A Fazenda aumentou de 3,7% para 4,5% a previsão de inflação para este ano, levando a estimativa oficial ao limite máximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão está no Boletim Macrofiscal, publicado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), e reflete as consequências da guerra no Oriente Médio sobre os valores internacionais do petróleo. A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% neste ano e em 2,6% para 2027.
O relatório contém previsões econômicas que guiam a produção do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Agendado para ser enviado ao Congresso na sexta-feira (22), o relatório orienta a execução do Orçamento federal, com sugestões de bloqueios (reduções para obedecer aos limites de gastos) e contingenciamentos (congelamento de fundos para cumprir a meta de superávit primário).
Inflação revisada
Conforme a equipe econômica, a principal pressão originou-se do aumento expressivo do petróleo no mercado global, que ultrapassou os US$ 110 por barril em meio às tensões no Golfo Pérsico.
“A projeção de aumento da inflação neste ano reflete, principalmente, as ramificações do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, comunica a Secretaria de Política Econômica no relatório.
O governo afirmou, no entanto, que parte desse impacto deve ser suavizada pela valorização do real e por medidas adotadas para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor.
Com a revisão, a projeção oficial ficou exatamente no teto do sistema de metas de inflação contínua, que fixa centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para 2027, a previsão de inflação também subiu, passando de 3% para 3,5%.
PIB mantido
Apesar da piora do cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda conservou em 2,3% a projeção de crescimento econômico para este ano. Para 2027, a expectativa também foi preservada em 2,6%, patamar que a equipe econômica prevê para os próximos anos.
A análise da equipe econômica é de que a velocidade da atividade deverá desacelerar nos próximos trimestres devido aos efeitos da política monetária restritiva, mas com recuperação gradual no final do ano.
O governo prevê uma desaceleração mais intensa nos segundo e terceiro trimestres, seguida por uma recuperação parcial da indústria no final do ano.
Mercado diverge
As projeções do governo são mais otimistas do que as do mercado financeiro. Conforme o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições bancárias divulgada pelo Banco Central, os analistas preveem inflação de 4,92% este ano e crescimento econômico de 1,85%.
A Secretaria de Política Econômica destacou que monitora os riscos internacionais, porém ressaltou a resistência do mercado de trabalho brasileiro como fator de sustentação da atividade.
Ganho de arrecadação
O aumento do petróleo também deve impulsionar as receitas do governo federal. Segundo cálculos da Secretaria de Política Econômica, o aumento nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês.
O cálculo inclui receitas vindas de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Exportação relacionados ao setor petrolífero.
*Agência Brasil
Fonte: Bora investir

