Numa situação macroeconômica caracterizada por taxas elevadas, flutuações na taxa Selic e incertezas inflacionárias, a tarefa de apropriar grandes volumes de recursos exige prudência inclusive de investidores experientes. Contudo, como a próxima geração enfrentaria esse desafio?
Indagados sobre qual seria a estratégia ótima para investir R$ 1 milhão atualmente, quatro universitários paulistas evidenciam que, distantes da sedução do consumo imediato, as carteiras teóricas planejadas por eles evitam apostas arriscadas e se baseiam em conceitos clássicos da economia: preservação de capital, diversificação de riscos e foco no futuro.
Navegando entre a cautela dos títulos públicos e a ousadia de investimentos em criptomoedas, os estudantes revelam como pretendem utilizar o tempo e o impacto dos juros compostos para não somente resguardar, mas aumentar seu patrimônio nas próximas décadas.
A resistência ao risco e a busca por orientação
Para perfis mais conservadores, a elevada taxa de juros torna a renda fixa uma opção natural.
A universitária de Direito da Anhembi Morumbi Victória Marzano, de 23 anos, reconhece suas limitações técnicas ao lidar com um valor tão significativo. “Se tivesse R$ 1 milhão para investir, eu consultaria um serviço de análise, por falta de expertise técnica”, admite a estudante, que já investe em renda fixa.
No entanto, caso precisasse decidir sobre onde investir sozinha, Victória menciona que optaria por não colocar todos os ovos numa cesta, mas distribuiria seus investimentos no Tesouro Direto, especialmente aqueles indexados à inflação (IPCA+), explicando que títulos respaldados pelo governo oferecem maior segurança.
Em seu planejamento, a exposição ao sobe e desce do mercado de ações seria limitada, comprometendo no máximo 20% do capital à renda variável.
O equilíbrio: dividindo a carteira igualmente
A busca por um equilíbrio entre segurança e rentabilidade orienta os estudantes com perfis moderados.
Verena de Castro Silva, de 18 anos, aluna de Publicidade e Propaganda, sugere uma abordagem conciliatória, dividindo os investimentos de modo equitativo com metade em renda fixa e metade em renda variável.
O segmento de renda fixa teria como missão assegurar o patrimônio contra as instabilidades econômicas, enquanto a renda variável, com foco em fundos imobiliários e ações de tecnologia, procuraria alavancagem a longo prazo. Verena destaca ainda a importância de priorizar ativos internacionais para não ficar exclusivamente dependente do mercado nacional.
Com uma visão similar, o universitário de Marketing Gustavo Levy Lima Bracale, de 21 anos, estruturaria seu milhão com vistas à segurança, crescimento e proteção cambial.
Sua distribuição seria segmentada em quatro áreas principais, com 40% para a renda fixa por meio de Tesouro IPCA+, CDBs e LCIs de instituições financeiras sólidas; 35% em ações e ETFs no Brasil e nos Estados Unidos; 15% em fundos imobiliários para garantir renda passiva; e 10% para uma pequena exposição ao dólar e a ativos de tecnologia.
Aposta nos lucros distribuídos e no “Comprar e Manter”
Com um perfil mais analítico e ousado, Cauã Stracke do Nascimento, de 19 anos, se diferencia das alocações mais convencionais. Aluno de Ciência e Tecnologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e medalhista de ouro na Olimpíada de Educação Financeira (OLITEF), ele já costuma reservar 70% de seu salário de estagiário e segue a filosofia de Comprar e Manter.
Em sua simulação com R$ 1 milhão, Cauã destinaria 30% à renda fixa para formar uma reserva sólida para emergências e oportunidades, capaz de cobrir seu custo de vida por até um ano e permitir tirar proveito de quedas no mercado.
A maior fatia, representando 55%, seria aplicada em ações, optando por investir em empresas com lucros em ascensão de setores robustos, como bancos, seguradoras e commodities.
Os 15% restantes seriam divididos entre fundos imobiliários (10%), atraído pela segurança da renda mensal passiva, e uma incursão calculada no universo das criptomoedas (5%) que, de acordo com Cauã, seria direcionado exclusivamente ao Bitcoin.
“Eu opto pelo Bitcoin pois é a criptomoeda mais consolidada e com uma rentabilidade significativa ao longo dos anos, então invisto devido ao seu potencial explosivo de multiplicar meu capital”, explica Cauã, destacando que o limite de 5% visa impedir que o investimento se transforme em um ambiente de risco elevado.
A caminhada matemática até o primeiro milhhão
Embora possuir R$ 1 milhão hoje possibilite determinar as regras do jogo com conforto, acumular essa quantia do zero requer paciência matemática e investimentos contínuos.
O estudante de Marketing na Anhembi Morumbi Gustavo Bracale elaborou uma projeção evidenciando que, com uma rentabilidade média estimada de 10% ao ano, seria preciso fazer investimentos mensais entre R$ 250 e R$ 300 ao longo de 40 anos, reinvestindo todos os ganhos, para atingir a meta milionária.
A mesma confiança no poder do tempo motiva Cauã, que planeja alcançar R$ 1 milhão para sua aposentadoria, entre os 50 e os 60 anos. E ele sabe que o principal aliado é os juros compostos.
Fonte: Bora investir

