O mundo da moeda digital avança a cada ano em termos de consolidação com o público e adoção institucional. E uma tendência deste mercado tem sido as Finanças Descentralizadas, ou DeFi, que são um ecossistema das criptomoedas que cria alternativas financeiras com base em blockchain e que não dependem de intermediários.
Ao contrário do sistema financeiro tradicional, que opera por meio de bancos, corretoras e outras instituições centralizadas, as DeFi realizam essas funções financeiras de maneira descentralizada, com contratos inteligentes e moedas virtuais.
Rony Szuster, Líder de Pesquisa do MB – Mercado Bitcoin, esclarece que, por meio de blockchains públicas, as DeFi permitem “criar soluções como empréstimos, investimentos e trocas de ativos de forma automatizada, utilizando contratos inteligentes”.
Ele afirma ainda que, como as DeFi se destacam pela capacidade de inovação contínua, “protocolos podem ser combinados e programados para desenvolver novos produtos financeiros interoperáveis, permitindo soluções mais flexíveis e eficazes”. Assim, Szuster entende que as finanças descentralizadas representam “uma evolução do sistema financeiro, com maior autonomia para o usuário e acesso ampliado a serviços digitais”, menciona.
DeFi na prática
Para exemplificar como as DeFi podem ser úteis no dia a dia das pessoas, esse ecossistema simplifica atividades financeiras em processos como transferências, empréstimos, operações de seguro ou investimentos.
“Um exemplo prático é o funcionamento do mercado cripto 24/7. Ao contrário do sistema bancário tradicional, que opera apenas em dias úteis e horários específicos, as aplicações DeFi estão disponíveis a qualquer momento, permitindo que indivíduos movimentem recursos, realizem trocas ou tomem decisões financeiras quando desejarem, inclusive em finais de semana e feriados”, relata Szuster.
Além disso, o executivo menciona que as finanças descentralizadas facilitam a integração de diferentes serviços em um mesmo fluxo digital. Segundo ele, uma única operação pode envolver pagamentos, investimentos ou transferências de forma coordenada, tornando tarefas cotidianas mais eficientes e conectadas.
Vantagens das DeFi
- Acessibilidade: qualquer pessoa com acesso à internet pode participar do sistema financeiro global, independentemente da localização ou situação bancária.
- Descentralização: a eliminação de intermediários aumenta o controle dos usuários sobre seus recursos e reduz a intervenção de intermediários.
- Transparência: transações registradas em blockchains públicas garantem rastreabilidade e maior confiança.
- Baixos custos: a ausência de intermediários diminui drasticamente as taxas associadas às transações.
- Inovação contínua: as DeFi evoluem constantemente, com novas soluções e ampliação das opções financeiras disponíveis.
Riscos das DeFi
- Falhas de segurança: contratos inteligentes, embora seguros, podem conter vulnerabilidades exploradas por hackers.
- Volatilidade das moedas digitais: oscilações intensas nos valores das criptomoedas podem afetar negativamente operações como yield farming e staking.
- Falta de regulamentação: a ausência de regulação cria riscos jurídicos e reduz a proteção dos usuários em casos de fraudes.
- Complexidade: muitas plataformas exigem conhecimento técnico avançado, o que dificulta a adesão por pessoas sem experiência.
- Risco de liquidez: algumas plataformas encontram dificuldades para honrar transações durante períodos de alta volatilidade.
Para Szuster, “embora as DeFi represente um avanço significativo na forma como serviços financeiros podem ser acessados e utilizados, a combinação de educação contínua, compreensão dos mecanismos subjacentes e acompanhamento das evoluções tecnológicas e regulatórias ajuda a transformar esses desafios em oportunidades de participação mais consciente e estratégica no novo ambiente financeiro digital”, finaliza.
Fonte: Bora investir

