Recentemente, os mercados de prognóstico (forecast markets) tiveram destaque nos meios de comunicação devido a Luana Lopes Lara, brasileira co-fundadora da empresa Kalshi e que se tornou a pessoa mais jovem a acumular sua própria riqueza, segundo a Forbes.
Sendo uma área relativamente nova, diversas incertezas podem surgir sobre esse tipo de mercado. Os contratos de eventos, designados como produtos financeiros nos mercados de predição, têm como base uma pergunta cuja resposta é limitada a “sim” ou “não”. O valor do contrato reflete a possibilidade de o evento futuro se concretizar.
Alison Correia, especialista em investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, esclarece que, por meio desse mercado, torna-se viável transformar qualquer evento em algo passível de negociação. “Pode estar relacionado a ações ou assuntos do universo financeiro, mas não exclusivamente. É factível realizar em várias áreas”. Na Kalshi, por exemplo, é viável negociar contratos sobre temas econômicos, políticos, esportivos e até mesmo culturais.
Na prática, o valor oscila entre US$ 0,01 e US$ 1, de acordo com a probabilidade. Na data estipulada para o evento, aqueles que fizeram a previsão correta recebem US$ 1. Quem escolheu a opção incorreta não obtém ganhos.
Por exemplo, o evento pode ser “O Copom diminuirá a taxa Selic na próxima reunião?”. Caso o valor do contrato para “sim” seja de US$ 0,20, isso significa que o mercado estima em 20% as chances de o evento se concretizar. Dessa forma, se na reunião subsequente o Copom efetivamente reduzir a Selic, quem optou pelo sim recebe US$ 1 por contrato – considerando o preço de US$ 0,20 para adquirir o contrato, o lucro totaliza US$ 0,80. Caso mais de um contrato seja negociado, os lucros são proporcionais.
Confira a distinção entre os mercados de prognóstico e as apostas
Por se tratar de uma predição sobre eventos vindouros, é comum comparar esse mercado com as apostas. Contudo, há alguns aspectos que os diferenciam.
Um dos principais é que, na situação da Kalshi, as operações são realizadas dentro do mercado regulamentado. A empresa é supervisionada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão máximo do mercado de futuros nos EUA, com atuação semelhante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil.
Correia ressalta também que uma característica distintiva é a possibilidade de negociação da posição. “Se você adquiriu a 0,50 e essa probabilidade aumentou para 0,80, você lucra com esses 0,30. Então, são os participantes que definem o preço com base no que acreditam ter a maior probabilidade de ocorrer”, declara.
Outro ponto crucial é que nos mercados de prognóstico as pessoas apostam umas contra as outras e não contra a casa, como ocorre nas apostas. Logo, a probabilidade de os eventos se concretizarem é calculada pela oferta e demanda, e não estabelecida pela casa de apostas sem transparência.
Esse último elemento também influencia na maneira como as empresas são remuneradas. Nas apostas, a empresa define as cotações de acordo com critérios próprios, com o lucro ocorrendo às custas dos apostadores. Em contrapartida, nos mercados de prognóstico, as companhias lucram com a cobrança de taxas por transação.
Fonte: Bora investir

