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    Investimentos

    MorelliBy Morelli27 de abril de 2026Updated:26 de maio de 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    Com a segunda maior quantidade de minerais valiosos sob sua superfície, o Brasil despertou interesse das corporações internacionais. A transação de compra da empresa brasileira Serra Verde, em Goiás, pela empresa mineradora norte-americana USA Rare Earth (USAR), avaliada em US$ 2,8 bilhões, é vista como um “marco importante para a história dos minerais valiosos no Ocidente”, de acordo com a avaliação do BTG.

    “A mina Pela Ema, pertencente à Serra Verde, é um ativo singular e a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de minerais valiosos magnéticos em grande escala”, declarou Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth. Pela Ema é um projeto localizado na cidade de Minaçu (GO).

    O interesse pela mina da Serra Verde está relacionado ao fato de possuir uma grande quantidade de minerais valiosos pesados, ao contrário de muitos outros depósitos ocidentais. A empresa começou a produção comercial no início de 2024 e ainda não atingiu a produção máxima, prevista em cerca de 6.500 toneladas de óxidos de minerais valiosos por ano até 2027.

    A empresa mineradora também é a única produtora, fora da Ásia, dos quatro elementos cruciais e preciosos, o disprósio (Dy), o térbio (Tb), o neodímio (Nd) e o itrío (y), fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alto rendimento, assim como nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

    Por isso, o BTG afirma em seu relatório que o Brasil está destinado a se tornar um participante cada vez mais relevante nesse mercado, e lista entre as principais empresas a Aclara, a Viridis e a Meteoric.

    “Acreditamos que isso pode marcar o começo de um aumento mais generalizado de negócios no setor. Empresas em fase de desenvolvimento estão se tornando alvos de aquisição à medida que avançam para a produção. A maioria dessas empresas ainda não conta com o suporte de grandes empresas mineradoras, o que deixa espaço para futuras fusões”, aponta o BTG.

    O relatório também destaca que, por ser o único ativo de minerais valiosos em operação no Brasil, a Serra Verde possui uma vantagem, visto que a maioria dos projetos de desenvolvimento miram a produção apenas após 2028.

    Em outro relatório recente, o S&P ressalta, de maneira geral, a importância que o abastecimento de fontes não chinesas ganhou para os países ocidentais, especialmente os EUA, que buscam diversificar suas fontes de suprimento, diminuindo a dependência de um mercado altamente concentrado, no qual a China ainda mantém uma posição dominante. “Isso reforça os esforços de Washington para garantir cadeias de suprimento de minerais valiosos fora da China”, afirma o S&P.

    O S&P avalia que o rápido crescimento do investimento público e privado está acelerando projetos de minerais valiosos fora da China e que os governos estão se envolvendo cada vez mais por meio de financiamento, parcerias estratégicas e políticas industriais para reduzir a dependência da China. “Porém, analistas alertam que isso pode gerar um excesso de oferta a longo prazo se vários projetos entrarem em produção simultaneamente”, declara.

    Contudo, o S&P adverte que, embora o suporte político e financeiro possa acelerar o desenvolvimento, aspectos geológicos, complexidade do processamento e integração subsequente continuam a limitar mudanças rápidas, sugerindo transformações graduais, em vez de radicais, nas cadeias globais de abastecimento de minerais valiosos.

    Nem tão incomuns, mas desejadas

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    1 Nem tão incomuns, mas desejadas
    2 Brasil busca se destacar

    Os chamados minerais valiosos, na realidade, formam um conjunto de 17 elementos químicos que servem como matérias-primas para indústrias estratégicas como a tecnológica, automobilística e de defesa. De acordo com o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), o Brasil detém 23% das reservas globais, aproximadamente 21 milhões de toneladas, distribuídas pelos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. O Ibram projeta que os investimentos na exploração de minerais valiosos no país aumentem 10% entre 2026 e 2030 em comparação com o período entre 2020 e 2025.

    E apesar de serem chamados de ‘minerais valiosos’, esses elementos não são raros, pelo contrário, são recursos abundantes. Esses elementos são encontrados como subprodutos em depósitos de outros minerais, principalmente nióbio e fosfato. A denominação ‘valiosos’ é atribuída pela limitação da tecnologia de extração e refinamento.

