O Comitê de Direção Monetária do Banco Nacional (Copom) vai conduzir uma reunião nesta terça-feira, 28, e quarta-feira, 29, em um encontro praticamente acordado – o mercado, de maneira quase unânime, projeta uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) na taxa de referência Selic, atualmente situada em 14,75% ao ano.
A determinação ocorre em um instante em que o panorama modificou consideravelmente desde o começo da discussão de flexibilização da política monetária: o petróleo Brent voltou a operar acima de US$ 100 o barril, a inflação subiu nas estimativas de mercado, e o câmbio desvalorizou, levando o dólar para abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos.
Nesse sentido, o comunicado da deliberação de política monetária e a Ata do Copom devem centrar expectativas, com os agentes do mercado atentos aos indícios do Banco Central (BC) a respeito de sua avaliação das consequências do conflito.
O debate entre os especialistas não está mais em torno da possibilidade de cortar, e sim se o Copom vai indicar algum direcionamento sobre junho – ou se irá deixar a possibilidade em aberto dependendo de como o contexto externo se desenvolver nas próximas semanas.
No mais recente número do Boletim Focus, o mercado elevou suas projeções para a Selic terminal deste ano. Após semanas seguidas projetando 12,50%, agora o consenso espera uma taxa básica de juros em 13% ao final de 2026 – e com projeções que podem apontar para uma postura ainda mais conservadora do BC dependendo de suas orientações sobre o assunto.
Não obstante, o momento atual e imediato é de relativo otimismo com o mercado interno, dado que o Brasil é exportador líquido de petróleo, principal ativo afetado pelo conflito.
Especialistas do Bank of America (BofA) publicaram um relatório mencionando ativos brasileiros como ‘livres de risco’ e classificaram o país como ‘novo ouro’.
Focus espera BC mais rigoroso
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Nacional em 17 de abril revela que o mercado está cada vez mais convicto de que o ritmo de cortes desta reunião será de 25 pontos-base, fazendo a Selic sair dos atuais 14,75% para 14,50% ao ano.
A mediana das expectativas para a Selic no final de 2026 subiu de 12,50% para 13,00% nas últimas semanas – uma revisão significativa que reflete a percepção de que há menos espaço para reduzir os juros neste ano do que se imaginava antes do choque do petróleo.
XP vê Selic terminal em 13,50%
Santander vê corte de 25p.p. e silêncio sobre reunião de junho
*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

