Quase noventa por cento das famílias no Brasil estão com compromissos financeiros a cumprir. O índice de 80,9%, anunciado em abril, alcança um novo pico no nível de endividamento das pessoas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira, dia 07 de maio. Isso representa um avanço em comparação com março, quando estava em 80,4%, e um aumento de 77,6% em relação a abril de 2025.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, enfatiza a relevância do debate sobre o custo do crédito para os diversos segmentos da sociedade, à luz dos dados da Peic.
“É essencial assegurar que os mecanismos de reestruturação impeçam que esse endividamento agrave ainda mais a crise de liquidez das famílias”, declarou em comunicado sobre a pesquisa.
A situação de significativo endividamento das famílias e empresas levou o governo a introduzir neste mês a versão atualizada do programa de renegociação de dívidas, o Novo Desenrola Brasil, que disponibiliza descontos de até 90% nos compromissos financeiros, possibilita o uso do saldo do FGTS para quitar as dívidas e permite a renegociação do saldo devedor com juros de até 1,99%.
Dívidas em atraso
O índice de famílias com dívidas em atraso subiu para 29,7% em abril, acima dos 29,1% registrados no mesmo período do ano anterior. Enquanto isso, a proporção de famílias que afirmaram não ter capacidade para pagar suas dívidas em atraso permaneceu em 12,3% pelo segundo mês consecutivo, após um aumento pontual em fevereiro.
Cartão de débito
O cartão de débito continua como a principal forma de compromisso financeiro, exercendo o maior impacto no orçamento, seguido pelos boletos de loja e pelo empréstimo pessoal. Entre aqueles que possuem dívidas em atraso, cerca de metade (49,5%) indicou obrigações vencidas há mais de 90 dias. O período médio de atraso manteve-se em 65,1 dias pelo terceiro mês consecutivo, refletindo um aumento na renda média que auxilia na regularização financeira.
Nível de rendimentos
As famílias com renda de até três salários mínimos apresentam o maior índice de endividamento (83,6%) e a maior taxa de dívidas em atraso (38,2%).
No grupo com ganhos entre três e cinco salários mínimos, o nível de endividamento está em 82,8%, mas houve uma redução na inadimplência, que caiu para 28,0% em abril.
Por outro lado, entre as famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos, o índice de endividamento atinge 80,1%, com 22,7% de inadimplência.
O grupo com renda acima de dez salários mínimos apresenta os menores percentuais, com 70,8% de endividados e apenas 15,0% de inadimplentes, registrando o maior declínio anual nesse indicador.
*Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