    E é nesse ponto que se destacam os estrangeiros, especialmente os chineses, que possuem 90% do mercado global de processamento de minerais valiosos. Enquanto EUA, Europa e outras nações ocidentais estão buscando estabelecer seus próprios setores domésticos de minerais valiosos.

    Para Adelina Lee, CEO da ADL Mineração, em um contexto global de busca por maior segurança e diversificação das cadeias de suprimento, os países têm passado a olhar o Brasil como um parceiro estratégico de longo prazo no fornecimento de minerais essenciais para tecnologias avançadas de transição energética, defesa e uso industriais.

    “O Brasil vive um momento decisivo no setor de minerais valiosos. O que antes era visto como potencial, hoje começa a se consolidar como realidade. A recente movimentação internacional em torno dos minerais estratégicos brasileiros é reflexo direto de um novo cenário”, avalia Lee.

    A empresa ADL Mineração, atuante no segmento de minerais estratégicos e elementos minerais valiosos, realizou, na semana passada, o envio do primeiro contêiner de monazita, minério de minerais valiosos, para o Canadá. Segundo a ADL, este envio marca o início da produção e exportação privada de monazita no país após um longo período. O último envio ocorreu há sete anos por meio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) vinculada ao governo federal.

    A expectativa da mineradora é exportar entre 500 toneladas e 1.000 toneladas de monazita até o final de 2026, para mercados como Canadá, Estados Unidos e China. Nos próximos dois anos, o objetivo é atingir um volume de exportação em torno de 3 mil toneladas.

    Lee ainda destaca que o avanço desse setor não é apenas devido à presença de reservas, mas também à capacidade de execução. “Licenciamento, conformidade regulatória e estrutura operacional são etapas complexas e decisivas, e é exatamente nesse ponto que o Brasil começa a apresentar sinais concretos de evolução. O interesse internacional deve ser visto como uma oportunidade, mas também como um fator que requer atenção”.

    Brasil busca se destacar

    Em meio ao crescente interesse global pelos minerais valiosos, o Brasil busca estabelecer uma regulamentação para a exploração no país.

    No dia 24, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu a urgência da implementação de regras claras para a exploração de minerais críticos no território brasileiro. Para o ministro, é essencial criar uma legislação específica para reduzir as incertezas quanto ao destino dos ativos, considerados estratégicos, e garantir o desenvolvimento da indústria nacional.

    “Não pretendemos ser um exportador de matéria-prima. Não vamos cometer o erro de pensar que minerais críticos ou minerais valiosos sejam destinados à exportação. Devem ser usados para industrialização”.

    Rosa também mencionou que o relator do projeto sobre minerais valiosos na Câmara dos Deputados ainda não apresentou seu parecer a pedido do governo, que deseja propor alterações. Ele ressaltou que as principais modificações sugeridas visam aperfeiçoar a obrigação de industrialização desses minerais extraídos no Brasil. A intenção é evitar que o país se torne apenas um exportador. “O governo pretende apresentar propostas e sugestões que, principalmente, melhorem a obrigação de industrialização do mineral crítico extraído, minerado no país, localizado no país. Não queremos ser um exportador de matéria-prima”, reforçou.

    Diante disso, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) adiou para 4 de maio a divulgação de seu relatório sobre o projeto que estabelece a Política Nacional para Minerais Críticos e Estratégicos, atendendo a um novo pedido do governo de postergação da publicação do parecer. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia agendado a votação do projeto para a quarta-feira, 22.

    O ministro Elias Rosa também mencionou que não vê necessidade de criar uma empresa estatal para lidar com o assunto. Ele espera que a conversa com o relator sobre as propostas apresentadas pelo governo ocorra na semana seguinte. “Em relação à criação de uma estatal, o MDIC não é a favor nem contra. Na situação atual, em nossa avaliação, não há necessidade de criar uma empresa estatal para realizar a exploração, refino e beneficiamento de minerais críticos ou estratégicos”, completou.

    *Artigo originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, website parceiro de Bora Investir

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    Fonte: Bora investir

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