Para o investidor do Brasil que está começando a aplicar em ativos internacionais, sempre surge a incerteza entre adquirir ações diretamente nos Estados Unidos ou investir através de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) ou ETFs (Exchange Traded Funds) na B3, a bolsa de valores do Brasil. Esta foi uma das questões discutidas no workshop “Carteira mundial, operação regional – A força dos ETFs e BDRs”, realizado nesta quarta-feira (25) no BTG Summit 2026.
Bianca Maria, gestora de produtos da B3, abordou as vantagens, principalmente para iniciantes na busca por uma diversificação em dólar na carteira ou para quem não dispõe de um montante considerável para investir, de optar pelos BDRs, que contam com o princípio da equivalência. Equivalência é o conceito que estabelece a igualdade entre um BDR negociado na B3 e a ação original listada no exterior. Na prática, funciona como um “fator de partilha”, que possibilita ao investidor brasileiro adquirir frações de empresas globais sem a necessidade de adquirir uma ação completa em dólares, o que muitas vezes demandaria um investimento inicial considerável.
Por exemplo, no caso da Apple (AAPL34), se uma única ação na Nasdaq estiver avaliada em US$ 200, a conversão direta pela cotação do câmbio (ex: R$ 5,00) elevaria o preço unitário para R$ 1.000, quantia que poderia dificultar a entrada de muitos investidores. Com os BDRs, a B3 usa a equivalência, possibilitando que cada BDR represente 1/10 da ação original. Dessa forma, investindo cerca de R$ 100,00 por certificado, o investidor já teria acesso a essa ou outras companhias trilionárias do mercado americano, como Nvidia, Tesla, Google, Coca-cola, entre outras.
Outras vantagens de investir localmente em ativos globais incluem a capacidade de negociar em dólar sem a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), e a oportunidade de gerir o patrimônio de forma integrada, com todos os ativos na mesma corretora. “BDRs combinam dois elementos que o investidor busca na diversificação internacional: exposição a ativos globais e operação local, com negociação e acompanhamento no mesmo ambiente. Isso facilita a gestão do patrimônio, a elaboração de estratégias, a administração de custos e riscos e, com a equivalência, amplia o acesso a empresas globais com preços unitários mais acessíveis”, analisa Bianca Maria.
O mercado de ativos globais firmou sua trajetória de expansão e democratização na B3 na última década e os dados da B3 relativos a janeiro de 2026 reforçam essa consolidação, registrando 817 BDRs de ações listados e 951 mil investidores ativos no mês, que tiveram média diária de negociação (ADTV) de R$ 1,1 bilhão. Já entre os BDRs de ETF (ou ETFs Globais), são 297 opções, entre renda variável, renda fixa, criptomoedas e commodities. Ao todo, 48,8 mil investidores já possuem ETFs Globais nas carteiras, enquanto o ADTV girou em torno de R$ 124 milhões por dia no primeiro mês deste ano.
“Os números evidenciam que este mercado já possui uma liquidez e segurança operacional que atraem tanto o varejo quanto investidores institucionais em busca de diversificação internacional sem a necessidade de recorrer a plataformas fora do âmbito regulatório do mercado brasileiro”, declara a gestora de Produtos de Equities da B3.
Fonte: Bora investir

