança pós-quântica e explorou a substituição das assinaturas dos validadores e das carteiras por alternativas resistentes a ataques quânticos. Isso foi seguido em fevereiro pelo cofundador da Ethereum, Vitalik Buterin, que delineou um plano de atualização quântica.
Em abril, o conselho consultivo da Coinbase alertou que as redes proof-of-stake, incluindo o Ethereum e a Solana, podem ser particularmente vulneráveis a futuros ataques quânticos, já que as assinaturas dos validadores usadas para proteger essas blockchains dependem de criptografia que computadores quânticos podem, eventualmente, desvendar.
Na terça-feira, a Fundação de Desenvolvimento Stellar revelou um plano para a transição dos usuários para uma criptografia segura contra ataques quânticos. Enquanto isso, os desenvolvedores do Bitcoin continuam debatendo sobre como as moedas vulneráveis devem ser transferidas — e o que deve ser feito com aquelas que permanecerem inativas.
“O momento adequado para se preparar para uma mudança criptográfica é antes que se torne uma urgência”, declarou um representante do Conselho Consultivo da Coinbase anteriormente ao Decrypt. “Nossa visão é de que os ativos dos clientes estão protegidos no momento, mas a indústria não deve confundir ‘não imediato’ com ‘não crucial’.”
* Traduzido e editado com permissão do Decrypt.
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Fonte: Portal do Bitcoin

