O Bitcoin ainda conserva sua posição de destaque no mercado cripto, porém não monopoliza mais a atenção dos investidores profissionais. Segundo Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, as stablecoins e a tokenização passaram a despertar maior interesse por parte dos assessores financeiros do que a própria criptomoeda.
Essa constatação foi feita após uma série de encontros com mais de 40 assessores financeiros nesta semana. Durante um único dia, Hougan mencionou ter participado de oito chamadas de negócios com equipes do setor. A conclusão principal, de acordo com ele, é que os assessores continuam interessados em cripto mesmo no cenário de baixa atual, porém o enfoque está se deslocando para aplicações mais pragmáticas da tecnologia.
“Eles estão mais interessados em stablecoins e tokenização do que em Bitcoin”, afirmou Hougan em um artigo divulgado na quarta-feira (10).
Essa mudança é notável, considerando que o próprio executivo avalia o preço atual do Bitcoin, que ultrapassa US$ 60 mil, como extremamente atrativo para investidores de longo prazo. Hougan reconhece também que, historicamente, o Bitcoin tem tendido a liderar as recuperações do mercado cripto após períodos de baixa, por ser o ativo digital mais amplo e consolidado.
Mesmo assim, o interesse dos assessores parece estar migrando para aplicações mais concretas da indústria cripto, principalmente em pagamentos com stablecoins e tokenização de ativos do mercado financeiro convencional. Na visão de Hougan, essa mudança tem duas razões principais.
A primeira é que a ideia de desvalorização das moedas fiduciárias está perdendo força entre os investidores. Ele menciona o ouro, que é negociado cerca de 20% abaixo de sua máxima histórica, como um exemplo de que a busca por proteção contra perda de poder de compra já não é o foco central do mercado.
O segundo motivo é que as stablecoins e a tokenização passaram a dominar as discussões institucionais. Temas que antes eram exclusivos da indústria cripto agora são frequentemente mencionados por figuras como Paul Atkins, presidente da SEC, David Solomon, CEO do Goldman Sachs, e Larry Fink, CEO da BlackRock.
“Os investidores desejam participar disso”, destacou Hougan.
Essa mudança reflete uma transformação mais abrangente no mercado. As stablecoins estão se destacando como infraestrutura para pagamentos, liquidação internacional e transações de dólares em redes blockchain. Já a tokenização busca digitalizar ativos como títulos públicos, fundos, crédito privado, ações e outros instrumentos financeiros.
Para Hougan, esse tipo de aplicação pode ser crucial para determinar a próxima etapa de crescimento da indústria cripto. Ele lembra que, em ciclos anteriores, grandes mercados em alta foram impulsionados pela introdução de novos produtos e novos grupos de investidores.
Após o mercado de baixa de 2014, por exemplo, o Ethereum e os primeiros investidores individuais contribuíram para a recuperação. Após 2018, a DeFi Summer e investidores individuais usando cheques de estímulo nos EUA deram origem a uma nova onda. Após o colapso da FTX em 2022, os ETFs de Bitcoin à vista, investidores individuais em massa e fundos de hedge abriram uma nova fase de entrada de capital.
Agora, o próximo ciclo pode ser impulsionado por stablecoins, tokenização, futuros perpétuos e outras aplicações relacionadas ao mundo real. No entanto, para que a recuperação seja sustentável, Hougan enfatiza que o setor precisa atrair uma nova leva de investidores.
“Minha aposta é que os assessores financeiros e os investidores institucionais, muitos dos quais ainda enfrentam obstáculos para obter exposição a cripto, sejam a melhor esperança”, pontuou. “É uma boa notícia que continuem interessados mesmo em momentos de queda.”
Se os assessores financeiros se tornarem a próxima grande fonte de capital no mercado cripto, Hougan sugere que os fluxos de dinheiro não necessariamente fluirão primeiro para o Bitcoin. Em vez disso, é possível que ativos e empresas ligados a stablecoins e tokenização sejam os grandes beneficiários.
Entre os ativos mencionados pelo executivo estão Ethereum, Solana, Canton, Chainlink e Avalanche, todos citados durante suas conversas com assessores. Ele também destacou tokens mais orientados para negociações, como Hyperliquid, junto a empresas cripto como Figure, Circle e Coinbase.
A relevância desse público é significativa. De acordo com Hougan, os assessores financeiros administram coletivamente mais de US$ 175 trilhões em ativos. Ele acredita que as conversas recentes revelam que esse grupo agora possui uma visão consideravelmente mais ampla e sofisticada sobre o potencial das criptomoedas do que tinham há apenas dois anos.
“Isso é de extrema importância”, ressaltou. “Pode ser o impulso necessário para a próxima onda de alta.”
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Fonte: Portal do Bitcoin

